Um recado do além

Histórico

No dia 21 de Agosto de 2014 estive presente, juntamente com a minha sogra e minha noiva, no Centro Espírita Irmãos da Luz1, em Uberaba-MG, para assistir às psicografias do médium Adão Vilela.

Soube do referido médium através de um testemunho pessoal divulgado numa lista fechada sobre estudos científicos do Espiritismo e muito me impressionei com a riqueza de detalhes das comunicações obtidas, especialmente por ter sido divulgada, em caráter pessoal, o ocorrido na família de um dos membros que sei não ser espírita.

Como moro em Uberaba, não assistir uma sessão estava fora de cogitação. Organizei-me da melhor forma possível para poder comparecer. Àquele tempo, as reuniões ocorriam apenas uma vez ao mês, sempre às quintas-feiras.

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(1) Este Centro também realiza sessões de Umbanda.

A Sessão

Para se tentar uma comunicação neste Centro, é necessário apenas o nome do falecido e a presença física do familiar que deseja a comunicação. Isso é pouco comum no meio espírita, que normalmente também exige a data de nascimento, falecimento e grau de parentesco com o falecido.

As pessoas que desejam uma comunicação precisam chegar entre 18h00min e 19h00min. A sessão é programada para começar às 19h00min, em ponto. Atrasei-me e não pude acompanhar os momentos que antecederam o início das psicografias.

Cheguei ao Centro exatamente às 19h30min e, por sorte, a sessão não havia começado. Havia em torno de 40 cadeiras e a única disponível foi a que minha noiva havia guardado para mim. No instante em que cheguei, os demais trabalhadores do grupo estavam aplicando passes nos frequentadores, enquanto o médium se ajeitava na cadeira, organizava as folhas, lápis e tentava se concentrar.

Ao contrário do que também ocorre nas sessões de psicografia, não havia palestras durante a sessão. Todos deviam permanecer em silêncio para que a psicografia não fosse interrompida, tendo ao fundo somente música instrumental executada por um notebook em cima de um pequeno toco de madeira, num canto da parede.

 O médium sentou-se na extremidade de uma pequena mesa tendo ao seu lado uma senhora que o ajudava a trocar a folha sempre que ela era preenchida. Havia sobre a mesa um maço extenso de folhas do tipo A4 e dezenas de lápis de escrever. O médium escrevia muito rapidamente, em letras grandes e escarranchadas. Quando chegava ao término, erguia o braço, a folha era trocada e iniciava-se nova escrita. Tudo isso com a clássica pose imortalizada por Chico Xavier: Mão esquerda tapando os olhos, cotovelo esquerdo apoiado sobre a mesa, braço direito célere.

A cada comunicação, percebia-se também algo pouco típico: o transe parecia se interromper. Ao fim de cada carta, o médium abria os olhos, esticava-se, estralavam os dedos, bebia um pouco d’água. Novo transe, nova carta, novo intervalo. E foi assim que em silêncio quase absoluto, assisti ao médium psicografar com muita rapidez as comunicações da noite.

Sentei-me na primeira fila e estava há pouco mais de três metros do médium. Pude observá-lo atentamente e não vi nenhum elemento que pudesse induzir à fraude durante a escrita. Apenas durante as pausas, novos copos com água eram postos, já que ele praticamente os secava a cada interrupção.

Revisão

Outro fato curioso e pouco típico nas psicografias que já assisti, foram as revisões. Ao término do recebimento das cartas, o médium avisou que faria uma revisão da escrita e que dentro de vinte minutos iria lê-las (soube, posteriormente, pela minha noiva, que antes do início da sessão a equipe do Centro perguntou aos presentes se concordariam que as cartas fossem lidas e filmadas por um celular), o médium pede novo silêncio, todos aguardam. Alguma vez, quando escapa algum cochicho dos presentes, em tom firme, pede silêncio. Algumas pessoas levantam-se e vão para fora.

