Arquivo da categoria: Perguntas Frequentes

Há Karma para o Espiritismo?

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Frequentemente vemos no meio espírita o emprego do termo Karma ou Carma, como sinônimo de provas e expiações, um conceito espírita. Contudo, seria correta essa correlação?

O primeiro ponto a ser esclarecido é que Kardec jamais utilizou o termo Karma ou fez qualquer associação dele com o Espiritismo. Em segundo lugar, devemos recordar a primeira lição que Kardec deixou para os espíritas:

“Para se designarem coisas novas são precisos termos novos. Assim o exige a clareza da linguagem, para evitar a confusão inerente à variedade de sentidos das mesmas palavras”. O Livro dos Espíritos.

E isso por uma razão muito simples: nossa língua é imperfeita! Temos muita dificuldade para traduzir determinados conceitos, situações, vivências e sentimentos em palavras. Imagine, então, se cada um começar a dar significados múltiplos – por qualquer motivo – às palavras cujo uso já está consagrado na cultura? O resultado só poderá ser confusão.

Por fim, é preciso entender o que de fato significa o termo Karma. Segundo o Colegiado Buddista Brasileiro, em sua definição sobre reencarnação (na verdade, renascimento), encontramos o seguinte:

“Apesar de a palavra reencarnação ainda ser usada em muitos textos sobre o buddhismo, o termo mais apropriado é ‘renascimento’, uma vez que no buddhismo não consideramos a existência de uma alma ou espírito destacada do corpo e que toma um novo corpo. No buddhismo é o Karma (o conjunto de impulsos que restam após a morte) que se manifesta novamente, e esta nova manifestação é que gera uma existência que tomando consciência de si mesma assume uma identidade. Esta nova identidade, embora muito semelhante em características a que a antecedeu, não é a mesma pessoa, nem a reencarnação de uma partícula permanente que transita por diferentes corpos. Há continuidade porém não de um EU particular”. [destaques meus]

Podemos facilmente perceber que a noção de reencarnação (ou renascimento, como queiram) para o Budismo também é muito diferente da noção espírita de reencarnação. Contudo, o que nos importa aqui é o termo Karma.

 Segundo este pensamento, após a morte, o que sobra é uma espécie de “resíduo espiritual” da pessoa que acaba de morrer (não sua individualidade e/ou consciência). Esse “resíduo” seria o resultado das suas imperfeições ou virtudes conquistas (isto é, o Karma). Tal “resíduo” renasceria novamente em um individuo que não seria a continuidade do anterior. A consciência de si próprio como um ser em específico seria destruída com a morte do corpo.

Por esta razão, é absolutamente impróprio usar o termo Karma num contexto espírita. O Espiritismo não adota a noção de Karma, nem renascimento, mas sim, a reencarnação. O Espiritismo ensina que a alma é a consciência e que ela persiste após a morte do corpo com sua individualidade, não como um “resíduo”. Que ela carrega suas imperfeições e virtudes e que reencarna novamente (sem deixar de ser quem é) para uma nova experiência de progresso e são essas experiências a serem vividas que chamamos de provas e expiações e não de Karma.

É certo que muitos espíritas usam o termo Karma apenas com finalidade de estética linguística. Mas, acho esse procedimento muito perigoso, tanto para o Espiritismo, quanto para o Budismo, pois introduz uma compreensão errônea  para um, quanto para outro.

 

 

 

 

 

Mediunidade é sinal de evolução espiritual?

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Esta é uma dúvida muito comum entre os iniciantes. Estes, normalmente, imaginam a mediunidade como uma espécie de poder especial dado a algumas pessoas por serem espíritos muito adiantados para cumprirem suas missões. Contudo, será isso mesmo?

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, lemos:

“Há quem se admire de que, por vezes, a mediunidade seja concedida a pessoas indignas, capazes de a usarem mal. Parece, dizem, que tão preciosa faculdade deveria ser atributo exclusivo dos de maior merecimento”.

(…)

“Digamos, antes de tudo, que a mediunidade é inerente a uma disposição orgânica, de que qualquer homem pode ser dotado, como da de ver, de ouvir, de falar”.

(…)

“Se só aos mais dignos fosse concedida a faculdade de comunicar com os Espíritos, quem ousaria pretendê-la? Onde, ao demais, o limite entre a dignidade e a indignidade? A mediunidade é conferida sem distinção, a fim de que os Espíritos possam trazer a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos retos, para os fortificar no bem, aos viciosos para os corrigir”.

Portanto, a mediunidade se manifesta tanto em pessoas boas quanto ruins. Logo, não é sinal de evolução espiritual.

Para compreender melhor esse processo, leia:

O Evangelho Segundo o Espiritismo – Não são os que gozam saúde que precisam de médico – item 12.

Somos os mais atrasados?

