Arquivo da categoria: Crítica

CURSO$ EAD

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lucroEu ainda não entendo por que tem sido cada vez mais comum pessoas oferecerem cursos EAD sobre Umbanda de forma paga, com a justificativa de sustentar a plataforma que usam… Bom, não podem gravar vídeos e colocar no Youtube, de graça, para todos verem?

Se o objetivo é simplesmente transmitir conhecimento, qualquer forma é válida… Especialmente, utilizando-se de formatos de sucesso, como os conhecidos canais do Youtube…

Só HOJE, eu recebi um email sobre curso de sacerdote (pago), curso de magia na Umbanda (pago), curso de apometria na Umbanda (pago) e, para completar, no fim da tarde ouvi numa rádio um tal de trabalho para “futuros empregados” com “investimento” de R$ 50,00…

Eu já fiz curso sobre Umbanda EAD, já paguei por isso, numa época em que necessitava de informações e preferi buscá-las fora do Terreiro… Mas, hoje não mais…

Num desses cursos, o tutor disse que houve 1500 matrículas. Cada matrícula custava R$ 68,00. A conta é simples: 1500 x 68 = R$ 102.000,00 (cento e dois mil reais). É mole?

Tenho aprendido com as entidades que não é lícito ganhar dinheiro em cima de religião, seja vendendo mediunidade, seja vendendo conhecimento. Mesmo autores de “próprio punho” devem doar os direitos das suas obras em favor da caridade.

Afinal, onde eles aprenderam sobre Umbanda, alguém lhes cobrou?

Fiquemos atentos com o vil metal que tanto nos alertara o C7E.

Um caso de preconceito espírita

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Quando lemos em Obras Póstumas que no dia 9 de Outubro de 1861, em Barcelona – Espanha, o Bispo Antonio Palau Termes, sob a alegação de que “A Igreja católica é universal, e os livros, sendo contrários à  católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outros países“, apreende na alfândega mais de 300 livros espíritas, dentre ele várias obras de Kardec e as manda queimar em praça pública, pensamos: Meu Deus! Como o preconceito pode gerar um comportamento tão ignorante!

Cento e cinquenta e três anos se passaram. O mundo mudou bastante, o preconceito contra o Espiritismo caiu vertiginosamente. Porém, ainda não desapareceu. Ainda vemos, sem grande esforço, situações em que pessoas preconceituosas, eivadas de sentimentos confusos e estranhos, colocam barreiras à Doutrina. Eu vivi isso hoje.

Havia encontrado um site que produz vinhetas profissionais para rádio (anúncios, propagandas, etc) e enviei um email solicitando um orçamento, conforme se pode ver abaixo:

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Como se pode ver, os textos são bastante simples e não há nada neles que pudesse provocar algum tipo de restrição nos locutores. Entretanto, recebi como resposta o seguinte:

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Bastante surpreso com essa resposta, que me pareceu caridosamente mentirosa, respondi da seguinte forma:

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A empresa anuncia em seu catálogo em torno de 20 locutores, homens e mulheres, disponibilizando, inclusive, uma pequena amostra de seus trabalhos. Seria de se admirar que, dentre esses 20 locutores (que são freelancers, diga-se) não houvesse sequer um que aceitasse gravar sobre o Espiritismo? Todos eles se negariam a gravar por motivos religiosos? Ou será que alguém nesta empresa é que não quer gravar sobre o Espiritismo, transferindo a responsabilidade para os locutores?

Seja como for, o interessante é que no site da referida empresa não há nenhuma restrição sobre temas a serem gravados. Eu realmente me senti irritado com essa resposta, que me pareceu uma afronta, tanto pelo preconceito embutido como pela resposta ingênua, pois imaginava que posturas assim, ainda mais no campo comercial, já tivessem desaparecido há tempos. Entretanto, eis que o espírito de separação presente em nossa sociedade ainda vive e uiva com vigor!

Obs.: O nome da atendente e da empresa foram suprimidos das imagens.

Honestidade Espírita

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Honestidade Espírita

O intento de toda pessoa que produz conteúdo para internet precisa, necessariamente, nascer do desejo de compartilhar informações e me sinto muito feliz em verificar que muito daquilo que produzi, quase sempre de forma amadora, embora com fundamentação doutrinária, atingiu muitas pessoas.

