Retrospectiva e mudanças

mudança  Uma das frases que mais me marcaram, embora simplória, é: Tudo tem começo, meio e fim. Esse pensamento sempre circula pela minha cabeça em momentos de mudança.

2014 foi um ano incrível. Foi o ano em que mais trabalhei, que mais ganhei dinheiro, que mais gastei dinheiro, que mais me esforcei na faculdade e também o mais significativo, espiritualmente.

Em Janeiro este blog completará dois anos. Dois anos em que, intensamente, produzi conteúdo para ele. No meio do percurso, tentei algumas mudanças: podcast, canal no youtube, mudança de plataforma, etc. Algumas coisas deram certo, outras não.

Infelizmente, desde que mudei o site para uma plataforma paga, onde pude usar um designer (theme) mais sofisticado, o mesmo tem recebido ataques constantemente.

Na primeira vez, conseguiram invadir. Não fizeram nada de mal, apenas me atrapalharam um pouco a vida, deixando uma “fraternal” mensagem de segurança dizendo que o site não era seguro.

Consertei as falhas, instalei plugins de segurança e, mesmo assim, os ataques não cessaram. Como podem ver abaixo, somente hoje (30/12) foram 46 tentativas de acesso por “força bruta”. Os plugins de segurança felizmente barraram, mas até quando suportarão?

ataque

Em vista dessa ameaça constante, resolvi voltar o blog para sua hospedagem nativa, no wordpress.com que, embora modesta, nunca sofreu ataques. Aliás, o sistema de proteção do wordpress.com é muito bom e para acessar o site, além de saber meu usuário e senha, é preciso saber um código novo gerado automaticamente e enviado para meu celular. Ou seja, para tentar entrar no site, o hacker precisa além dos dados citados, roubar meu celular…

É incrível pensar que um site tão modesto quanto o estudoespirita que trata de Espiritismo – uma doutrina tão pacífica – sofra tantos ataques. Será que incomodei alguém? Não sei.

Só de pensar que um desocupado desses possa invadir o site e deletar o conteúdo, minha espinha gela. É por essa razão que voltei seu conteúdo para o wordpress.com, onde posso dormir sossegado…

Dito isso, preciso dizer que me esforcei muito nesses dois anos para produzir conteúdo espírita de qualidade, embora com recursos tecnológicos amadores. Eu hoje tenho satisfação em observar o que produzi e pensar que consegui estabelecer uma boa base para o iniciante no Espiritismo.

Foram mais de 30 mil visitas ao blog e mais de 40 mil no canal do Youtube, fora os mais de 350 amigos do facebook e os 250 posts deste blog. O iniciante no Espiritismo que acessar este blog encontrará um bom material de apoio.

Claro que nunca tive a pretensão de fazer um abecedário espírita, mas um espaço virtual que possa servir de auxílio aos que estejam começando. Sinto que cumpri.

Hoje, porém, tenho novos desafios. Tenho a possibilidade de estudar in loco alguns fenômenos mediúnicos. Tais possibilidades tem me feito pensar a muito sobre minha atuação na internet (tente imaginar moderar uma comunidade no Vk.com outra no facebook com mais 88 mil membros, produzir conteúdo para o blog, alimentar a página do facebook e ainda produzir vídeos) – cheguei a inevitável conclusão de que, para ser produtiva minha experiência prática, eu preciso forçosamente diminuir meu acesso à rede.

Por esta razão, este blog/página/canal passará por um processo, talvez definitivo, de sonolência de conteúdo. Não vou parar de postar, mas vou diminuir bastante a produção de conteúdo. Eventualmente, novas publicações aparecerão.

Entretanto, não penso encerrar de toda minha participação virtual. As possibilidades mediúnicas a qual me referi não se passarão somente dentro do âmbito do Espiritismo, mas também da Umbanda e do Esoterismo em geral. Sinto que cheguei a um momento em que preciso estudar as formas de manifestação mediúnica (antigo sonho) independente de bandeira religiosa.

Por essa razão, este site passará a se chamar: Estudo Espiritualista e, sem endereço, será: http://www.estudoespiritualista.org – onde vou postar, gradativamente, os frutos da minha pesquisa.

Desde já, meu muito obrigado aos que acompanharam e divulgaram este blog desde o início e minhas boas-vindas àqueles que estão visitando pela primeira vez. Por favor: desfrutem do seu conteúdo.

Os que quiserem falar comigo, poderão me encontrar pelo email: montes.psico@gmail.com

Felicidades!

