Quando morremos, vamos para Nosso Lar?

O que me motivou a escrever sobre isso foi a pergunta de um rapaz no facebook. Ele havia chegado à conclusão de que, após a morte, as pessoas merecedoras seriam conduzidas para Nosso Lar. Desta forma, a cidade espiritual seria uma espécie de “céu dos espíritas”. Mas, isso procede?

Não, não procede. Nosso Lar é apenas uma dentre as muitas cidades espirituais existentes. Cada cidade abrange, por assim dizer, uma região geográfica no mundo Terreno. Nosso Lar está ligada à cidade do Rio de Janeiro e deve abranger municípios vizinhos. Da mesma forma, existem outras colônias ligadas a outras cidades, por todo o mundo.

Corre pelo facebook uma imagem onde se faz menção às colônias que existiriam no Brasil e sua localização geográfica. É preciso ter cuidado com essas informações que, na maioria das vezes, não passam de especulação. Citam as cidades, citam as regiões geográficas, mas não citam que médium psicografou isso, por qual espírito nem por qual obra.

Ainda em Nosso Lar, podemos ver a citação de “Moradia” outra colônia espiritual que mantinha comunicações com Nosso Lar, como neste trecho, onde Lísias comenta com André Luiz:

“Estamos ouvindo “Moradia”, velha colônia de serviços muito ligada às zonas inferiores”. Cap. 24

Ou aqui, onde se falam em colônias (plural)

“Nos primeiros dias de setembro de 1939, “Nosso Lar” sofreu, igualmente, o choque por que passaram diversas colônias espirituais, ligadas à civilização americana”. Cap. 41

Nosso Lar ficou muito famosa pela obra de André Luiz. Mas, não é a única nem a melhor colônia do Brasil. Como é dito no livro:

– “Nosso Lar” não é estância de espíritos propriamente vitoriosos, se conferirmos ao termo sua razoável acepção. Somos felizes, porque temos trabalho; e a alegria habita cada recanto da colônia, porque o Senhor não nos retirou o pão abençoado do serviço”. Cap. 5

Revista Ciência Espírita

Capa da edição número 01

Louvamos a iniciativa de Sandro Fontana e equipe pelo lançamento da revista Ciência Espírita, focada na análise dos fenômenos mediúnicos, que vem suprir a falta de espaço para esse tipo de abordagem. Que ela continue e dê frutos!

Para acessar, basta clicar no link abaixo (é gratuita).

REVISTA CIÊNCIA ESPÍRITA.

Jovem decide morrer

eutanasia“Logo após se casar, a norte-americana Britanny Maynard começou a sentir fortes dores de cabeça. O que era apenas um desconforto tornou-se insuportável, e fez com que a jovem procurasse médicos. Em 1º de janeiro de 2014, ela recebeu o diagnóstico: tinha câncer cerebral terminal, o que lhe dava 10 anos de vida, no máximo. Pouco tempo depois, os médicos reduziram a expectativa: Brittany não teria mais do que seis meses de vida – e sua morte viria com sofrimento e dores ainda maiores.

Em seus últimos dias de vida, além de viajar com o marido e com amigas, a norte-americana criou o The Brittany Maynard Fund, uma organização que tem como objetivo receber fundos e lutar para que a eutanásia seja legalizada nos Estados Unidos. Atualmente, apenas cinco Estados autorizam a prática, que consiste em dar fim à própria vida com observação médica. Brittany mudou-se da Califórnia (onde a eutanásia é proibida) para o Oregon (onde é permitida) e já decidiu a data em que vai morrer: 1º de novembro, um dia depois do aniversário do marido”.

Leia a matéria completa, aqui.

Sem dúvida, essa é uma matéria chocante e, ao lê-la, imediatamente lembrei-me deste trecho:

“Um moço de dezoito anos, afetado de uma enfermidade do coração, foi declarado incurável. A Ciência havia dito: Pode morrer dentro de oito dias ou de dois anos, mas não irá além. Sabendo-o, o moço para logo abandonou os estudos e entregou-se a excessos de todo o gênero.

