Jovem decide morrer

eutanasia“Logo após se casar, a norte-americana Britanny Maynard começou a sentir fortes dores de cabeça. O que era apenas um desconforto tornou-se insuportável, e fez com que a jovem procurasse médicos. Em 1º de janeiro de 2014, ela recebeu o diagnóstico: tinha câncer cerebral terminal, o que lhe dava 10 anos de vida, no máximo. Pouco tempo depois, os médicos reduziram a expectativa: Brittany não teria mais do que seis meses de vida – e sua morte viria com sofrimento e dores ainda maiores.

Em seus últimos dias de vida, além de viajar com o marido e com amigas, a norte-americana criou o The Brittany Maynard Fund, uma organização que tem como objetivo receber fundos e lutar para que a eutanásia seja legalizada nos Estados Unidos. Atualmente, apenas cinco Estados autorizam a prática, que consiste em dar fim à própria vida com observação médica. Brittany mudou-se da Califórnia (onde a eutanásia é proibida) para o Oregon (onde é permitida) e já decidiu a data em que vai morrer: 1º de novembro, um dia depois do aniversário do marido”.

Leia a matéria completa, aqui.

Sem dúvida, essa é uma matéria chocante e, ao lê-la, imediatamente lembrei-me deste trecho:

“Um moço de dezoito anos, afetado de uma enfermidade do coração, foi declarado incurável. A Ciência havia dito: Pode morrer dentro de oito dias ou de dois anos, mas não irá além. Sabendo-o, o moço para logo abandonou os estudos e entregou-se a excessos de todo o gênero.

Quando se lhe ponderava o perigo de uma vida desregrada, respondia: Que me importa, se não tenho mais de dois anos de vida? De que me serviria fatigar o espírito? Gozo o pouco que me resta e quero divertir-me até o fim. — Eis a conseqüência lógica do niilismo.

Se este moço fora espírita, teria dito: A morte só destruirá o corpo, que deixarei como fato usado, mas o meu Espírito viverá. Serei na vida futura aquilo que eu próprio houver feito de mim nesta vida; do que nela puder adquirir em qualidades morais e intelectuais nada perderei, porque será outro tanto de ganho para o meu adiantamento; toda a imperfeição de que me livrar será um passo a mais para a felicidade. A minha felicidade ou infelicidade depende da utilidade ou inutilidade da presente existência. É portanto de meu interesse aproveitar o pouco tempo que me resta, e evitar tudo o que possa diminuir-me as forças. Qual destas doutrinas é preferível?” Allan Kardec, O Céu e o Inferno.

Minha opinião:

Como ensina o Espiritismo (a partir da questão 943, LE), sou contra o suicídio. Acho o maior ato de desrespeito à vida que um ser humano pode fazer – e, sim, eu já pensei em fazê-lo. Mas, essa é apenas a minha visão e estou bem certo de que há muitas pessoas que pensam diferente de mim.

No entanto, sou à favor do suicídio assistido. Sou à favor de que as leis permitam às pessoas que desejarem morrer serem assistidas por uma equipe de saúde em um hospital (ou em suas casas) e amparadas pela lei.

Sou à favor de que as leis de um determinado País não levem em consideração as minhas crenças espíritas, como não gostaria de viver num país teocrático-evangélico, onde as leis fossem feitas segundo “as escrituras”.

Sou à favor das pessoas terem a plena liberdade sobre suas vidas e decidirem sobre ela sem interferência do Estado. Sou à favor da morte num hospital (ou em casa), cercado por familiares, ao invés de ler sobre uma jovem que pulou na frente de um trem ou de um rapaz que se jogou do décimo andar.

Acredito que quem queira se matar irá fazê-lo e se o próprio Deus, em “pessoa” ou um de seus enviados não nos aparece no meio do caminho para tolher nossa liberdade, por que faríamos isso, nós?

Isso não é indiferença. Acredito que devemos fazer todo o possível para dissuadir a pessoa que está determinada a se matar. Mas, se todos nossos esforços falharem, resta apenas aceitar. Como ensinam os espíritos: A semeadora é livre, a colheita é obrigatória e, certamente, não será a nós que essas pessoas prestarão contas e Deus certamente não nos nomeou os guardiões da vida alheia.

Do ponto de vista espírita, temos inúmeros incentivos. A evidência corriqueira da imortalidade da alma (pelo menos, para àqueles que, como eu, puderam constatá-la pessoalmente, diversas vezes), todos os livros e relatos dos espíritos que decidirem sair da vida pelo suicídio e, o mais importante, o consolo sobre uma vida futura melhor e mais suave, desde que resistamos às intempéries e saibamos aproveitar as experiências a que estamos submetidos. Todo sofrimento é passageiro. Tenhamos fé.

“Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes teria sido tão pesada.” Q. 945, O Livro dos Espíritos.

2 comentários sobre “Jovem decide morrer

  1. Que situação difícil. Penso que não sabemos qual nossa missão, experiência, prova…ou o que quer que seja. Não é medo da morte, mas sim de que como se vai morrer. O ideal seria sem sofrimento. Mas quem nomos nós para ditar as regras? Penso que o medo de sofrer faz com que tenhamos a possibilidade de escolha. Livre arbítrio. O que vem depois? Penso que todos os que têm o comhecimento espirita sabe o que vem depois, mas, ainda assim, escolhe não sofrer. Espero que todos tenhamos uma boa morte e discernimento para entender as leis que nos regem e fazer uma boa escolha.

Ao longo dos anos, percebemos que responder aos contraditores, quase sempre munidos de paixão pessoal, nos custava tempo e energia que poderiam ser aplicados em algo mais útil. Por essa razão, não respondemos ataques. Ofensas serão deletadas.

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