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Hoje tive a ideia de aproveitar algumas questões que frequentemente aparecem no Facebook e utilizá-las aqui como exemplos de dúvidas comuns dos iniciantes. Contudo, para não expor a pessoa, vou reescrever essencialmente a pergunta feita.

Neste caso, a pergunta é:

Os espíritos encarnados na Terra são os menos evoluídos? E é verdade que esta é a nossa última encarnação?

Resposta:

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 3, são divididos assim os mundos: Primitivos, Provas e Expiações, Regeneração, Felizes e Divinos.

A Terra é um Mundo de Provas e Expiações em fase de transição para regeneração. Portanto, os espíritos que aqui estão encarnados já percorreram algum grau de progresso. Contudo, estão distantes da perfeição.

O que ocorre com frequência é a confusão de uma questão de O Livro dos Espíritos, onde é dito que a Terra ainda é um dos mundos “mais materiais”, o que não quer dizer que seja o MAIS material.

172.As nossas diversas existências corporais se verificam todas na Terra?

“Não; vivemo-las em diferentes mundos. As que aqui passamos não são as primeiras, nem as últimas; são, porém, das mais materiais e das mais distantes da perfeição.”

Porém, como se pôde ver na própria resposta, é dito: não são as primeiras, nem as últimas. Não somos os mais atrasados, mas ainda estamos longe do fim. Reencarnaremos ainda muitas outras vezes.

F.A.Q: Somos todos médiuns?

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imagesPara compreender o que seja mediunidade, segundo os parâmetros espíritas, precisamos fazer uma distinção entre dois significados diferentes para o termo médium: amplo e restrito.

O significado amplo talvez seja, no fundo, uma imprecisão linguística .. Contudo, Kardec nos explica (O Livro dos Médiuns, item 159) que:

“Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns”.

Este texto é freqüentemente utilizado por muitos adeptos para afirmar que TODAS as pessoas são médiuns. O problema é que param a citação por aí, não concluindo o restante do parágrafo. Mas, antes de passar a ele, vamos analisar o texto.

Podemos inferir três coisas no texto: a) A mediunidade se caracteriza pela percepção de uma influência espiritual; b) É inerente ao homem, isto é, não possui religião ou crença, está na espécie humana; c) Raras são as pessoas que não possuem pelo menos um pouco de mediunidade (logo, não se pode dizer que todo mundo o seja…).

Todos os seres humanos estão em constante inter-relação com os espíritos através da lei de relações fluídicas (A Gênese, capítulo XIV), de modo que todos recebem suas influências, boas ou ruins, conforme nossa pré-disposição, podemos ser inspirados, nossos pensamentos podem encontrar um eco no além, nossos intentos e pré-disposições podem ser intensificados, isto é, estamos o tempo todo influenciando e sendo influenciados.
Portanto, neste sentido, geral, amplo, todos são médiuns. Essa classificação, antes de tudo, é fruto de uma construção histórica dentro do próprio espiritualismo, antes mesmo do surgimento do Espiritismo (este provavelmente era o sentido popular de médium na época, assim como continua sendo o sentido popular, hoje em dia).
Agora, sim, vamos continuar com o texto:

“Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva”.

Podemos inferir, que: a) Usualmente, isto é, na prática, não somos todos médiuns; b) O médium é alguém capaz de produzir efeitos patentes (claros), de certa intensidade (força); c) Para que isto ocorra, o corpo possui alguma coisa diferenciada (ou seja, é algo ligado ao corpo da pessoa, não evolução espiritual, como eventualmente se diz…).

Aqui vemos, portanto, uma definição restrita, específica, do que é ser médium. Quando falamos em médium, estamos evocando a imagem da pessoa que é capaz de estabelecer algum elo de comunicação ou efeito cuja ação seja proveniente de um espírito. Todos são capazes disso ou somente um número restrito de pessoas?

É justamente por esse conflito de definições (que não sei se foi por imprecisão de Kardec ou problema de tradução) que surgiram os termos: Mediunidade passiva e ostensiva. Isto é, o médium na definição geral e o médium na definição restrita. O médium passivo é aquele que apenas sofre a influência natural dos espíritos e o médium ostensivo é aquele que não só sofre a influência, como é capaz de produzir trabalho a partir dela (uma psicografia, por exemplo).

Não acho esses termos propriamente equivocados, mas estranhos. Prefiro pensar da seguinte forma: Quase todas as pessoas possuem mediunidade (como, em tese, todo ser humano possui a capacidade de falar), contudo, nem todos são médiuns (nem todas as pessoas cantam bem) e raros aqueles que são mediunatos* (como são raras as pessoas que cantam extraordinariamente bem).

Em suma? Todos têm mediunidade, mas nem todos são médiuns.

* – Pessoa com missão mediúnica