No entanto, existe algo profundamente irritante acontecendo: Pessoas que copiam meus conteúdos e divulgam sem citar a fonte. É o máximo da indecência intelectual espírita. Em um caso, o indivíduo copiou meu texto sobre o MEB e o divulgou como sendo de sua autoria. Não aguentei e protestei, ele corrigiu a autoria…

Minha língua coça, meus dedos ardem de vontade de dizer quem e onde. No entanto, tenho me esforçado para focar minhas produções naquilo que pode ser útil e, neste sentido, tenho tentado evitar polêmicas assim.

Por um lado, fico feliz. Um grande espírita, conhecido nacionalmente, que tem um canal no YouTube muito acessado, copiou um vídeo feito por mim (quase um ano antes dele o repostar em seu canal) e o divulgou sem qualquer citação ao meu canal e mesmo sem sequer citar as devidas referências do material que fiz questão de deixar na descrição do vídeo por não ser de minha autoria e como seu canal é bem visto, o vídeo teve quase quatro vezes mais visualizações do que no meu: ponto positivo para a doutrina, pois é isso que importa, no fim.

Por outro, senti-me bastante frustrado. Primeiro, por ser alguém que, vira e mexe, vive falando de honestidade no meio espírita (talvez ele tenha pensado que não haveria problema em copiar um simples vídeo de um canal pequeno). Segundo, por nem sequer fazer referência de onde, quando e como ele obteve essa informação, o que é um desrespeito para com aqueles que produziram o material original, mais de 40 anos atrás… Informação essa que eu próprio garimpei muito para achar, embora hoje esteja acessível.

A partir do momento em que disponibilizo conteúdo online, a minha vontade é que isso se espalhe como uma gripe. Que atinja o maior número de pessoas possíveis. Jamais embarguei qualquer reprodução de meus conteúdos online, no entanto, o mínimo que eticamente espero é que citem a fonte. Não precisam pedir minha autorização: está autorizado! Mas, por favor, valorizem o meu esforço citando de onde vocês estão pegando esses materiais!

 

Chico Xavier e a Revista Realidade

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Chico Xavier e a Revista Realidade

Resolvi pesquisar sobre um assunto que de vez em quando acabo topando, mas que nunca havia pesquisado com profundidade. Trata-se de uma tentativa de desmascarar a mediunidade de Chico Xavier feita pelo repórter José Hamilton Ribeiro.

A reportagem saiu na revista Realidade – Novembro, 1971. A reportagem, muito bem escrita, narra o acompanhamento do repórter durante uma visita aos trabalhos do Chico, inclusive, convidado para almoçar e acompanhar boa parte do dia do médium.

Na tentativa de emplacar um belo sucesso editorial – e ele conseguiu –  o repórter reinventa, embora modestamente, a tática que David Nasser e Jean Manzon tentaram, décadas atrás: criar uma mentirinha para desacreditar o médium.

Esses repórteres da então revista O Cruzeiro, publicaram uma matéria que depreciou muito a figura de Chico Xavier. Tecendo considerações nada respeitosas, coloridas entre elogios diretos e alfinetadas evidentes, leem-se palavras como: profeta e ingênuo.

Sugeriram, entrelinhas, que o Chico sabia um pouco de inglês, francês, que lia muito e que tinha uma porção de livros, como a justificar seu talento literário. Aliás, é curioso como tentam desqualificá-lo, enquanto médium, ao admitirem seu brilhantismo, enquanto autor multigênero. Vai entender…

Contudo, é importante dizer o seguinte: A educação daquela época privilegiava línguas estrangeiras. Meus avôs diziam ter estudado um pouco de Francês na escola pública. Então, qual o problema?

E nesse tiroteio, pró e contra o Chico, é curioso observar duas posturas antagônicas:dos espíritas que defendem Chico com unhas e dentes a dizer que não possuía livros, que quase não lia, que não tinha tempo para nada e dos críticos que sempre falavam sobre suas estantes cheias de livros, de sua excelente memória e de seu talento literário.

De minha parte, penso que a versão mais honesta é um misto dos dois: Chico trabalhava o dia todo, tinha muitas tarefas caritativas, psicografava horas intermináveis e no pouco tempo que lhe restava, lia. Em que isso pese como demérito?

Nasser a Manzon, a fim de não se denunciarem quanto às suas intenções, fingiram-se de estrangeiros, deram nomes falsos e conduziram a entrevista sobre o médium. Ao final, despediram-se e, antes de partirem, ganharam, cada um, um livro de presente. Foram embora absolutamente convictos de que o Chico era uma pessoa boa, mas no mínimo, desequilibrado mentalmente.