Eu não me levantei. Não perdi de vista o médium. Neste intervalo, eventualmente, a senhora que o ajudava virando as folhas também o ajudava na “tradução” de algumas palavras que ele não havia entendido. Não ficou claro se esta revisão se deu mediunizado ou não.

Algumas palavras não estavam muito claras e o médium não tinha certeza sobre o significado correto, então, as reescrevia à caneta, em baixo da escrita à lápis, às vezes, colocando pontos de interrogação acima, entre parênteses, indicando que não estava bem certo sobre o significado do que foi escrito. O processo durou cerca de trinta minutos e, após concluir as revisões, iniciou-se a leitura das comunicações recebidas.

As comunicações

Foram cerca de seis ou sete cartas recebidas. Todas filmadas por uma integrante da equipe que depois disponibilizou algumas na página do Centro. Entre elas, destaca-se a carta de Camila Morales dos Santos, incrivelmente recheada de detalhes e informações precisas que serão, inclusive, objeto de pesquisa científica (em breve, novidades)…

Praticamente todas as cartas recebidas pelo médium foram muito precisas, citando nomes de familiares, apelidos, ocorrências do cotidiano e outros fatos bastante particulares dos comunicantes, cujo vazamento de informações parece, no mínimo, altamente improvável. Inegavelmente, convincente.

O recado

Finda a leitura, eis que o médium anuncia ter alguns recados a dar, destacando que não são mensagens, como as anteriores, mas simples notícias dos familiares desencarnados. No momento, imaginei que esses recados haviam sido recebidos na presente sessão, já que ele psicografou por mais de uma hora.

Posteriormente, porém, soube que eles foram recebidos durante a semana, em outras sessões no Centro, o que diminui a força do caso, enquanto situação comprobatória, pois permite vazamento de informações, mas que não diminui o impacto emocional, frente aos que já aceitam as comunicações com os espíritos de familiares e, especialmente, aos que puderam, como eu, assistir pessoalmente às demais psicografias.

Esses recados consistiam em uma ou duas páginas, trazendo notas breve, sobre os espíritos que não puderam da vez anterior se comunicar. Foram intermediados pelo espírito Ismael Alonso Y Alonso, que exerce algum tipo de chefia na organização das psicografias, sendo o responsável por repassar as informações sobre os parentes, aos familiares. Assim, não são os próprios espíritos que se comunicam, mas este que repassa ao médium o recado que deve ser endereçado à família.

A minha sogra recebeu o seguinte recado:

“Querida Aparecida Donizetti, o José Joaquim, a Argentina Maria de Oliveira e o Bolívar, estão aqui. O amigo pede para ser feita uma oração a ele nos dias 22 de Outubro e 21 de Novembro. Que Jesus a abençoe sempre. Dr. Alonso Y Alonso”.

Detalhamento

  1. Aparecida Donizetti Ferreira é minha sogra e a solicitante da comunicação;
  2. José Joaquim Ferreira é avô de Aparecida, desencarnado há várias décadas;
  3. Argentina Maria de Oliveira é avó da minha sogra, desencarnada desde o fim da década de 1990;
  4. Bolívar José Ferreira é pai da minha sogra e quem se pretendia a comunicação;
  5. 22 de Outubro é a data de nascimento de Bolívar;
  6. 21 e Novembro é a data de falecimento de Bolívar.

Nota1: Na psicografia, percebe-se que o médium não tinha certeza se o nome escrito era mesmo “José Joaquim”. Ele coloca um ponto de interrogação após a correção à caneta feita por ele mesmo. O nome estava correto e essa informação não foi passada ao médium nem aos demais membros do Centro.

Nota2: Percebe-se que na grafia do nome “Argentina” o médium interpreta como sendo “Augusta”, colocando um ponto de interrogação sobre a correção feita à caneta por ele. Ressalta-se que o restante do nome “Maria de Oliveira” estava absolutamente correto e que “Argentina” é um nome feminino pouco comum no Brasil, o que explica sua dúvida em relação à escrita do mesmo. Essa informação não foi passada ao médium nem aos demais membros do Centro.

