Turismo religioso em Uberaba

chico

Confesso que, a princípio, quando soube da intenção de formalizar um turismo religioso em Uberaba, a minha reação foi de desdenho. Contudo, maturando a ideia, o desdenho deu lugar à incerteza, que reina até o momento.

Em suma, o que o turismo em Uberaba está fazendo é o seguinte:

a)    Construção de um memorial dedicado à Chico Xavier;

b)    Construção de um hotel chamado “Nosso Lar”;

c)    Criação de cartão de crédito (por quê?)

Há muito tempo Uberaba recebe a visita de gente de todo o Brasil. O principal foco era Chico Xavier. Contudo, médiuns como Carlos Baccelli e hospitais como o “Fogo Selvagem” e o Sanatório Espírita também atraem o interesse dos visitantes, isso sem contar os mais de 100 Centros Espíritas da cidade.

O que se pretende fazer, pelo que percebi, é profissionalizar esse processo, oferecendo, para isso, uma rede de recursos. O memorial será o atrativo, o hotel será o respaldo e os médiuns, hospitais e centros, a motivação.

Ao contrário de muitos espíritas que reagiram negativamente, já logo vendo nisso uma tentativa de comercializar com o Espiritismo (como se as editoras há tempos não fizessem isso), prefiro esperar para avaliar. Essa iniciativa pode contribuir significativamente para consolidação e difusão da cultura espírita na cidade e região, ou não.

 

Exclusivo: Marcel Souto Maior fala sobre a biografia de Allan Kardec

Uma nova biografia de Allan Kardec se “materializa” nas livrarias neste mês de outubro e não se trata de nenhum “fenômeno mediúnico”. Nem por isso, desprovido de novidade, mesmo Kardec sendo uma personalidade (re) conhecida por espíritas e não-espirítas. O que torna a obra um atrativo é o seu autor: Marcel Souto Maior, jornalista, não-espirita e biógrafo de Chico Xavier, em obra — entre outras — que deu origem ao filme sobre o médium brasileiro.

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Cem anos de espiritismo em Uberlândia

Em 1895, o casal Pedro e Maria Rita Schwindt, médiuns de muita sensibilidade, aqui aportam com o encargo espiritual de fundar o primeiro centro espírita desta cidade. Desde 1908, por meio do trabalho mediúnico de Francisco Pinto, ouvia-se falar sobre a intervenção dos espíritos em nossas vidas e atos. Ele orientava e “curava” muita gente  por meio do trabalho dos espíritos, auxiliando e amparando os necessitados em uma época de tão poucos recursos para uma comunidade nascente onde havia um só médico, o dr. Rafael Rinaldi. Em 1912, se instala na cidade Gustavo José da Silva, que se casa com dona Marília Vilela. O relacionamento estreito entre os casais Schwindt e Silva era devido ao fato de Marília ter apresentado problemas espirituais logo após o casamento. Então, Gustavo procurou recursos consultando os espíritos por meio da mediunidade de Maria Rita.

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Biógrafo de Chico Xavier escreve sobre vida de Kardec

O jornalista Marcel Souto Maior, autor de “As Vidas de Chico Xavier”, escreve agora sobre a vida Allan Kardec, francês que codificou o espiritismo no século 19.

Em “Kardec”, título com lançamento previsto para 21 de outubro, Souto Maior procura compreender como um cético notório se transformou em uma referência quando se trata de comunicação espiritual e vida após a morte.

Nascido em 1804, Hippolite-Leon Denizard Rivail, nome de batismo de Kardec, buscava uma explicação racional para uma série de fenômenos ocorridos em uma pequena propriedade no Estado de Nova York, nos EUA, em 1848.

As manifestações –sons cadenciados ouvidos pela família Fox, donos da propriedade– foram testemunhados por outras pessoas. A investigação resultou na criação da doutrina espírita e rendeu oscinco livros fundamentais para o espiritismo.

Além de “As Vidas de Chico Xavier”, livro adaptado para o cinema com o título “Chico Xavier”, o autor também assina “Por Trás do Véu de Ísis” e “As Lições de Chico Xavier”.