Um caso de preconceito espírita

Quando lemos em Obras Póstumas que no dia 9 de Outubro de 1861, em Barcelona – Espanha, o Bispo Antonio Palau Termes, sob a alegação de que “A Igreja católica é universal, e os livros, sendo contrários à  católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outros países“, apreende na alfândega mais de 300 livros espíritas, dentre ele várias obras de Kardec e as manda queimar em praça pública, pensamos: Meu Deus! Como o preconceito pode gerar um comportamento tão ignorante!

Cento e cinquenta e três anos se passaram. O mundo mudou bastante, o preconceito contra o Espiritismo caiu vertiginosamente. Porém, ainda não desapareceu. Ainda vemos, sem grande esforço, situações em que pessoas preconceituosas, eivadas de sentimentos confusos e estranhos, colocam barreiras à Doutrina. Eu vivi isso hoje.

Havia encontrado um site que produz vinhetas profissionais para rádio (anúncios, propagandas, etc) e enviei um email solicitando um orçamento, conforme se pode ver abaixo:

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Como se pode ver, os textos são bastante simples e não há nada neles que pudesse provocar algum tipo de restrição nos locutores. Entretanto, recebi como resposta o seguinte:

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Bastante surpreso com essa resposta, que me pareceu caridosamente mentirosa, respondi da seguinte forma:

3

A empresa anuncia em seu catálogo em torno de 20 locutores, homens e mulheres, disponibilizando, inclusive, uma pequena amostra de seus trabalhos. Seria de se admirar que, dentre esses 20 locutores (que são freelancers, diga-se) não houvesse sequer um que aceitasse gravar sobre o Espiritismo? Todos eles se negariam a gravar por motivos religiosos? Ou será que alguém nesta empresa é que não quer gravar sobre o Espiritismo, transferindo a responsabilidade para os locutores?

Seja como for, o interessante é que no site da referida empresa não há nenhuma restrição sobre temas a serem gravados. Eu realmente me senti irritado com essa resposta, que me pareceu uma afronta, tanto pelo preconceito embutido como pela resposta ingênua, pois imaginava que posturas assim, ainda mais no campo comercial, já tivessem desaparecido há tempos. Entretanto, eis que o espírito de separação presente em nossa sociedade ainda vive e uiva com vigor!

Obs.: O nome da atendente e da empresa foram suprimidos das imagens.

Atendimento espiritual pelo passe

Interessantíssima entrevista de Marta Antunes que fala sobre seu livro “O atendimento espiritual pelo passe“, editado pela FEB.

Sinopse do livro:

“Para a Doutrina Espírita, o passe é uma verdadeira transmissão de energias fluídicas, auxiliada pela assistência de Espíritos superiores. Por este motivo, o passe é relacionado com frequência ao processo de cura, seja ela física ou espiritual. Como o simples gesto do passe pode distribuir vibrações tão profundas a ponto de recuperar o equilíbrio de um Espírito? O que é preciso para transmitir boas energias aos próximos mais necessitados? Qualquer pessoa pode ministrar o passe?

O Atendimento espiritual pelo passe é obra que esclarece dúvidas e curiosidades sobre as ações que envolvem o mecanismo e a prática do passe, a existência dos fluidos vitais e universais, as energias magnéticas e curadoras, a influência da prece e do pensamento na recuperação dos Espíritos sofredores, e as irradiações mentais, benefícios e finalidades da transmissão do passe.”

Revista em Revista #1 – As fases do Espiritismo

Vamos iniciar hoje um novo podcast no site: Revista em Revista, cujo tema é:reavaliando, revisando e redescobrindo a Revista Espírita, de Allan Kardec. O objetivo principal desse podcast é produzir um debate analítico a partir de algum tema da Revista Espírita editada por Kardec de 1858 à 1869, incentivando, assim, que os espíritas iniciantes possam ter contato com esses materiais (infelizmente, pouco estudados no movimento), produzindo, assim, uma melhor compreensão do Espiritismo.

Este programa será uma gravação mensal, preferencialmente, indo ao ar nos primeiros dias de casa mês.

O tema de hoje é: Período de luta, artigo publicado na Revista Espírita de 1863, mês de Dezembro.