Quando se lhe ponderava o perigo de uma vida desregrada, respondia: Que me importa, se não tenho mais de dois anos de vida? De que me serviria fatigar o espírito? Gozo o pouco que me resta e quero divertir-me até o fim. — Eis a conseqüência lógica do niilismo.

Se este moço fora espírita, teria dito: A morte só destruirá o corpo, que deixarei como fato usado, mas o meu Espírito viverá. Serei na vida futura aquilo que eu próprio houver feito de mim nesta vida; do que nela puder adquirir em qualidades morais e intelectuais nada perderei, porque será outro tanto de ganho para o meu adiantamento; toda a imperfeição de que me livrar será um passo a mais para a felicidade. A minha felicidade ou infelicidade depende da utilidade ou inutilidade da presente existência. É portanto de meu interesse aproveitar o pouco tempo que me resta, e evitar tudo o que possa diminuir-me as forças. Qual destas doutrinas é preferível?” Allan Kardec, O Céu e o Inferno.

Minha opinião:

Como ensina o Espiritismo (a partir da questão 943, LE), sou contra o suicídio. Acho o maior ato de desrespeito à vida que um ser humano pode fazer – e, sim, eu já pensei em fazê-lo. Mas, essa é apenas a minha visão e estou bem certo de que há muitas pessoas que pensam diferente de mim.

No entanto, sou à favor do suicídio assistido. Sou à favor de que as leis permitam às pessoas que desejarem morrer serem assistidas por uma equipe de saúde em um hospital (ou em suas casas) e amparadas pela lei.

Sou à favor de que as leis de um determinado País não levem em consideração as minhas crenças espíritas, como não gostaria de viver num país teocrático-evangélico, onde as leis fossem feitas segundo “as escrituras”.

Sou à favor das pessoas terem a plena liberdade sobre suas vidas e decidirem sobre ela sem interferência do Estado. Sou à favor da morte num hospital (ou em casa), cercado por familiares, ao invés de ler sobre uma jovem que pulou na frente de um trem ou de um rapaz que se jogou do décimo andar.

Acredito que quem queira se matar irá fazê-lo e se o próprio Deus, em “pessoa” ou um de seus enviados não nos aparece no meio do caminho para tolher nossa liberdade, por que faríamos isso, nós?

Isso não é indiferença. Acredito que devemos fazer todo o possível para dissuadir a pessoa que está determinada a se matar. Mas, se todos nossos esforços falharem, resta apenas aceitar. Como ensinam os espíritos: A semeadora é livre, a colheita é obrigatória e, certamente, não será a nós que essas pessoas prestarão contas e Deus certamente não nos nomeou os guardiões da vida alheia.

Do ponto de vista espírita, temos inúmeros incentivos. A evidência corriqueira da imortalidade da alma (pelo menos, para àqueles que, como eu, puderam constatá-la pessoalmente, diversas vezes), todos os livros e relatos dos espíritos que decidirem sair da vida pelo suicídio e, o mais importante, o consolo sobre uma vida futura melhor e mais suave, desde que resistamos às intempéries e saibamos aproveitar as experiências a que estamos submetidos. Todo sofrimento é passageiro. Tenhamos fé.

“Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes teria sido tão pesada.” Q. 945, O Livro dos Espíritos.

Decepção com o forumespirita.net

O forumespirita.net deve ser o maior site espírita da atualidade. Sobreviveu ao Orkut, ao Twitter e continua firme frente ao Facebook, ainda movimentando muitos debates por lá. Sem dúvida, não é apenas uma referência, como também ponto de encontro virtual entre espíritas.