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“Kardec”
Autor: Marcel Souto Maior
Editora: Record
Páginas: 322
Quanto: R$ 31,90 (preço promocional de pré-venda*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2013/09/1346232-biografo-de-chico-xavier-escreve-sobre-vida-de-kardec.shtml

Assalto ao Centro Espírita

Assaltantes invadem Centro Espírita em Cuiabá e fazem arrastão

Um deles estava armado com um revólver; os dois roubaram diversos objetos

Mary Juruna

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A PM foi chamada para atender o caso, mas ninguém foi preso

DA REDAÇÃO

Frequentadores do Centro Espírita Paulo de Tarso, no bairro Cidade Alta, em Cuiabá, viveram momentos de apreensão na noite de terça-feira (20), depois que dois rapazes assaltaram o local.

Segundo testemunhas, um dos bandidos estava armado e rendeu pelo menos oito pessoas que estavam no centro. O outro ladrão ficou na porta, dando cobertura.

Foram roubadas bolsas, celulares, carteiras e outros pertences. Os produtos foram colocados numa sacola.

Em seguida, os bandidos fugiram a pé. Conforme o relato das vítimas, um dos suspeitos estava com uma calça jeans e camiseta cor de rosa e o outro, bermudão e camiseta clara.

Procurado pelos policiais, o vigia do local alegou não ter visto a ação criminosa, uma vez que havia intenso fluxo de pessoas. Explicou que só depois do crime ficou sabendo do arrastão.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Roubos e Furtos da Capital.

Homem diz ser perseguido por fantasma e confessa assassinato

Um rapaz de 24 anos procurou a delegacia da Polícia Civil de Itapema, no Litoral Norte, no último fim de semana, e confessou ter cometido um assassinato. De acordo com o delegado Rodrigo Duarte de Andrade, ele chegou chorando muito na delegacia e confessou que sonhava frequentemente com o fantasma da vítima e vivia atormentado, por isso resolveu se entregar.

Em depoimento, Alisson, que hoje trabalha como servente de pedreiro, disse que em 16 de abril de 2010 matou uma pessoa por acreditar que ela tinha muito dinheiro. “Ele disse que como a pessoa viajava muito, achou que tivesse muito dinheiro em casa e em uma das vezes que em ela retornou para casa de uma viagem, ele foi até a casa da vítima de 52 anos e acabou matando-a. Em seguida, roubou uma quantia de R$ 2 mil”, relatou o delegado.

A polícia investigou e descobriu que realmente uma pessoa havia sido morta em 16 de abril de 2010. Um inquérito foi aberto na ocasião, mas niguém foi preso. Agora, o delegado Rodrigo irá pedir o desarquivamento do processo e anexar o depoimento de Alisson. Frequentador de igrejas, Alisson contou ao delegado que estava com a consciência pesada por causa do crime. Ao G1, o delegado de Itapema afirmou que o suspeito tem 23 passagens pela polícia por ter cometido diversos crimes na região do Litoral Norte de Santa Catarina.

Fonte.

Comentário:

“Para o criminoso, a presença incessante das vítimas e das circunstâncias do crime é um suplício cruel”. O Céu e o Inferno.

Em O Céu e o Inferno, Kardec entrevista diversos espíritos que diziam ver suas vítimas. Lemaire, por exemplo, disse:

11. Tendes encontrado as vossas vítimas?

— R. Vejo-as… são felizes; seus olhares perseguem-me… sinto que me varam o ser e debalde tento fugir-lhes.

P. Que impressão vos causam esses olhares?

— R. Vergonha e remorso. Ocasionei-os voluntariamente e ainda os abomino.

P. E qual a impressão que lhes causais vós?

— R. Piedade, é sentimento que lhes apreendo a meu respeito.

12. Terão por sua vez o ódio e o desejo de vingança?

 — R. Não; os olhares que volvem lembram-me a minha expiação. Vós não podeis avaliar o suplício horrível de tudo devermos àqueles a quem odiamos.

Podemos imaginar o sofrimento moral a que se obriga um assassino cuja vítima se levanta do que se pensava o nada para vir lhe cobrar seus atos. Que o arrependimento desse rapaz possa mesmo ser verdadeiro e que ele comece, desde já, a reparar os seus atos, pois, segundo Kardec:

Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação.

 

 

Brasileira prova que cartas foram psicografadas

São Paulo – Há quem diga que ciência e religião não combinam. Mas a pesquisadora Cíntia Alves da Silva demonstrou, em uma tese acadêmica, que a linha que separa essas duas áreas, na verdade, é tênue. Estudou cartas psicografadas pelo médium Chico Xavier em seu doutorado de linguística pela Unesp. E concluiu que essas cartas foram escritas por pessoas diferentes.