Algum tempo depois, eis que Manzon liga para o Nasser perguntando se ele havia lido a dedicatória que o Chico fez nos livros que ganharam. Ao saber que não, pediu que o fizesse. Lá, a surpresa: a dedicatória, assinada por Emmanuel, dava os nomes verdadeiros dos repórteres.

Confira na própria voz do Nasser:

Voltando à revista Realidade, José Hamilton resolve pedir uma orientação espiritual para um tal de Pedro Alcântara. No pedido, coloca também o endereço. O problema é que tal pessoa nunca existiu, nem o endereço.

Para surpresa do repórter, ele recebe uma orientação psicografada, dizendo o seguinte:

Junto dos amigos espirituais que lhe prestam auxílio, buscaremos cooperar espiritualmente em seu favor, Jesus nos abençoe”.

Ele ficou um pouco desapontado e ao final, termina a reportagem com uma frase enigmática:  O que pensar disso?

A matéria escrita por José Hamilton foi bem menos sensacionalista que a de David Nasser. Contudo, não escapou de dar umas alfinetadas bem maliciosas. Se ele quis inculcar a dúvida em seus leitores, conseguiu. Tão logo saiu a reportagem, várias pessoas começaram a dizer que o Chico foi pego em fraude, pois que psicografou uma mensagem de/ou para alguém que não existia.

Isso se tornou, desde então, repertório quase certo para quevedistas e antiespiritas. Contudo, ao se analisar a matéria por completo, percebe-se que o que houve não foi mais do que uma reedição do episódio ocorrido com David Nasser e Jean Manzon. A referida nota espiritual (não uma mensagem psicografada como se fosse o tal Pedro Alcântara ou para ele) provavelmente se referia ao próprio José Hamilton, um indicativo de que os espíritos o ajudariam, naquilo que pudessem.

Ora, se fosse uma psicografia de Pedro Alcântara ou uma carta de sua mãe, por exemplo, aí sim teríamos um belo problema e o Chico teria que se explicar. Entretanto, como visto, não se trata disso. Não é uma psicografia desse espírito nem para ele, é apenas uma breve nota espiritual para o repórter.

Esclarecido esse engano é preciso dizer que, conforme nos ensina Kardec, não há médiuns perfeitos. O próprio Chico, no livro, No Mundo de Chico Xavier, de Elias Barbosa, afirmou ter sido enganado mais de uma vez por espíritos.

É claro que, do ponto de vista materialista, qualquer erro em psicografia será visto como charlataria, pois não levam em consideração os problemas inerentes ao intercâmbio mediúnico e acham que se alguém é médium, não pode ser enganado e poderá, a qualquer momento, comunicar-se com espíritos.

Entretanto, do ponto de vista espírita, há muitos fatores. Temos que considerar a interferência natural do médium; a interferência no ambiente psicográfico; a presença e/ou comunicação de espíritos brincalhões e pseudosábios e, por fim, a mistificação e a obsessão.

Não há médiuns perfeitos e o Chico não era perfeito. Assim, vejo com muita reserva o ufanismo que hoje se levanta em memória de Chico Xavier, sempre o defendendo de uma forma que beira a idolatria e negando fatos hoje amplamente reconhecidos, como o de que ele sabia um pouco de Francês e Inglês e que possuía vários livros em sua coleção – como se fosse preciso negar essas coisas para justificar sua mediunidade – e, por outro lado, a má vontade dos antiespíritas que, à espera de qualquer brecha, atiram pedras sem maiores considerações.

Decepção com o forumespirita.net

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Decepção com o forumespirita.net

O forumespirita.net deve ser o maior site espírita da atualidade. Sobreviveu ao Orkut, ao Twitter e continua firme frente ao Facebook, ainda movimentando muitos debates por lá. Sem dúvida, não é apenas uma referência, como também ponto de encontro virtual entre espíritas.

Entretanto, é também o site onde tenho encontrado os maiores obstáculos na divulgação do meu trabalho, sempre visto como ameaça ou desconfiança. Até aí, natural: Já estou acostumado. Entretanto, nos últimos anos (e eu já participo lá há cinco), quase nada do que produzo (texto, vídeo, áudio), é aceito. É bom lembrar que sempre fui cordial nos meus comentários e sempre posto na categoria certa (para não ter desculpa) e, mesmo assim, sempre fui obstado. Cheguei, inclusive, a receber aviso de outros membros sobre isso:

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Eu já estava acostumado com a indiferença dos moderadores e com exclusão dos meus tópicos sem justificativa, o que fez até com que eu me afastasse e visitasse o site apenas às vezes. Porém, desta vez, estou surpreso. Não por ter tido mais um tópico excluído; Não! – desta vez, por ter recebido alguma justificativa. Bondosamente, o moderador me avisou em privado que postar vídeos de reuniões mediúnicas é contra as regras.

