Diário de um médium iniciante

Este é um livro simples onde descrevo o meu processo de desenvolvimento mediúnico. Não se trata de um livro teórico sobre mediunidade, mas um livro descritivo de todo o processo. O que senti, como foi, quais as minhas impressões, como foi a minha primeira incorporação, etc.

Toda segunda-feira liberarei dois capítulos no blog: http://diariomediunico.blogspot.com.br/ – Se você gostar, por favor, divulgue!

Desde muito jovem interessei-me pelo assunto da mediunidade. Lembro-me de, aos 17 anos, ir à livraria de um Centro Espírita e pedir um exemplar de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec.

A vendedora, uma senhora de meia idade, olhou-me com carinho e me recomendou outra leitura, dizendo que o livro que desejava não era para minha idade. Eu deveria ler outros, mais “leves”.

No entanto, insisti.

Havia acabado de ler O Livro dos Espíritos e queria acompanhar a seqüência natural. Depois de muita relutância, terminou por vender-me o precioso livro. Li-o com interesse voraz nas férias da família, na praia.

Venho de família sem-religião, embora cada um cresse em Deus à sua maneira. Assuntos religiosos não eram comuns em nossa casa. Não que fossem proibidos, apenas não conversávamos muito sobre isso.

Exceto por um tio-avô distante cujo contato durante a vida somou-se nos dedos de uma mão, eu era o primeiro a me assumir espírita. Tinha exatos 17 anos de idade e comecei a ler vorazmente. Desejava saber tudo que fosse possível sobre Espiritismo.

Aos 18 anos cai num processo obsessivo que me perturbou o sono em barulhos estranhos durante a noite… Vozes que pareciam me chamar ou rir de mim. Estranha sensação de estar sendo observado o tempo todo… Vultos que me apreciam e sumiam antes que pudesse divisá-los com clareza, etc.

E se não fosse a intercessão amiga recebida no mesmo centro onde adquiri o livro, talvez tivesse caído em absoluta prostração.

O tempo passou e exceto por uma ou outra experiência sutil o suficiente para me deixar confuso se era real ou fruto da imaginação, eu nada mais tive.

Mergulhei mais fundo ainda nos estudos, o que me levou a um estado de crítica sobre o Movimento Espírita que simplesmente me paralisou qualquer esforço perseverante no bem.

Alguns anos se passaram e me mantive distanciado dos trabalhos em centro espírita. Freqüentava apenas eventualmente, algumas vezes ao ano. Permanecia isolado em minha fé…

Mas, os ventos do destino sopram alheios à nossa vontade e acabei me interessando pela prática mediúnica na Umbanda no momento em que conheci médium Adão Netto, médium de aprimorado dom e que, além da escrita mediúnica, também incorporava pretos-velhos, caboclos, etc.

Tive ímpeto de acompanhar mais de perto os trabalhos que se realizavam na Casa de Caridade Irmãos de Luz, em Uberaba – MG e munido de uma coragem vinda não sei de onde, propus à entidade chefe o meu intento de pesquisar sobre a mediunidade na Umbanda. Para minha surpresa, fui recebido de braços abertos.

A partir de então, em cada gira (nome dado às sessões), comparecia com um caderno e tinha certa liberdade para transitar e fazer as anotações que quisesse.

Observei tudo: as reações corporais dos médiuns durante o transe, a alteração no timbre da voz, os movimentos do corpo, a forma de trabalho da entidade, seu ponto riscado, etc. Se não bastasse, as próprias entidades se propuseram a responder minhas perguntas e, desde então, tive o prazer de conversar dezenas de horas com pretos-velhos, ciganos e exus sobre todos os mistérios da Umbanda.

Pouco tempo depois, um convite: se desejasse, iria ser cambone (pessoa encarregada de auxiliar a entidade incorporada) em todos os trabalhos. Aceitei de pronto. Vesti-me de branco, o que causou muita estranheza e zombaria de alguns amigos e mesmo das entidades que me tachavam de “pesquisador” ou “cabeçudo”.

Mergulhei sinceramente no trabalho. Auxiliava em tudo. Preocupava-me, por vezes, mais que o próprio médium no preparo dos elementos de trabalho de suas entidades. Acompanhava com vivo interesse cada atendimento, cada palavra amiga que as entidades ofereciam aos consulentes.

Em fevereiro de 2015, um dos guias-chefes da casa, Pai Cipriano das Almas, me ofereceu a oportunidade do desenvolvimento mediúnico. Se quisesse, iria desenvolver a minha sensibilidade, isto é, a capacidade de perceber os espíritos. Para alguém que sempre se interessou em mediunidade, isso era o santo graal.

A partir de então, a mediunidade despontou-se como um iceberg no horizonte de um mar tranqüilo. Uma transformação inimaginável operou-se em minhas percepções de modo que, ao recordar tudo que passou, chego mesmo a ficar sem palavras…

Assim, amigo leitor, de agora em diante, você acompanhará a minha experiência pessoal no desenvolvimento da mediunidade sensitiva e de incorporação. Narrarei com o máximo possível de detalhes tudo que me aconteceu, como aconteceu, o que senti, quanto tempo durou, etc e, na segunda parte do livro, ofereço opiniões sobre diversos assuntos que direta ou indiretamente tocam a mediunidade.

Quero apresentar um quadro vivo das minhas experiências, na esperança de ajudar outros médiuns que estejam em desenvolvimento ou que pretendam se iniciar.
Não desejo oferecer explicações técnicas ou teóricas da mediunidade. Existem muitos livros sobre isso. Desejo apenas oferecer o relato verídico da minha experiência pessoal.

Vamos lá?

2 comentários sobre “Diário de um médium iniciante

  1. Olá eu tenho 13 anos e está a acontecer comigo eu estou a tentar aprender mais sobre isto eu sinto presenças,sinto espíritos a tocarem me,eu consigo ver as sombras deles e eu penso que estou a ficar maluca mas depois lembro-me que é real
    Eu só preciso de ajuda por favor

    • Olá, Mary.

      A mediunidade pode despertar em qualquer pessoa, independente da idade. Como você é muito nova, sugiro que você converse com seus pais sobre isso e peça para que possam te levar para um Centro Espírita (que é mais fácil de achar em Portugal). Sem dúvida, lá eles te orientarão sobre o que fazer. Até que isso ocorra, lembre-se da importância da oração. Da oração com fé, amor, com sinceridade. Quando o pensamento está no bem, todo o mal se afasta.

Ao longo dos anos, percebemos que responder aos contraditores, quase sempre munidos de paixão pessoal, nos custava tempo e energia que poderiam ser aplicados em algo mais útil. Por essa razão, não respondemos ataques. Ofensas serão deletadas.

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