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Obs.: O título da matéria é sensacionalista…

O curso de formação de pesquisadores espíritas na UFSC

A ciência espírita não é uma miragem. Foi este o sentimento que emergiu no encerramento, neste domingo, 14.07.2012, da I Turma do Curso de Formação de Pesquisadores Espíritas, desenvolvido pelo NEOPE-VPCC, da FEC.

A iniciativa tem uma dupla potência. De um lado, o respaldo do conhecimento espírita advindo de uma federativa. De outro, a chancela acadêmico-científico da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), incluído como atividade de Extensão Universitária em Pesquisa em Transfenomenologia. Um projeto em harmonia com o pensamento abrangente da Codificação, a cargo do professor Francisco Fialho, do Departamento de Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC.

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A imortalidade da alma e a reencarnação na Grécia Antiga

No início de janeiro de 2013 tive a oportunidade de conhecer e conversar com dr. Marco Antonio Santamaría Álvarez, professor titular de filologia grega no Departamento de Filologia Clássica e Indoeuropeo da Universidade de Salamanca, Espanha. Autor de diversos artigos científicos sobre a cultura e os pensadores da Grécia Antiga, Santamaría também é um dos organizadores, junto com os professores Alberto Bernabé Pajares e Madayo Kahle, do livro lançado em 2011 na Espanha, intitulado Reencarnación: La transmigración del alma entre Oriente y Occidente1. O livro reúne trabalhos inéditos de destacados acadêmicos espanhóis e vem encontrando ótima recepção, tanto pelo público acadêmico quanto pelo leitor em geral, já se cogitando uma versão inglesa da obra.

Destaco aqui alguns trechos de nossa conversa sobre o livro e a temática reencarnação.

Marco Milani: Em um dos capítulos de sua autoria, aponta-se que Ferécides de Siro foi o primeiro grego a divulgar que a alma é imortal e a tratar da ideia da transmigração da alma, mas não se tem certeza sobre a origem das fontes de Ferécides. Quais são as principais dificuldades para conhecê-las?

Marco Santamaría: As informações que temos hoje relacionadas às fontes de Ferécides, o qual supõe-se que viveu no século VI a.C., são de origem tardia, encontradas principalmente em autores cristãos e neoplatônicos dos séculos IV d.C. e V d.C., portanto há uma distância temporal significativa entre eles, o que permite supor que esses autores refletiram algumas tradições. Portanto, não se tem segurança para se afirmar sobre a origem dessas fontes e é um ponto que ainda necessita ser desvendado.

Poderia uma experiência pessoal ter dado origem à crença propagada por Ferécides, ou seja, uma situação ter gerado o ato cognitivo da descoberta , sem que ele tivesse tido a necessidade de se basear em ideias anteriores para a construção das relações entre os homens, deuses, a morte e a sobrevivência da alma?

É possível que os ensinamentos de Ferécides sobre a alma provenham de experiências pessoais, mas não temos dados suficientes sobre a sua vida e sua obra para nos assegurarmos disso. Nesse aspecto, sabe-se que a postura e a experiência pessoal foram condições necessárias para seguir determinadas escolas, como nos órficos e pitagóricos, e ter acesso aos ensinamentos sobre os mistérios relacionados às questões ontológicas.

Há pensadores que defendiam a sobrevivência e imortalidade da alma que afirmavam e que uma das fontes de conhecimento era originada nas almas dos desencarnados?

Sócrates, segundo alguns diálogos de Platão, tinha um gênio protetor um tanto misterioso que lhe transmitia conhecimentos e lhe advertia sobre determinados fatos, mas não se considera exatamente que essa teria sido a sua fonte. De forma geral a fonte dos filósofos não se situava na relação com almas desencarnadas. Pode-se dizer que a comunicação entre os homens e seres divinos estava presente na sociedade grega por intermédio das pitonisas, porém esse tipo de conhecimento relacionava-se à magia e aos seus mistérios.

Era importante para os filósofos uma experiência individual para a confirmação dessas crenças?

Isso é muito claro nos casos de Pitágoras e Empédocles. Sobre Pitágoras não se conservaram textos específicos, mas há testemunhos antigos de que ele se apresentava como alguém em contato com os deuses e com uma capacidade de se recordar de vidas passadas e reconhecer almas, parecido com a figura de um sacerdote. Empédocles se apresentava de maneira semelhante, com a capacidade de recordar vidas anteriores e considerando-se um personagem com capacidades divinas entre os homens com dotes especiais de curar e oferecer oráculos.

