Viagem Espírita em Uberaba

Aproveitei as férias para conhecer novos grupos em Uberaba. Oficialmente, são 105 grupos existentes. Destes, uns 15 eu já conhecia e aproveitei as férias para conhecer um pouco mais de 10 outros. Como se vê, ainda tem muito chão pela frente…

Nessa minha “viagem” tive a intenção de conhecer os trabalhos, observar como eram realizados, a coerência doutrinária, qualidade do ensino, espaço físico, etc. Enfim, eu queria saber como esses grupos trabalhavam e, a partir do que entendo ser “um bom Centro Espírita”, estabelecer um comparativo entre teoria/prática.

A minha visita confirmou uma antiga suspeita: Os Centros de Uberaba realmente são bons. Há apenas uma exceção. Infelizmente, um dos centros que visitei me parece ser totalmente desestruturado, mas prefiro não citar o nome. As descrições que fiz neste texto serão suficientes para se avaliar caso alguém se aventure por lá.

Entretanto, alguns centros se sobressaíram, aos meus olhos, oferecendo um trabalho espírita de qualidade, muito embora todos, exceto pela exceção comentada, estivessem dentro do “padrão de qualidade”.

A minha observação, contudo, foi defeituosa, pois se baseou em apenas uma visita. O dia da visita era o dia de palestra pública e em todos eu passei pelo passe. Para uma avaliação mais completa, seria preciso visitar tais centros outras vezes e observar os demais trabalhos. É por esta razão, por ter feito apenas uma observação parcial, que não citarei o nome deste centro que me desapontou.

Abaixo, segue a lista, endereços, data de fundação e horário de palestra pública dos centros que visitei e que se SOBRASSAÍRAM ao “basicão”:

  • Centro Espírita Henrique Kruger – Fundação: 12/04/1951 – Rua Passa Quatro, 635 – São Benedito. Palestra pública às terças, a partir de 19h30min.

Este centro se destacou pela qualidade da palestra. Há anos não assistia uma palestra como esta. Em todas, mesmo nos centros que estavam “dentro do padrão de qualidade”, eu encontrei erros doutrinários. Este, não. A palestra, para mim, foi perfeita. Foco em Kardec, linguagem simples, direta. Uma verdadeira instrução. Portanto, se seu objetivo é conhecer o Espiritismo, recomendo muito este centro.

  • Casa da Cultura Espírita de Uberaba – Fundação: 2010? – Rua Tocantins, 285 – Vila Celeste. Reunião pública com psicografia de familiares e orientação homeopática espiritual às sextas, a partir de 19h30min.

A Casa da Cultura Espírita é, de longe, o centro mais comprometido com estudos que conheço. Eles possuem várias turmas de ESDE (Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita) e a palestra pública que existi foi muito bem embasada em Kardec. Este também é um centro que recomendo fortemente a todos que desejarem conhecer verdadeiramente o Espiritismo e que se comprometem a estudá-lo seriamente.

  • Grupo Espírita Casa Fraterna – Fundação: 24/09/1958 – Rua Gibraltar, 14 – Boa Vista. Palestra pública e passes às segundas, a partir de 19h30min.

Este grupo se destacou pela simplicidade. Foi o Centro Espírita mais simples, tanto pela estrutura, quanto pelos frequentadores, quanto pela palestra. Simplicidade que dá aquele sentimento de boas-vindas e coerência doutrinária. Este grupo me proporcionou um clima quase nostálgico, como o que lemos sobre os centros da década de 50-60, em que as pessoas palestravam compartilhando suas experiências sem querer rezar missa, recomendo fortemente este grupo.

  • Casa Espírita Legionárias do Bem – Fundação: 09/03/1947 – Rua Guianas, 144 – Fabrício. Palestra pública, passes e fluidoterapia às terças, a partir de 19h30min.

Este grupo se destacou pelo acolhimento. De todos os grupos que visitei foi o único que me “notou”. Isto é, as pessoas viram que eu era um estranho e foram prestativas em me esclarecer sobre os trabalhos da casa. Mais de cinco voluntários diferentes, em momentos diferentes, vieram conversar comigo muito solícitos. O trabalho de passes também foi muito acolhedor e amigo. Se você estiver procurando um centro acolhedor e fraterno, recomendo muito este grupo.

  • Centro Espírita Aurélio Agostinho – Fundação: 18/06/1920 – Rua Lucas Borges, 61 – Fabrício. Palestras públicas e passes às segundas e sextas, a partir de 19h30.

Este grupo se destacou pelo clima de paz e tranquilidade. É de longe o Centro Espírita em que mais me senti sereno. Foi o primeiro centro que eu conheci, portanto, não se trata de uma única impressão. Sempre que o visito sinto-me muito bem e protegido. Se você estiver buscando paz espiritual, recomendo muito este grupo.

  • Casa Espírita André Luiz – Fundação: 13/02/1958 – Rua México, 437 – Jardim Espírito Santo. Palestra pública e passes às quartas, a partir de 19h30min.

Este grupo se destacou pela fé. Foi o grupo em que mais encontrei pessoas que transbordavam fé. Aquela fé viva que vemos em romances. Pessoas que estavam embebidas em ideal espírita. Outro ponto que me chamou atenção é que este centro é, estruturalmente, muito organizado. Foi o centro mais bem cuidado e limpo que encontrei. Tudo estava impecável, esteticamente falando. Se você estiver em busca de fé, de conviver com pessoas com convicção espírita, recomendo este grupo.

Considerações

O título deste texto é uma alusão a um projeto empreendido por Kardec, em 1862, que consistia na visitação a diversos grupos Frances. Quero deixar claro (se ainda não ficou) que todos os centros visitados, com exceção de um, estiveram dentro do “padrão de qualidade espírita”*, que, em suma, se trata de fidelidade e coerência com a proposta espírita de Kardec. Os centros aqui citados foram apenas o que sobressaíram, aos meus olhos… Portanto, uma opinião. Sem dúvida devem existir outros grupos tão bons ou mesmo melhores do que estes, porém, eu ainda não os conheço.

Para encerrar, gostaria de propor uma reflexão: Vocês notaram algo de “comum” nestes centros? Sim, a data de fundação! À exceção da Casa da Cultura Espírita, que se não me engano foi fundada em 2010, todos os demais são centros bem antigos, década de 20 à 50 do século passado.

Como visitei vários centros, observei que o “padrão de qualidade” é mais alto em centros formados na década de 1940-1950 e bem menor, embora dentro do “aceitável”, em centros fundados na década de 1980-1990.

A hipótese que arrisco é que estes centros mais antigos, formados na época de preconceito e intolerância, conseguiram construir uma base cultural-doutrinária mais sólida, enquanto grupos formados mais recentemente, nem tanto. Também observei que o “padrão” caia vertiginosamente em grupos criados entre 1990-2000, chegando quase ao limite do que considero “aceitável”. Há exceções, obviamente.

Nota: Por “padrão de qualidade espírita” refiro-me a centros que mantém uma orientação de trabalho genuinamente espírita.

Ao longo dos anos, percebemos que responder aos contraditores, quase sempre munidos de paixão pessoal, nos custava tempo e energia que poderiam ser aplicados em algo mais útil. Por essa razão, não respondemos ataques. Ofensas serão deletadas.

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