O que pensava Herculano sobre Emmanuel?

Frequentemente vejo espíritas ortodoxos utilizando-se de textos e frases de Herculano Pires, descontextualizadas, para embasar suas opiniões extremistas ao afirmarem que Emmanuel era um obsessor de Chico Xavier.

É muito fácil: se pega uma frase, isola-a do contexto e lhe aplica o significado que quiser. Esta é a receita para a desonestidade intelectual que estes espíritas praticam. Já tive ocasião de demonstrar isso noutro texto e agora trago, neste pequeno áudio, a VERDADEIRA opinião de Herculano Pires sobre Emmanuel.

Antes, porém, quero dizer que não concordo com tudo que Emmanuel escreveu e vejo em alguns de seus pensamentos contradições com o trabalho de Kardec.

Daí, porém, inferir que ele se tratava de um obsessor querendo mistificar o Espiritismo, é um passo quase alucinógeno. Pode-se discordar de qualquer espírito, de qualquer médium e mesmo de Kardec… Mas, ao fazê-lo, é preciso ser honesto, é preciso evidenciar e não apenas praguejar contra tudo e todos e, muito menos, pegar frases e textos de um dos espíritas que mais lutou para o estudo sério do Espiritismo e transformá-lo em arma para divulgar ideias sem cabimento.

Confira:

Quem escreveu O Livro dos Espíritos?

livro dos espirtosSe você tem algum conhecimento sobre o Espiritismo, deve saber que não foi Allan Kardec. Este formulou questões, retocou-as, revisou-as, as organizou e publicou as respostas em forma de livro.

Mas, quem foram os espíritos que ditaram as respostas? Foram muitos. Nós não sabemos o nome de todos, mas alguns o próprio Kardec revela na introdução de O Livro dos Espíritos:

“São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luís, O Espírito de Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg, etc., etc”.

Abaixo, segue um pequeno resumo biográfico destas figuras:

São João Evangelista – Filho de Zebedeu e Salomé, foi pescador e irmão de Tiago maior. Era o mais novo dos apóstolos escolhidos por Jesus. Segundo a Bíblia, Jesus parecia ter algum tipo de predileção por João. Esteve ao lado de Jesus durante a crucificação, dando apoio à Maria. É considerado autor do quarto Evangelho (Evangelho de João) e também do livro de Apocalipse, embora haja alguma polêmica a respeito de sua autoria. Após a morte de Jesus, viajou para a Ásia onde pregou o Cristianismo. Morreu por volta dos cem anos de idade.

Santo Agostinho – Nascido Aurelius Augustinus, em Tagaste (África) em 13 de novembro de 354 d.C, filho de Romanos. Sua mãe era Cristã e posteriormente ficou conhecida como Santa Mônica. Quando jovem, estuda em Catargo onde descobre o gosto por filosofia. Forma-se professor de retórica em Roma, casa-se, tem um filho. Infeliz, acaba tendo contato com os escritos de Paulo (São Paulo) e decide tornar-se religioso. Em passagem por Hipona (Argélia), é nomeado padre e depois bispo. Escreve mais de uma centena de obras teológicas e se firma na história como um dos mais influentes pensadores Cristãos.

São Vicente de Paulo – Nasceu em Paris, em 1660. Filho de camponeses profundamente católicos. Tinha cinco irmãos. Formou-se professor e posteriormente cursou teologia. Foi ordenado padre aos 19 anos. Em 1605, voltando de uma viagem de navio, sofreu com o ataque de piratas turcos que o prenderam e venderam como escravo a um pescador, depois para um químico e por fim a um fazendeiro. A esposa deste fazendeiro, ouvindo as canções religiosas de Vicente, sensibilizou-se e sensibilizou seu marido para que o levasse de volta à França. Retornando, foi admitido novamente como padre e se imortalizou pelas obras de caridade, especialmente aos doentes e pobres. Destacou-se por sua humildade e caridade entre a nobreza Francesa e os camponeses sofridos.

São Luís – Luís IX, nasceu em 1214 em Poissy, França, na família real. Durante seu reinado (1226-1270), a França viveu um período de intenso fortalecimento cultural, econômico, político e militar. Organizou duas cruzadas, morrendo na última. Era profundamente religioso e austero, entendia que tinha por função salvar a alma dos Franceses. Sua política apoiava aos pobres e proibia jogos e prostituição. Era aficionado por relíquias religiosas, tendo comprado várias.

