O silêncio é uma prece?

sileMito.

Eu fiz uma pequena pesquisa tentando achar a fonte histórica dessa tão famosa frase, mas não encontrei. Se alguém souber, por favor, me avise.

Possivelmente, você já deve ter visto em Centros Espíritas, principalmente nos mais antigos, uma plaquinha ou mesmo pintura em alguma parte da parede: “O silêncio é uma prece”. Em alguns Centros, vemos uma variação desta frase, como: “Silêncio e Prece”, uma recomendação que me parece muito mais cabível…

O silêncio não é uma prece. O silêncio é apenas a não articulação verbal, exteriormente, e a quietude mental, interiormente (muito mais difícil, penso). A prece é um pensamento dirigido, portanto, não pode ser silêncio, já que ao orar se conversa mentalmente.

Entretanto, acredito que esta frase é colocada como uma forma educada de pedir às pessoas silêncio durante a palestra (o que pode ser bastante óbvio, mas eu sempre me espanto com a falta de educação das pessoas no Centro, especialmente quando cochicham e produzem aquele ruído irritante) e no lugar das conversas paralelas é melhor a prece, isto é, melhor fazer orações do que ficar ali batendo papo.

Em O Livro dos Médiuns, Kardec recomenda:

“Recolhimento e silêncio respeitosos, durante as confabulações com os Espíritos; União de todos os assistentes, pelo pensamento, ao apelo feito aos Espíritos que sejam evocados”.

Ao entrar num Centro Espírita, portanto, mantenha o silêncio. Você pode cumprimentar os conhecidos com um sorriso ou aceno, mas se toda vez que você for cumprimentar alguém tiver que se levantar, dar um abraço, um aperto de mão e trocar algumas palavras, vai desconcentrar todo mundo que estiver ali (isso também vale para os trabalhadores do Centro, pois é comum saírem cumprimentando todo mundo como se fossem políticos em dia de feira…). Se quiser ou precisar conversar com alguém, chegue mais cedo ou espere a reunião acabar.

Isso é o “silêncio respeitoso” a que Kardec se referiu anteriormente. É claro que se o palestrante “abrir a palavra” aos frequentadores, você pode opinar. O silêncio é para assuntos que não dizem respeito à reunião, conversa paralela, etc.

Depois, procure sempre se sentar confortavelmente e deixar os problemas do portão para fora. No começo é difícil, mas é apenas questão de hábito e uma das formas de se conseguir isso é focando sua atenção na palestra e só nela. Ali, naquele momento, o importante é estar em sintonia com os ideais espíritas,  refletir sobre como aquilo impacta na sua vida.

Durante a prece de abertura (onde normalmente se pede assistência dos espíritos ao estudo da noite), evite fazer pedidos pessoais. Siga, por exemplo, (e isto é apenas um exemplo) a prece que está sendo feita pelo orador, focando os mesmos objetivos. É importante, neste momento, que todos do grupo vibrem pela mesma coisa e não cada um por si, atirando para tudo quanto é lado.

Isto é “união de todos os assistentes, pelo pensamento”, pois que todos estarão ali com um único ideal, formando uma verdadeira corrente fluídica. Deixe para fazer seus pedidos pessoais na hora do passe ou na prece de encerramento (onde normalmente se agradece pela assistência e pede-se aos necessitados de toda ordem)

Todo exposto acima não são regras, não são dogmas, são simples noções de bom-senso.

“Sendo o recolhimento e a comunhão dos pensamentos as condições essenciais a toda reunião séria, fácil é de compreender-se que o número excessivo dos assistentes constitui uma das causas mais contrarias à homogeneidade. Não há, é certo, nenhum limite absoluto para esse número e bem se concebe que cem pessoas, suficientemente concentradas e atentas, estarão em melhores condições do que estariam dez, se distraídas e bulhentas”. O Livro dos Médiuns, item 332.

2 comentários sobre “O silêncio é uma prece?

  1. Concordo, a frase “O silêncio é uma prece “, é uma forma educada de solicitar boa conduta e respeito aos trabalhos em andamento em um centro espírita.

    Pontos cantados durante os trabalhos, mantém a atenção voltada para o ponto impedindo que o foco seja ouvir a conversa entre um guia e a pessoa que se consulta.

    Quem conversa paralelamente durante os trabalhos, pode influenciar negativamente a energia da corrente, podendo até permitir a chegada de espíritos sem luz em momento inapropriado, trocando totalmente o foco dos trabalhos de consulta para doutrinar tais espíritos.

    Aprendi isso na casa em que conheci a Umbanda, espero ter ajudado.

    • Concordo com o que foi exposto, é lamentável a falta de percepção dos companheiros dentro dos centros espíritas onde a invigilância e a ausência de compromisso desvirtuam o verdadeiro propósito sobre o que estão fazendo naquele local. O Centro Espírita não é um clube social onde buscamos puramente a diversão, é preciso seriedade e compromisso, o que não impede os momentos de troca de afetividade, mas na hora certa. Abraços e muita paz para todos!

Ao longo dos anos, percebemos que responder aos contraditores, quase sempre munidos de paixão pessoal, nos custava tempo e energia que poderiam ser aplicados em algo mais útil. Por essa razão, não respondemos ataques. Ofensas serão deletadas.

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