Pode-se considerar o orfismo e o pitagorismo como escolas que abraçavam a imortalidade e a transmigração da alma em suas crenças e que influenciaram muitos pensadores, tais como Empédocles, Parmênides, Sócrates e Platão. Supõe-se que Ferécides tenha sido o mestre de Pitágoras. Qual seria a relação de Ferécides com o orfismo?

Esta é uma questão complexa e muito debatida, pois há inúmeras informações dispersas. Certamente existem pontos em comum entre os órficos e o pensamento de Ferécides, assim como ocorre com os pitagóricos, mas não se pode afirmar, com segurança, que as crenças órficas decorreram de Ferécides em sua origem e vice-versa. O que se pode afirmar com certeza é que todas essas correntes disseminavam a crença da imortalidade da alma e da transmigração e esse fato é muito interessante e revolucionário, pois na Grécia Antiga existia uma clara distinção entre os homens mortais e os deuses imortais. Logo, as crenças órficas, pitagóricas e de Ferécides contrapuseram-se, de certo modo, à concepção vigente na época entre os homens e a divindade.

De maneira geral, pode-se afirmar que tanto para os órficos e pitagóricos a alma preexiste ao corpo, participando de um ciclo de transmigrações, com recompensas e castigos, objetivando a sua purificação e, nesse processo, ela manteria a sua individualidade sem se confundir ou se perder no todo? 

Exatamente. Para todas essas correntes a alma manteria a individualidade, não havendo uma fusão com o todo nem extinção. E nesse processo, o corpo seria apenas o cárcere de uma alma preexistente para ser utilizado durante determinado período e depois a alma o abandonaria na morte. A reencarnação seria uma espécie de castigo para a alma pagar alguma culpa e conseguir se purificar e depois disso não mais teria que voltar em um outro corpo. Alguns poemas da época tratam da questão paradoxal entre morrer no corpo e viver na alma livre, simbolizando a morte na tumba de carne e a vida, ao se deixar o corpo e obter-se a liberdade. A recompensa para a alma depois do período cíclico transmigratório seria estar junto aos deuses em uma região feliz ou em um mundo celeste, como exposto pelo pitagorismo.

Atualmente, no âmbito acadêmico, a discussão sobre a sobrevivência da alma e sobre a reencarnação não se limita aos círculos filosóficos, mas também está presente em outras áreas do conhecimento científico. Cito, por exemplo, os trabalhos de Ian Stevenson e seus continuadores, como Jim Tucker, da Universidade de Virginia nos Estados Unidos. Assim, temos atualmente estudos que podem apresentar evidências empíricas sobre a sobrevivência da alma e a reencarnação. Como você percebe o impacto destes estudos empíricos nos debates filosóficos sobre esses temas?

  Parece-me muito interessante esses estudos, mas não os conheço em profundidade, portanto não posso comentar apropriadamente. Certamente todo o conhecimento decorrente de estudos empíricos enriquecem os debates e permitem novas abordagens. De maneira geral, como o tema reencarnação é tratado atualmente pelos espanhóis?

 É um contexto um tanto paradoxal, porque temos aqui na Espanha um paradigma religioso relacionado ao catolicismo, mas a ideia de reencarnação está um tanto generalizada. Percebe-se uma difusão do conhecimento da reencarnação, ainda que exista a oposição de representantes católicos, mas acho isso muito compreensível diante da complexidade do ser humano com um conglomerado de crenças. Chama-me a atenção a grande semelhança existente entre crenças atuais e crenças antigas!

 Depois dessa agradável conversa, presenteei o professor Santamaría com um exemplar de O livro dos espíritos, de Allan Kardec, em versão espanhola. Uma vez que o professor Santamaría não conhecia o trabalho de Kardec, quem sabe poderemos voltar a conversar, em futuro próximo, sobre a sobrevivência da alma e a reencarnação considerando especificamente a perspectiva espírita?

 1) Pajares, A.B; Kahle M.; Santamaría Álvarez. M.A. (Org). Reencarnación: La transmigración del alma entre Oriente y Occidente. Madrid: Abada Editores, 2011.

*Marco Milani é economista, professor na Universidade Mackenzie em São Paulo e em viagem à Espanha realizou esta entrevista para oCorreio Fraterno.

 Publicado no jornal Correio Fraterno, edição 450 – março/abril 2013

Fonte: http://www.correiofraterno.com.br/nossas-secoes/14-entrevista/1180-a-imortalidade-da-alma-e-a-reencarnacao-na-grecia-antiga