O Espírito de Verdade – Esta enigmática figura, não identificada, era sempre tratada por todos como o mais elevado e responsável direto pelo Espiritismo na Terra. Em 1856 Kardec recebe a primeira comunicação deste espírito, se dispondo a vir auxiliá-lo uma vez ao mês durante ¼ de hora (25 minutos!). Ditou diversas mensagens, todas de conteúdo moral muito belo e, por sua fala muito pessoal e próxima do ensino de Jesus, muitos espíritas pensaram que era o próprio Cristo, que resolveu não assumir sua identidade para não causar polêmica. O próprio Kardec não se livrou da curiosidade sobre esse espírito e no livro: Instruções práticas sobre as manifestações espíritas, informa que, posteriormente, descobriu sua identidade e que se tratava de um filósofo da antiguidade.

Sócrates – Nascido em Atenas, 469 a.C é uma das mais importantes figuras no campo filosófico da histórica ocidental. Destacou-se no campo da ética e educação, e por seus pensamentos sobre amor, virtude e conhecimento. Acreditava na imortalidade da alma, sendo um dos precursores do Espiritismo em tempos antigos. Reconhecido por sua sabedoria, foi condenado à morte, entre outras coisas, por “corromper os jovens”.

Platão – Nasceu em Atenas, entre 348/347 a.C. Filósofo e matemático, discípulo de Sócrates e responsável por trazer esta para a história, uma vez que Sócrates não escreveu nenhuma obra. Fundou a “Academia de Atenas”, a primeira universidade ocidental. Destacou-se no campo da ética, justiça, epistemologia, matemática e dialética. Também acreditava na imortalidade da alma e imaginava um tipo de justiça Divina que recompensava as pessoas boas com o bem e as más com o mal, após a morte.

Fénelon – François Fénelon nasceu em 1651, em Perigord, França. De família nobre, estudou filosofia e tornou-se sacerdote católico. Estudou teologia e destacou-se na produção de obras pedagógicas e na educação de jovens da nobreza Francesa. Era conhecido por ser uma pessoa doce e caridosa. É uma figura pouco conhecida do Movimento Espírita, entretanto, podemos ver que Kardec sempre falava muito bem deste espírito em suas obras.

Franklin – Benjamin Franklin nasceu em Boston, EUA, em 1706. Destacou-se como um dos líderes da revolução Americana e por seus experimentos com eletricidade. Junto com outros Maçons, ajudou a fundar a primeira biblioteca pública da Filadélfia, em 1732. Era uma pessoa dinâmica, participando da política, teologia, poesia e também do movimento abolicionista. Era Calvinista.

Swedenborg – Emanuel Swedenborg nasceu em Estocolmo, Suécia, em 1688. Filho de um pastor Luterano de renome, cedo teve acesso à nobreza de seu país. Estudou “Engenharia de Minas”, deu aulas de matemática em universidade e pesquisava áreas como geologia e hidráulica. Seu nome permanece na história, porém, por outro motivo. Aos 56 anos de idade disse ter visto o próprio Deus que lhe deu a missão de revelar o sentido espiritual oculto da Bíblia. Escreve, então, diversos textos que são tidos por heréticos e passa a ser perseguido pelos religiosos. Destacou-se, também, como inventor, tendo produzido o primeiro projeto cientificamente viável de um avião. Foi um médium vidente e clarividente (dupla-vista) muito famoso, tendo conseguido intermediar comunicações para realeza e também relatar fatos que aconteciam em outras cidades.

Comentário:

Isto é apenas um breve resumo. Existe muita informação sobre essas pessoas na internet. Agora, vamos fazer um balanço:

São João Evangelista, Santo Agostinho, Vicente de Paulo e São Luís, são todos santos Católicos (pessoas que realizaram feitos grandiosos para a Igreja). Fénelon foi padre e uma pessoa de profunda fé Católica.

O Espírito da Verdade, Sócrates e Platão, foram pessoas que se destacaram na filosofia. A contribuição dos dois últimos é notória e seu reconhecimento, hoje, é a prova disso. O Espírito da Verdade não sabemos quem foi, mas como o próprio Kardec disse, tratava-se de um “ilustre filósofo da antiguidade”.

Franklin e Swedenborg eram protestantes e se destacaram no campo científico em sua época.

Podemos perceber, facilmente, que o Espiritismo sofreu influência direta do Catolicismo, Protestantismo, da Filosofia e da Ciência. Várias destas personalidades, mesmo consideradas Santas, tiveram erros durante a vida. Santo Agostinho abandonou a esposa; São Luís organizou cruzadas; Swedenborg era obsediado, etc. Entretanto, todos marcaram a história, trouxeram contribuições importantes e, como espíritos, se regeneraram e progrediram e foram responsáveis pelo surgimento do Espiritismo, na Terra.

