Espiritismo é Cristão?

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Num grupo do ex-falecido Orkut, uma pessoa perguntou se o Espiritismo poderia ou não ser considerado um tipo de Cristianismo. Abaixo, minha resposta:

“Quando falamos em Espiritismo e Cristianismo, temos que saber se estamos falando de uma ligação identitária ou religiosa. Como entidade religiosa, certamente o Espiritismo não é Cristão, pois considera-se Cristão somente as derivações religiosas cuja fonte seja a Bíblia e não é o caso do Espiritismo.

Do ponto de vista identitário, sim, pode-se dizer que o Espiritismo seja Cristão. É a isso que Kardec se referia ao falar do “verdadeiro” Espírita ou Cristão, isto é, aquele que está moralmente ligado à ideologia Cristã, etc”.

No desenrolar do tópico, uma outra pessoa escreveu:

Não era pra ser mais é, Allan Kardec deu mole ao adotar o cristianismo como o principal segmento moral da doutrina espírita.

Em relação ao comentário acima, respondi:

Acho que era inevitável. No livro: O Livro dos Espíritos e sua tradição Histórica e Lendária, Canuto de Abreu faz uma apreciação interessante quando mostra que o Bispo de Paris analisou O Livro dos Espíritos antes da sua publicação, pois esta era a norma. A inquisição não tinha na França a mesma força que na Espanha, mas ainda tinha o poder de vetar obras.

Então, pense: Os espíritos precisavam trazer conceitos morais. O ensino mais completo para isto era o de Jesus, através dos evangelhos. Entretanto, como sabemos, a moral é universal e não Crística, sendo este apenas aquele que a representou mais completamente sobre a Terra… Pois bem, eles teriam que dizer a mesma coisa que Jesus sem fundamentarem-se em seus evangelhos? O que você acha que iria acontecer? Eu acho que se assim tivesse sido, o Espiritismo seria um natimorto.

Vale lembrar, contudo, que embora Kardec (e os espíritos) tenham feito uma aproximação identitária entre Cristianismo e Espiritismo (em sentido restritamente moral, como ressalta Kardec na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo), isto só assume contornos de uma religião no Brasil, processo que, a meu ver, foi fundamental para sobrevivência do Espiritismo no Brasil e marca, definitivamente, uma cisão entre a ideologia espírita Francesa (não-religiosa) e a Brasileira (religiosa).

 

Ao longo dos anos, percebemos que responder aos contraditores, quase sempre munidos de paixão pessoal, nos custava tempo e energia que poderiam ser aplicados em algo mais útil. Por essa razão, não respondemos ataques. Ofensas serão deletadas.

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