Sinopse:

Os seis períodos de estabelecimento do Espiritismo: o da curiosidade, o filosófico, o da luta, o religioso, o intermediário e finalmente o da regeneração social:

  1. O primeiro período do Espiritismo, caracterizado pelas mesas girantes, foi o da curiosidade.
  2. O segundo foi o período filosófico, marcado pelo aparecimento de O Livro dos Espíritos.
  3. Quando o viram crescer, a despeito de tudo, propagar-se em todas as fileiras da sociedade e em todas as partes do mundo, tomar o seu lugar entre as crenças (…) então uma verdadeira cruzada foi dirigida contra ele, dando início aoperíodo da luta, de que o auto-de-fé de Barcelona, de 9 de outubro de 1861, de certo modo foi o sinal.
  4. A luta determinará uma nova fase do Espiritismo e levará ao quarto período, que será o período religioso.
  5. Depois virá o quinto, período intermediário.
  6. O sexto e último período será o da regeneração social.

Ficou curioso? Aperte o play e descubra!

Falando de mediunidade com crianças

Muitos grupos espíritas nas tarefas de Evangelização deixam de lado as questões “técnicas” do Espiritismo. Entendem que assuntos mais profundos, como mediunidade, obsessão, reencarnação, são muito pesados para crianças… Que o melhor é falar do Evangelho e deixar para que, mais tarde, elas possam aprender.

Entretanto, o tempo frequentemente passa e, se ninguém lhes ensina, elas não aprendem. Crescem sem saber e quando se tornam adultas, dificilmente se interessam. Se ninguém lhes instiga ao estudo, elas provavelmente não farão por si mesmas. E isso tem gerado em todo o Movimento uma espécie de analfabetismo espírita funcional, ou seja, espíritas que não conhecem a doutrina.

Claro, há exceções. O problema é que não devemos contar com as exceções. Devemos, sim, juntamente com o estudo da moral espírita, alicerçada nos Evangelhos, também ensinar os pontos fundamentais do Espiritismo, até mesmo para que cresçam conhecendo a doutrina que professam e não deixando para descobri-la somente na vida adulta.

Vejam que interessante esse vídeo e leia aqui toda a experiência do grupo.

Símbolo do Espiritismo

Se você está começando agora no Espiritismo, talvez estranhe o fato de não encontrar nenhum símbolo que o represente nos Centros que frequenta. Você sabe que o símbolo do Cristianismo é a cruz; sabe que a Estrela de Davi representa o Judaísmo; que o Yin-Yang representa o Taoismo; que a Lua crescente seguida de uma estrela representa o Islamismo. Mas, e o Espiritismo, existe algum símbolo que o represente?

Normalmente, podemos encontrar imagens que colecionam símbolos religiosos com diversos deles e ao chegar ao Espiritismo, encontramos uma pintura de Kardec ou uma foto de Chico Xavier. Em muitos sites, jornais, etc., usa-se a imagem de ambos como uma espécie de símbolo – na falta de um – para representar a Doutrina Espírita.

A prática espírita visa à simplicidade. E no conceito de simplicidade espírita está a ausência de tudo aquilo que não seja essencialmente necessário à prática espírita. É por isso que o Espiritismo não possui uma bandeira ou um símbolo visível na fachada que identifique ao transeunte um local espírita. Normalmente, apenas o nome da instituição, e nada mais.

Entretanto, em O Livro dos Espíritos – Prolegômenos (introdução ou prefácio) encontramos uma citação bastante curiosa, ditada pelos espíritos à Kardec:

“Porás no cabeçalho do livro o ramo de parreira que te desenhamos, porque é ele o emblema do trabalho do Criador. Todos os princípios materiais que podem melhor representar o corpo e o espírito nele se encontram reunidos: o corpo é o ramo; o espírito é a seiva; a alma, ou o espírito ligado à matéria é o bago. O homem quintessência o espírito pelo trabalho e tu sabes que não é senão pelo trabalho do corpo que o espírito adquire conhecimentos”.

O primeiro ponto a se observar é que os espíritos destacam a parreira (ou cepa do vinhedo) como um emblema que representa o trabalho do Criador, ou seja, a própria Criação.

Posteriormente, dizem que esse emblema reúne os princípios materiais do corpo e do espírito; sendo o galho representante do corpo físico; o suco da uva representa o espírito (nossa essência) e o fruto – o perispírito, ou seja, a parte espiritual que se liga à matéria.  

Os espíritos não apenas fizeram essa analogia, como também fizeram um desenho que Kardec reproduziu, conforme orientação, em O Livro dos Espíritos.

Desenho mediúnico em Prolegômenos

Portanto, apesar de não carregar uma bandeira própria ou algum emblema na fachada das instituições, foram os próprios espíritos que desenharam, explicaram e solicitaram à Kardec que tal fosse incluído em O Livro dos Espíritos.