Provas e Expiações – Você sabe a diferença?

Frequentemente se ouve falar em “provas e expiações”. Mas, você sabe a diferença entre elas?

É o próprio Kardec* quem explica:

PROVAS – Vicissitudes da vida corporal, pelas quais os Espíritos se depuram, conforme a maneira por que as suportam. De acordo com a doutrina espírita, desprendendo-se do corpo e reconhecendo sua imperfeição, o Espírito escolhe por si mesmo, num ato de seu livre-arbítrio, o gênero de provas que julga mais apropriadas ao seu adiantamento, e que sofrerá em nova existência. Se escolher uma prova acima de suas forças, sucumbirá e seu progresso será retardado”.

EXPIAÇÃO – pena que sofrem os Espíritos em punição de faltas cometidas durante a vida corpórea. Como sofrimento moral, a expiação se verifica no estado errante; como sofrimento físico, no estado de encarnado. As vicissitudes e os tormentos da vida corpórea são, ao mesmo tempo, provas para o futuro e expiação para o passado”.

Ou seja:

As provas estão relacionadas às escolhas do espírito para sua vida futura. E as expiações, às consequências de uma vida passada. As provas estão relacionadas ao tipo de vida que o espírito vai ter: onde vai encarnar, com quem, quando, de que forma, em qual sexo, o que terá que enfrentar nesta vida para sua melhoria pessoal, etc.

As expiações, por sua vez, são as consequências dos erros cometidos no passado. A punição às leis violadas. No estado espiritual, resulta em sofrimento moral, arrependimento e tormento espiritual e no estado de encarnado, em sofrimento físico. Estão frequentemente relacionadas às dores físicas, doenças, deformidades, loucura, dificuldades materiais e/ou situações penosas, etc.

Frequentemente, entretanto, essas duas situações se misturam e todos acabam vivendo suas provas e expiações como desafios à superação e ao melhoramento progressivo de si mesmos.

Assim, em essência, a nossa missão nesta vida pode ser definida, como: melhorarmos em inteligência e moral. Simples assim.

* – Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, Allan Kardec

Grupo: Eu Sou Espírita – Facebook

Há alguns meses, entrei num grupo de facebook sobre o Espiritismo, chamado: Eu Sou Espírita . Como tinha interesse em avaliar outros grupos espíritas do facebook, acabei não dando muita atenção a este, embora muito grande (mais de 55 mil membros).

Depois de ter feito uma peneira, passei a observar seu conteúdo e percebi que um grande número de pessoas postava cotidianamente neste grupo em busca de instrução. Comecei a participar.

De início, tudo muito bem. Um moderador do grupo me convidou, inclusive, a expor meus estudos em áudio todos os dias. Curtia meus comentários e também comentava vários tópicos que eu criava, até que…

Semana passada, uma moça criou um tópico manifestando sua dificuldade/indignação, com relação à justiça Divina. Em suma, ela achava (como muitos acham) que nós estamos à beira do caos, com tanto desamor.

Eu lhe respondi indicando um estudo do psicólogo Americano Steven Pinker, mostrando o contrário, que estamos em tempo pacíficos, se comparado com outros períodos da história.

Para minha surpresa, o mesmo referido moderador (que imagino ser o “dono” do grupo), simplesmente excluiu tanto o meu comentário quanto a resposta da criadora do tópico à mim.

Estranhando, ela perguntou o motivo de ter seu último comentário excluído, ao que o referido moderador disse apenas que aquele dia seria um dia de prece no grupo e que não permitiria assuntos polêmicos, pois isso acabava escondendo os avisos de preces a ser realizada à noite.

Em outro tópico, ele já havia dito que o dia de preces no grupo tinha feito muito bem em razão do tanto de mensagens que ele havia recebido criticando-o por essa atitude (ou será que eram críticas por que ele havia apagado outros tópicos sem consideração alguma pelos que participavam?). A princípio, achei estranho, mas não dei atenção.

Eis que, quando fui responder que meu comentário havia sido excluído também e que não havia nenhuma polêmica naquela discussão (que já somava dezenas de comentários, de dezenas de pessoas), simplesmente descobri que o tópico foi apagado. Ele apagou todo o tópico, cortando uma discussão doutrinária séria sem a menor cerimônia.

Aquilo me contrariou muito e resolvi lhe escrever uma mensagem em particular:

“Sr. (nome do moderador), com o objetivo de “evitar polêmica” no dia de hoje, o Sr. acabou por causá-la ao deletar um tópico de uma dúvida SÉRIA, respondida de forma SÉRIA, com dezenas de comentários SÉRIOS, com a absurda justificativa de que isso acabaria “escondendo” os posts sobre uma prece a ser feita na noite de hoje.