Entretanto, é também o site onde tenho encontrado os maiores obstáculos na divulgação do meu trabalho, sempre visto como ameaça ou desconfiança. Até aí, natural: Já estou acostumado. Entretanto, nos últimos anos (e eu já participo lá há cinco), quase nada do que produzo (texto, vídeo, áudio), é aceito. É bom lembrar que sempre fui cordial nos meus comentários e sempre posto na categoria certa (para não ter desculpa) e, mesmo assim, sempre fui obstado. Cheguei, inclusive, a receber aviso de outros membros sobre isso:

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Eu já estava acostumado com a indiferença dos moderadores e com exclusão dos meus tópicos sem justificativa, o que fez até com que eu me afastasse e visitasse o site apenas às vezes. Porém, desta vez, estou surpreso. Não por ter tido mais um tópico excluído; Não! – desta vez, por ter recebido alguma justificativa. Bondosamente, o moderador me avisou em privado que postar vídeos de reuniões mediúnicas é contra as regras.

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Foi a gota d’água! Como assim, contra as regras? Incrivelmente, o trecho apontado das regras realmente proíbe “experiências mediúnicas próprias”, além de ser pouco fraterno em suas considerações.

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Até entendo que haja zelo e cuidado na realização de reuniões mediúnicas particulares… Mas, daí a simplesmente proibir a veiculação (e quantos espíritas, principalmente iniciantes, morrem de curiosidade em ver uma?), é algo totalmente sem sentido. Ainda mais se forem reuniões sérias, estruturadas e seguindo todos os parâmetros doutrinários, como foi a nossa. A impressão que tive é que, simplesmente, alguém decidiu que isso não deve ser publicado e, pronto, não é aceito. Não importa se é bom, produtivo e se pode ser instrutivo. Não deve, não será. Ponto.

Tal qual ocorreu em diversas comunidades do Orkut, em alguns grupos do Facebook, o forumespirita.net tem sua equipe e eles escolhem o que pode e o que não pode ser publicado segundo o gosto dos moderadores. Critérios esses que não têm a ver com a ordem e bom andamento dos debates. Tem a ver, simplesmente, com o gosto pessoal daqueles que tem o poder de clicar em “delete” e simplesmente apagar aquilo que não gostarem, ainda que seja doutrinário, reflexivo, crítico ou, simplesmente, um compartilhamento de uma experiência inesquecível.

Como diz o velho dito “os incomodados é que se retirem” e eu me incomodei, falei e estou me retirando.  Postei os prints que comprovam os avisos recebidos, mas resolvi não mostrar os nomes da pessoas: seria improdutivo. Forumespirita.net, apesar do seu amplo potencial, é um fórum que não permite a livre manifestação de ideias. Que pena…

Uma reflexão ao lado do meu cachorro

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O sol estava se pondo e, de longe, via parte da cidade. As luzes que começavam a se acender, carros que iam e vinham. Gente caminhando, voltando do serviço. Pessoas passeando, igualmente, com seus cachorros; crianças correndo e um avião cruzando o céu.

Olhei pra cima. Estava anoitecendo – quando o céu fica meio escuro, meio claro -, e as estrelas vão surgindo e lá estava eu, as observando. Naquele instante, fui atacado por um sentimento de completude e profundo respeito pelos cosmos.

Senti meu pensamento se expandir, minha consciência se alargar e comecei a refletir sobre a complexidade do mundo. Da origem física das coisas aos dramas psicológicos daqueles estranhos que passavam por mim sem que eu nunca os tivesse visto. Quantos dramas, quantas histórias, quantas vidas iam e vinham sem se cruzarem de fato.

Tudo isso enquanto meu cachorro urinava no poste. Olhei-o com ternura e me dei conta de que os espíritos elevados devem sentir, para conosco, o mesmo sentimento de carinhosa paternidade quando se defrontam com nossos dramas e questionamentos. Nós que sabemos reconhecer a beleza e complexidade do mundo, mas que pegos nas aflições da vida, questionamos a sabedoria daquele que tudo criou.

Ele terminou de fazer o sagrado xixi no poste (uma espécie de fetiche animal) e eu segui tranquilo ouvindo uma cariciosa música e observando o sol se por, feliz, por não saber sobre tudo, mas contente por valorizar o que já sei.

 “A sabedoria providencial das leis divinas se revela, assim nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, e essa sabedoria não permite se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus”. O Livro dos Espíritos