Nota3: As datas de nascimento e falecimento de Bolívar não eram de conhecimento do médium ou da equipe. Quando recebeu este recado, minha sogra ficou em dúvida sobre o significado da data “21 de Novembro”, pois tinha convicção de que seu pai havia desencarnado em 23 de Novembro. Só depois de chegar em casa e consultar os papéis do sepultamento é que confirmou que sua recordação estava equivocada e que a data de falecimento de seu pai foi mesmo 21 de Novembro, algo que ela própria havia se esquecido e que foi psicografado corretamente.

Conclusão

Embora não se possa ver neste caso um elemento comprobatório forte de comunicação espiritual do ponto de vista acadêmico, levando-se em consideração o testemunho legítimo da minha sogra e noiva, juntamente com a documentação em anexo, somado às minhas próprias observações das demais psicografias recebidas na sessão, reação emocional dos parentes ao receberam as cartas e testemunhos posteriores da veracidade das informações nelas contidas, concluo que esta comunicação é absolutamente legítima e que se não é forte o suficiente para atender aos critérios mais exigentes da pesquisa acadêmica, é pelo menos consistente para os parâmetros espíritas, levando-se em conta que o material foi produzido numa sessão pública e não previamente preparado para uma pesquisa acadêmica.

 Anexos

img109
Primeira parte do recado recebido
img110
Segunda parte do recado recebido
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Guia de sepultamento com os dados das pessoas falecidas citadas no recado

 

9 comentários sobre “Um recado do além

    • É realmente muito interessante e tocante. Convenci minha mãe a ir, nesta sexta-feira, tentar um contato com os meus avôs. Quem sabe, daqui um tempo, eu retorno com uma análise familiar.

  1. Leonardo meu genro querido, gostaria apenas de fazer um adendo, pedi apenas uma vez e não duas a mensagem do meu pai. Sua matéria ficou excelente!

  2. Oi Leonardo! Que bom que vc compartilhou essa experiência com a gente. Deve ser surpreendente acompanhar essas psicografias de perto. Entretanto, as informações que sua sogra recebeu no recado, são as mesmas contidas no guia de sepultamento do pai dela, cujo nome foi dado ao centro espírita na tentativa de obter a psicografia. Você acha que isso tira a confiabilidade do recado? Há alguma forma de se ter acesso a esse tipo de documento de falecidos? Obrigada!

    • Grato pelo comentário, Izabel. Eu tive a felicidade de acompanhar bem no começo da minha jornada espírita as psicografias do Celso de Almeida, que eram tão boas quanto essas, então eu já sabia qual é o gostinho de ver, frente-a-frente, um contato tão cheio de detalhes.

      Sobre o que você me pergunta, é possível. A mensagem foi obtida fora da sessão e isso sem dúvida dá margem à questionamentos. Eu imagino que esse tipo de documento fique arquivado em algum setor público, mas não imagino que seja fácil obtê-lo. Considerando que houveram cinco ou seis recados, fora as psicografias, teríamos que pensar num esforço realmente muito grande por parte do médium e de algum tipo de parceria dele com alguém que pudesse obter essas informações. Considere, ainda, que grande parte das psicografias e recados são de pessoas que não moram em Uberaba.

      Então, metodologicamente falando, eu considero a possibilidade desse tipo de fraude. Mas, no montante em geral, especialmente com base na minha experiência pessoal, isso me parece praticamente impossível. Amanhã minha mãe irá tentar uma comunicação neste centro, quem sabe, em breve, eu retorno com mais um recado.

Ao longo dos anos, percebemos que responder aos contraditores, quase sempre munidos de paixão pessoal, nos custava tempo e energia que poderiam ser aplicados em algo mais útil. Por essa razão, não respondemos ataques. Ofensas serão deletadas.

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