O uso do recurso de moderação devia, pelo menos em todo caso, servir para mediar às comunicações humanas, mas nunca cerceá-las sem motivo SÉRIO, dado que as ferramentas do facebook permitem fixar determinado tópico na parte superior do grupo onde todos podem vê-lo.

Eu peço, assim, que o Sr. faça bom uso das ferramentas de moderação e não seja injusto com quem procura de verdade se instruir no Espiritismo. A comunidade “Eu sou Espírita” é formada, pelo que tenho visto, de muitas pessoas que desejam seriamente se instruir e seria uma pena se fossem cerceadas de uma forma tão absurda como a que vi hoje.

Eu já fui moderador e sei como é complicado. Diariamente o Sr. tem que lidar com muito desrespeito, brigas e coisas do tipo. Sei de tudo isso. Mas, no episódio de hoje, não houve nem sinal de algo do tipo e o tópico simplesmente foi deletado. Tenho aqui os prints que provariam a um leitor futuro, se necessário for…

Eu sou um estudioso do Espiritismo e sou sério. O Sr. pode pensar que estou querendo causar polêmica, até mesmo por que, pelo vi num comentário, o Sr. imagina estar havendo alguma investida das trevas nos dias de prece. Asseguro, no entanto, que não se trata disso. Minha mensagem tem apenas o interesse de alertá-lo.

Caso o senhor insista em proceder desta forma, irei fazer essa denúncia pública no grupo e para impedir-me, o senhor terá que me expulsar do grupo, o que fará com que eu escreva uma crítica sobre sua atitude em meu site: http://www.estudoespirita.org, acessado diariamente por centenas de espíritas.

Desejo, sinceramente, que o Sr. repense”.

Como não obtive resposta, resolvi deixar isso de lado. Imaginei que, talvez, ele estivesse num dia ruim e tomado uma decisão apressada. Acabei excluindo os prints que havia feito (uma pena!), pois pensei que o assunto havia acabado.

Ontem (domingo), resolvi dar uma olhada nos grupos antes de dormir (como sempre tenho feito) e, para minha surpresa, vi que não constava mais na minha lista o grupo: Eu Sou Espírita. Sumariamente, fui simplesmente expulso do grupo. Não obtive resposta à minha mensagem, nenhum aviso, nada.

Esse tipo de situação não é nova para mim, pois ocorreu a mesma coisa com muitos grupos do falecido Orkut. Quando o Espiritismo começou a se propagar na rede, muita gente se apossou de várias comunidades e passou a gerenciá-las com mão de ferro. Eu não imaginava, porém, que isso apareceria tão rapidamente no facebook.

Nas poucas intervenções que fiz no referido grupo, creio ter contribuído de modo satisfatório, dado que não alimentei rivalidade com ninguém nem fiz nada que merecesse censura (desfio os moderadores do referido grupo a provarem o contrário). Simplesmente me defrontei com um moderador impetuoso que decidiu excluir conversas sérias para prevalecer sua novena espiritólica virtual.

Você já deve ter lido ou ouvido histórias de Centros que se desestruturaram por que tinham pessoas perturbadas em seu controle, não é? O mesmo está acontecendo neste grupo do facebook. Lamentavelmente, pessoas despreparadas como este Sr. acabam assumindo funções de moderação e fazem a festa por lá…

Fica, assim, o alerta a todos os leitores deste blog que porventura façam parte deste grupo no facebook: não se calem!

“Não podemos recuar, nem calar. O que está em jogo não é a nossa opinião pessoal ou grupal, a nossa verdade particular. O que está em jogo é o Espiritismo, a Verdade Universal pregada por Jesus, destruída nas fogueiras da mentira e ressuscitada pelo Espírito da Verdade”. Herculano Pires

Chat espírita!

Pessoal,

skypeAcabo de descobrir que é possível criar grupos de contatos dentro do Skype. Então, decidi criar um grupo sobre o Espiritismo, com o principal objetivo de tirar dúvidas dos iniciantes.

Portanto, se você usar Skype e quiser participar (o sistema permite apenas 300 vagas – no antigo grupo que moderava no MSN, tínhamos mais de 1000!), basta adicionar a conta: estudoespirita@live.com – e você será adicionado ao grupo e poderá conversar com todas as pessoas “associadas”. Que tal?

O silêncio é uma prece?

sileMito.

Eu fiz uma pequena pesquisa tentando achar a fonte histórica dessa tão famosa frase, mas não encontrei. Se alguém souber, por favor, me avise.

