Você produz conteúdo sobre Umbanda?

internetDesde o seu nascimento até meados da década de 1930, os terreiros de Umbanda sofreram com a opressão da polícia e com as constantes pregações negativas da Igreja Católica.

Após a década de 30, embora não totalmente, as perseguições policiais foram deixadas de lado. Porém, levaria ainda quase 40 anos para que as missivas negativas da Igreja de Roma perdessem força, como podemos ver nas reportagens de “O Semanário”, do Rio de Janeiro, no ano de 1958.

Em algum momento, contudo, a Igreja Católica começa a deixar a Umbanda de lado e, em seu lugar, outra toma essa luta desmoralizante, de forma mais áspera, rude e desleal.

Desde o início da década de 1970 e com a explosão das Igrejas Neo-Pentencostais (e eu não quero generalizar, mas é um fato), a Umbanda tem sido difamada de forma tão feroz que, no imaginário popular, está totalmente desfigurada.

Não são raros os testemunhos nessas igrejas de pessoas que eram “da macumba” e que agora são “de Jesus”. Pessoas que diziam pertencer a Umbanda e que narram aos fiéis de olhos esbugalhados uma série de tolices e inverdades com poder de penetrar-lhes a mente, ouvido a baixo.

 Ainda hoje podemos ver nos programas televisivos madrugada adentro testemunhos desse tipo ou cenas de “exorcismo” onde se manifestariam demônios dizendo-se exus ou pombagiras, quando não pretos-velhos ou caboclos…

Isso sem contar os casos de depredação de terreiros que frequentemente são filmados e disponibilizados no facebook ou no youtube, como triunfo de vitória em nome de um Jesus que jamais ensinou ninguém a hostilizar seu próximo…

Eis, então, um fato notório: Após décadas de pregações nocivas contra a Umbanda, o imaginário popular se consolidou de forma bem efetiva, vendo a Umbanda como uma religião ligada a demônios e sujeita a quaisquer tipos de maldades… E, como sabemos, nada mais longe da verdade do que isso.

Eis, então, o que proponho: façamos uso das ferramentas ao nosso dispor para informar as pessoas, especialmente aos leigos, sobre o que de fato é Umbanda e do quão são falsas essas acusações e testemunhos que tentam (e quase sempre conseguem), transformar uma religião de amor e caridade em algo demoníaco e desprezível.

Não digo para discutir, afrontar, nem mesmo para debater… Ao longo dos anos, e depois de inúmeros debates, percebi que discutir, quase sempre é perda de tempo e energia, sendo melhor apenas expor, deixando a cada a sua interpretação, entendimento, aceitação ou negação.

Não podemos esperar surgirem grandes lideranças com poderes midiáticos para começar a mudar esse cenário. Não podemos esperar sermos convidados para um programa de rádio ou de televisão em que tenhamos à nosso favor tempo de sobra para esclarecer…

Hoje, temos um valioso recurso que nossos combatentes de ontem não tinham: a internet. Qualquer um pode montar um site, uma página no facebook (como esta, em homenagem ao espírito que me orienta em meus estudos espirituais), criar um grupo de WhatsApp, um canal no Youtube ou, simplesmente, usar seu próprio perfil para compartilhar textos ou gravar vídeos com seu smartphone sobre temas da Umbanda.

Segundo o censo, somos quase 500 mil vozes Umbandistas no Brasil. Se apenas 1% dessas pessoas criassem conteúdos próprios e começassem a compartilhá-lo pela imensa internet, estou bastante certo de que alcançaríamos muito gente.

Aliás, recentemente tive uma experiência nesse sentido. Fiz um pequeno vídeo sobre Exus na Umbanda, compartilhei entre os grupos que conheço e em pouco menos de uma semana ele já tinha 7,5 mil visualizações!

Se apenas cinco mil pessoas começassem a produzir seus próprios vídeos, podemos imaginar algo acima de 300 mil visualizações semanais, mais de um milhão de visualizações mensais e mais de 12 milhões ao longo de um ano!

Mas, talvez você se pergunte, será que vale a pena? Será que vale a pena me expor dessa forma? Sem dúvida, é algo a se pensar. Mas, eu diria: se a Umbanda te faz bem, se você já conseguiu receber um conselho, uma orientação ou, quem sabe, uma cura para uma enfermidade, isso já não vale sua exposição?

Não estamos no tempo da inquisição… Ninguém será levado à fogueira ou terá que pagar com seu sangue… A única coisa que precisamos é de coragem.

Você topa?

 

 

DESOBSESSÃO SEM MÉDIUNS

centroPode parecer estranho para quem não conhece os Centros Espíritas, mas é fato que nem todo centro possui médiuns. Isso por que, para ser espírita, basta aceitar o Espiritismo. Não é necessário ter dons mediúnicos para ser espírita ou para trabalhar em um Centro Espírita.

Assim, centenas de centros não possuem um médium sequer. Geralmente, são casas pequenas que trabalham com palestras, passes (não precisa ser médium para dar passe), algum tipo de atividade caritativa, etc.