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Foi a gota d’água! Como assim, contra as regras? Incrivelmente, o trecho apontado das regras realmente proíbe “experiências mediúnicas próprias”, além de ser pouco fraterno em suas considerações.

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Até entendo que haja zelo e cuidado na realização de reuniões mediúnicas particulares… Mas, daí a simplesmente proibir a veiculação (e quantos espíritas, principalmente iniciantes, morrem de curiosidade em ver uma?), é algo totalmente sem sentido. Ainda mais se forem reuniões sérias, estruturadas e seguindo todos os parâmetros doutrinários, como foi a nossa. A impressão que tive é que, simplesmente, alguém decidiu que isso não deve ser publicado e, pronto, não é aceito. Não importa se é bom, produtivo e se pode ser instrutivo. Não deve, não será. Ponto.

Tal qual ocorreu em diversas comunidades do Orkut, em alguns grupos do Facebook, o forumespirita.net tem sua equipe e eles escolhem o que pode e o que não pode ser publicado segundo o gosto dos moderadores. Critérios esses que não têm a ver com a ordem e bom andamento dos debates. Tem a ver, simplesmente, com o gosto pessoal daqueles que tem o poder de clicar em “delete” e simplesmente apagar aquilo que não gostarem, ainda que seja doutrinário, reflexivo, crítico ou, simplesmente, um compartilhamento de uma experiência inesquecível.

Como diz o velho dito “os incomodados é que se retirem” e eu me incomodei, falei e estou me retirando.  Postei os prints que comprovam os avisos recebidos, mas resolvi não mostrar os nomes da pessoas: seria improdutivo. Forumespirita.net, apesar do seu amplo potencial, é um fórum que não permite a livre manifestação de ideias. Que pena…

Dr. Fritz – Deputado?

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dr-fritz-mauricio_fbsQuando criança, durante as propagandas eleitorais, divertia-me ver os candidatos e seus nomes engraçados.

Hoje já não acho graça. Hoje, quando vejo candidatos vestidos de palhaço ou com nomes bizarros, sinto profundo temor pelo futuro do nosso Brasil (e isso não quer dizer que eu prefira os engravatados). Eu não entendo de lei para saber por que se permite isso, já que, penso, os candidatos deviam usar apenas seus nomes, nada mais.

Em 2012, surpreendi-me ao saber que havia um candidato à vereador por Uberaba-MG, com o nome de “Dr. Fritz”. Após uma breve pesquisa, descobri que o candidato, na verdade, se chama Maurício Magalhães, um médium que afirma operar sob influência do espírito do Dr. Fritz (sim, mais um…). Não foi eleito, apesar dos 1624 votos recebidos.

Na época, indignou-me profundamente saber que um médium, espírita ou não, utilizou-se do nome do espírito com quem afirma trabalhar para poder se lançar à candidatura de um cargo político.

Bom, mas já que ele não foi eleito e isso foi em 2012, por que estou voltando a este assunto?

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Foto obtida no perfil do facebook do candidato

Desta vez, o candidato retorna ao cenário político pleiteando o cargo de Deputado Estadual por Minas Gerais e, novamente, evoca o nome do espírito como nome que aparecerá na urna durante a votação, embora, aparentemente, isso tenha ficado em segundo plano, já que na maioria das fotos do perfil do candidato no facebook o nome “Dr. Fritz” apareça em menor quantidade.

De qualquer forma, fica esta pequena manifestação em repúdio à atitude do candidato, tanto em 2012, quanto agora, em 2014, por associar o nome do espírito com quem afirma trabalhar ao seu enquanto candidato político.

Entendo que todo espírita possa se interessar por política e temos vários exemplos disso, como Bezerra de Menezes (Vereador e Deputado pelo Rio), Eurípedes Barsanulfo (Vereado em Sacramento-MG) e Caibar Schutel (Prefeito de Matão-SP), que não se utilizaram de elementos do Espiritismo para promoverem suas candidaturas.