Possivelmente, você já deve ter visto em Centros Espíritas, principalmente nos mais antigos, uma plaquinha ou mesmo pintura em alguma parte da parede: “O silêncio é uma prece”. Em alguns Centros, vemos uma variação desta frase, como: “Silêncio e Prece”, uma recomendação que me parece muito mais cabível…

O silêncio não é uma prece. O silêncio é apenas a não articulação verbal, exteriormente, e a quietude mental, interiormente (muito mais difícil, penso). A prece é um pensamento dirigido, portanto, não pode ser silêncio, já que ao orar se conversa mentalmente.

Entretanto, acredito que esta frase é colocada como uma forma educada de pedir às pessoas silêncio durante a palestra (o que pode ser bastante óbvio, mas eu sempre me espanto com a falta de educação das pessoas no Centro, especialmente quando cochicham e produzem aquele ruído irritante) e no lugar das conversas paralelas é melhor a prece, isto é, melhor fazer orações do que ficar ali batendo papo.

Em O Livro dos Médiuns, Kardec recomenda:

“Recolhimento e silêncio respeitosos, durante as confabulações com os Espíritos; União de todos os assistentes, pelo pensamento, ao apelo feito aos Espíritos que sejam evocados”.

Ao entrar num Centro Espírita, portanto, mantenha o silêncio. Você pode cumprimentar os conhecidos com um sorriso ou aceno, mas se toda vez que você for cumprimentar alguém tiver que se levantar, dar um abraço, um aperto de mão e trocar algumas palavras, vai desconcentrar todo mundo que estiver ali (isso também vale para os trabalhadores do Centro, pois é comum saírem cumprimentando todo mundo como se fossem políticos em dia de feira…). Se quiser ou precisar conversar com alguém, chegue mais cedo ou espere a reunião acabar.

Isso é o “silêncio respeitoso” a que Kardec se referiu anteriormente. É claro que se o palestrante “abrir a palavra” aos frequentadores, você pode opinar. O silêncio é para assuntos que não dizem respeito à reunião, conversa paralela, etc.

Depois, procure sempre se sentar confortavelmente e deixar os problemas do portão para fora. No começo é difícil, mas é apenas questão de hábito e uma das formas de se conseguir isso é focando sua atenção na palestra e só nela. Ali, naquele momento, o importante é estar em sintonia com os ideais espíritas,  refletir sobre como aquilo impacta na sua vida.

Durante a prece de abertura (onde normalmente se pede assistência dos espíritos ao estudo da noite), evite fazer pedidos pessoais. Siga, por exemplo, (e isto é apenas um exemplo) a prece que está sendo feita pelo orador, focando os mesmos objetivos. É importante, neste momento, que todos do grupo vibrem pela mesma coisa e não cada um por si, atirando para tudo quanto é lado.

Isto é “união de todos os assistentes, pelo pensamento”, pois que todos estarão ali com um único ideal, formando uma verdadeira corrente fluídica. Deixe para fazer seus pedidos pessoais na hora do passe ou na prece de encerramento (onde normalmente se agradece pela assistência e pede-se aos necessitados de toda ordem)

Todo exposto acima não são regras, não são dogmas, são simples noções de bom-senso.

“Sendo o recolhimento e a comunhão dos pensamentos as condições essenciais a toda reunião séria, fácil é de compreender-se que o número excessivo dos assistentes constitui uma das causas mais contrarias à homogeneidade. Não há, é certo, nenhum limite absoluto para esse número e bem se concebe que cem pessoas, suficientemente concentradas e atentas, estarão em melhores condições do que estariam dez, se distraídas e bulhentas”. O Livro dos Médiuns, item 332.

Torteroli

Afonso Angeli Torteroli foi um dos maiores espíritas Brasileiros. Entretanto, seu nome é esquecido. Recentemente, Mauro Quintella vem resgatar essa importante memória ao estudo do Espiritismo no Brasil.

Torteroli ficou conhecido como líder dos “científicos”, quando havia uma intensa disputa entre os espíritas, que de um lado queriam formar uma religião e, de outro, uma ciência.

Travou intenso debate com Bezerra de Meneses. Trabalhou como professor, jornalista e no fim da vida vivia praticamente na pobreza. Doava tudo que tinha aos pobres e fazia peregrinações por bairros distribuindo o pouco que conseguia, uma prova “viva” de que ver o Espiritismo mais como uma “ciência” do que como uma religião não torna as pessoas insensíveis ao bem e ao próximo.

Confira aqui, aqui e aqui, as três partes da sua biografia.