Contudo, o que muitos não sabem, é que mesmo sem médiuns eles podem fazer uma sessão de desobsessão. Aliás, antes de entrar no assunto, uma reflexão.

Os espíritos tem nos dito que o trabalho de desobsessão é de suma importância e que, infelizmente, a cada dia, tem se tornado mais raro, seja nas casas espíritas e, mais ainda, nos terreiros de Umbanda (inicialmente, a Umbanda começou por ser uma sessão de desobsessão orientada por pretos-velhos e caboclos).

É através da desobsessão que entidades desorientadas, sofredoras, perversas, terão a oportunidade de se manifestar, falar, serem ouvidas e aconselhadas no melhor proceder com base nos Evangelhos.

Quando uma pessoa procura um centro para tomar passes, assistir uma palestra, buscar uma orientação e está sob influência espiritual, é bastante provável que a entidade que a atormenta será levada para a desobsessão. Assim, a pessoa consegue a força moral que procura com as pessoas do centro, ao passo que a espiritualidade atuará diretamente na entidade que a perturba.

Mas, sem a desobsessão, que anda se escasseando, é sempre mais difícil a atuação espiritual. Com frequência, a entidade obsessora vibra tão baixo que é incapaz de enxergar os mentores querendo lhe orientar. É quando se faz necessária a matéria. O obsessor pode não enxergar os guias, mas é capaz de enxergar os encarnados.

Sem dúvida, o ideal seria contar com médiuns de incorporação, onde a entidade pudesse se manifestar e servir-se do corpo do mesmo para se expressar (aliás, o próprio fluido vital do médium é de grande ajuda na atenuação momentânea das dores sofridas). Mas, em não havendo médiuns disponíveis, é possível realizar uma sessão.

Foi o que nos ensinou o Pai Cipriano, nos dizendo o seguinte:

1. Deve-se escolher um dia e horário fixo, com duração média de uma hora, semanalmente, para a realização da sessão;

2. Coloca-se uma mesa no recinto e todos os participantes devem sentar-se em volta. Um pequeno aparelho de som com música instrumental suave e baixa pode ser usado para harmonizar o ambiente. As luzes devem ser apagadas e deve-se deixar uma pequena luz vermelha, para que a iluminação seja fraca. Pode-se colocar um bocal de lâmpada fixado à parede, para facilitar a leitura, pois a iluminação será bem fraca;

3. Coloca-se água para fluidificar em outro local, que não seja a mesa e, preferencialmente, numa jarra com tampa;

4. Faz-se a prece inicial;

5. Pede-se para que todos mantenham a concentração no propósito de auxiliar os que sofrem, recorrendo a prece sincera;

6. O coordenador escolherá cinco tópicos para reflexão por sessão, como por exemplo: assassinato, suicídio, ódio, obsessão e fé. A cada sessão ele pode escolher novos tópicos e anunciará em voz alta o tópico a ser lido, aguardando de um a dois minutos antes de iniciar;

7. Então, fará a leitura de textos evangélicos contendo esses assuntos e, em seguida, fará um breve comentário sobre o tema, em torno de dez minutos (se a intuição mandar estender ou encurtar um tema, obedeça, são os guias da casa orientando);

8. Se houver alguma pessoa na mesa capacitada para comentar, poderá ceder a palavra;

9. Todos devem estar mentalmente ligados ao assunto em questão com a máxima atenção e concentração;

10. Se uma ou outra pessoa sentir um sono repentino que lhe provoque bocejos, não deve se assustar. É a retirada de energia, é normal. Se vier a sentir arrepios, angústia, emoções conflituosas, também não deve estranhar, é a aproximação das entidades. Nestes casos, basta recorrer à prece;

11. Abordado os dez minutos de cada tema e aguardando o intervalo de entrada para cada um deles, ao final restará um ou dois minutos que deve ser dedicado a uma prece geral desejando paz e amor aos presentes encarnados e desencarnados;

12. Pede-se que duas ou três pessoas que estejam acostumadas a trabalhar com passes e que estejam se sentindo bem, que os dê em todos. Bebe-se a água fluidificada e está encerrada a sessão.

É de suma importância que seja mantida a mesma equipe. Por isso, devem-se escolher a dedo os participantes. Que sejam pessoas honestas, boas, sinceramente empenhadas em sua melhora espiritual e sem preguiça para atender as dores do próximo.

A espiritualidade da casa se encarregará de selecionar os espíritos e a cada nova leitura, eles trarão para perto da mesa os que necessitam ouvir sobre tal tema, o que eleva exponencialmente a importância daquilo que se comenta no momento.

De fato, as pessoas não saberão se as entidades presentes aceitarão o que está sendo dito ou se elas melhorarão com o tempo. Mas, isso não importa. Se o trabalho for feito como descrito, ele produzirá efeito.

Registramos, assim, esses ensinos, na esperança de que ele se espalhe pela internet e alcance pessoas que se enquadrem no exemplo descrito e que possam levar essas ideias às suas casas espíritas, terreiros, templos espiritualistas, pois o socorro espiritual aos infelizes é cada vez mais necessário.