Podemos nos perguntar: se os símbolos são realmente pouco úteis, por que é que fizeram questão de desenhá-lo e de inseri-lo em O Livro dos Espíritos?

Do meu ponto de vista, portanto, a cepa é o símbolo do Espiritismo, ainda que não usado. No entanto, esse símbolo assume apenas a função de um “logotipo” e não de uma imagem de adoração, como em algumas religiões. 

O tema foi abordado na série “Sagrado”, veja:

Honestidade Espírita

O intento de toda pessoa que produz conteúdo para internet precisa, necessariamente, nascer do desejo de compartilhar informações e me sinto muito feliz em verificar que muito daquilo que produzi, quase sempre de forma amadora, embora com fundamentação doutrinária, atingiu muitas pessoas.

No entanto, existe algo profundamente irritante acontecendo: Pessoas que copiam meus conteúdos e divulgam sem citar a fonte. É o máximo da indecência intelectual espírita. Em um caso, o indivíduo copiou meu texto sobre o MEB e o divulgou como sendo de sua autoria. Não aguentei e protestei, ele corrigiu a autoria…

Minha língua coça, meus dedos ardem de vontade de dizer quem e onde. No entanto, tenho me esforçado para focar minhas produções naquilo que pode ser útil e, neste sentido, tenho tentado evitar polêmicas assim.

Por um lado, fico feliz. Um grande espírita, conhecido nacionalmente, que tem um canal no YouTube muito acessado, copiou um vídeo feito por mim (quase um ano antes dele o repostar em seu canal) e o divulgou sem qualquer citação ao meu canal e mesmo sem sequer citar as devidas referências do material que fiz questão de deixar na descrição do vídeo por não ser de minha autoria e como seu canal é bem visto, o vídeo teve quase quatro vezes mais visualizações do que no meu: ponto positivo para a doutrina, pois é isso que importa, no fim.

Por outro, senti-me bastante frustrado. Primeiro, por ser alguém que, vira e mexe, vive falando de honestidade no meio espírita (talvez ele tenha pensado que não haveria problema em copiar um simples vídeo de um canal pequeno). Segundo, por nem sequer fazer referência de onde, quando e como ele obteve essa informação, o que é um desrespeito para com aqueles que produziram o material original, mais de 40 anos atrás… Informação essa que eu próprio garimpei muito para achar, embora hoje esteja acessível.

A partir do momento em que disponibilizo conteúdo online, a minha vontade é que isso se espalhe como uma gripe. Que atinja o maior número de pessoas possíveis. Jamais embarguei qualquer reprodução de meus conteúdos online, no entanto, o mínimo que eticamente espero é que citem a fonte. Não precisam pedir minha autorização: está autorizado! Mas, por favor, valorizem o meu esforço citando de onde vocês estão pegando esses materiais!

 

Chico Xavier e a Revista Realidade

Resolvi pesquisar sobre um assunto que de vez em quando acabo topando, mas que nunca havia pesquisado com profundidade. Trata-se de uma tentativa de desmascarar a mediunidade de Chico Xavier feita pelo repórter José Hamilton Ribeiro.

A reportagem saiu na revista Realidade – Novembro, 1971. A reportagem, muito bem escrita, narra o acompanhamento do repórter durante uma visita aos trabalhos do Chico, inclusive, convidado para almoçar e acompanhar boa parte do dia do médium.

Na tentativa de emplacar um belo sucesso editorial – e ele conseguiu –  o repórter reinventa, embora modestamente, a tática que David Nasser e Jean Manzon tentaram, décadas atrás: criar uma mentirinha para desacreditar o médium.

Esses repórteres da então revista O Cruzeiro, publicaram uma matéria que depreciou muito a figura de Chico Xavier. Tecendo considerações nada respeitosas, coloridas entre elogios diretos e alfinetadas evidentes, leem-se palavras como: profeta e ingênuo.

Sugeriram, entrelinhas, que o Chico sabia um pouco de inglês, francês, que lia muito e que tinha uma porção de livros, como a justificar seu talento literário. Aliás, é curioso como tentam desqualificá-lo, enquanto médium, ao admitirem seu brilhantismo, enquanto autor multigênero. Vai entender…

Contudo, é importante dizer o seguinte: A educação daquela época privilegiava línguas estrangeiras. Meus avôs diziam ter estudado um pouco de Francês na escola pública. Então, qual o problema?

E nesse tiroteio, pró e contra o Chico, é curioso observar duas posturas antagônicas:dos espíritas que defendem Chico com unhas e dentes a dizer que não possuía livros, que quase não lia, que não tinha tempo para nada e dos críticos que sempre falavam sobre suas estantes cheias de livros, de sua excelente memória e de seu talento literário.

De minha parte, penso que a versão mais honesta é um misto dos dois: Chico trabalhava o dia todo, tinha muitas tarefas caritativas, psicografava horas intermináveis e no pouco tempo que lhe restava, lia. Em que isso pese como demérito?

Nasser a Manzon, a fim de não se denunciarem quanto às suas intenções, fingiram-se de estrangeiros, deram nomes falsos e conduziram a entrevista sobre o médium. Ao final, despediram-se e, antes de partirem, ganharam, cada um, um livro de presente. Foram embora absolutamente convictos de que o Chico era uma pessoa boa, mas no mínimo, desequilibrado mentalmente.

Algum tempo depois, eis que Manzon liga para o Nasser perguntando se ele havia lido a dedicatória que o Chico fez nos livros que ganharam. Ao saber que não, pediu que o fizesse. Lá, a surpresa: a dedicatória, assinada por Emmanuel, dava os nomes verdadeiros dos repórteres.

Confira na própria voz do Nasser:

Voltando à revista Realidade, José Hamilton resolve pedir uma orientação espiritual para um tal de Pedro Alcântara. No pedido, coloca também o endereço. O problema é que tal pessoa nunca existiu, nem o endereço.

Para surpresa do repórter, ele recebe uma orientação psicografada, dizendo o seguinte:

Junto dos amigos espirituais que lhe prestam auxílio, buscaremos cooperar espiritualmente em seu favor, Jesus nos abençoe”.

Ele ficou um pouco desapontado e ao final, termina a reportagem com uma frase enigmática:  O que pensar disso?

A matéria escrita por José Hamilton foi bem menos sensacionalista que a de David Nasser. Contudo, não escapou de dar umas alfinetadas bem maliciosas. Se ele quis inculcar a dúvida em seus leitores, conseguiu. Tão logo saiu a reportagem, várias pessoas começaram a dizer que o Chico foi pego em fraude, pois que psicografou uma mensagem de/ou para alguém que não existia.

Isso se tornou, desde então, repertório quase certo para quevedistas e antiespiritas. Contudo, ao se analisar a matéria por completo, percebe-se que o que houve não foi mais do que uma reedição do episódio ocorrido com David Nasser e Jean Manzon. A referida nota espiritual (não uma mensagem psicografada como se fosse o tal Pedro Alcântara ou para ele) provavelmente se referia ao próprio José Hamilton, um indicativo de que os espíritos o ajudariam, naquilo que pudessem.

Ora, se fosse uma psicografia de Pedro Alcântara ou uma carta de sua mãe, por exemplo, aí sim teríamos um belo problema e o Chico teria que se explicar. Entretanto, como visto, não se trata disso. Não é uma psicografia desse espírito nem para ele, é apenas uma breve nota espiritual para o repórter.

Esclarecido esse engano é preciso dizer que, conforme nos ensina Kardec, não há médiuns perfeitos. O próprio Chico, no livro, No Mundo de Chico Xavier, de Elias Barbosa, afirmou ter sido enganado mais de uma vez por espíritos.

É claro que, do ponto de vista materialista, qualquer erro em psicografia será visto como charlataria, pois não levam em consideração os problemas inerentes ao intercâmbio mediúnico e acham que se alguém é médium, não pode ser enganado e poderá, a qualquer momento, comunicar-se com espíritos.

Entretanto, do ponto de vista espírita, há muitos fatores. Temos que considerar a interferência natural do médium; a interferência no ambiente psicográfico; a presença e/ou comunicação de espíritos brincalhões e pseudosábios e, por fim, a mistificação e a obsessão.

Não há médiuns perfeitos e o Chico não era perfeito. Assim, vejo com muita reserva o ufanismo que hoje se levanta em memória de Chico Xavier, sempre o defendendo de uma forma que beira a idolatria e negando fatos hoje amplamente reconhecidos, como o de que ele sabia um pouco de Francês e Inglês e que possuía vários livros em sua coleção – como se fosse preciso negar essas coisas para justificar sua mediunidade – e, por outro lado, a má vontade dos antiespíritas que, à espera de qualquer brecha, atiram pedras sem maiores considerações.