Processar alguém, para o espiritismo, é errado?

Recentemente, uma pessoa perguntou pelo facebook se seria correto, perante o Espiritismo, processar alguém por injúria. Como se trata de uma dúvida pouco comum resolvi explorá-la.

Imediatamente, lembrei-me da questão 932 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, quando diz:

932.Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?

“Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.”

Forte, não? Os espíritos tinham razão. Os bons frequentemente são tímidos. Quantas vezes não exigimos nossos direitos pelo simples constrangimento dos embaraços que poderiam decorrer? E, quantas vezes, por não fazermos isso, algumas pessoas acabam se sobressaindo sobre nós de forma indevida?

É preciso, portanto, que todos nós estejamos conscientes não só de nossos deveres, mas também de nossos direitos. E, se de alguma forma formos prejudicados, temos o direito de buscar por justiça.

A questão fundamental é: Vale a pena? Para o caso citado, a pessoa que perguntou não deu maiores detalhes do caso; não explicou o que ocorreu para que ela pensasse em processar alguém por injúria.

A reflexão que me parece justa é realmente avaliar o ocorrido com a maior isenção possível. Será que realmente foi injuriado ou estou apenas com ego ferido por alguma verdade que me deram à queima roupa?

Acredito, portanto, que a par de uma reflexão simples como esta acima, nós podemos avaliar melhor as situações do dia-a-dia e consultar nossa consciência para decidir se realmente fomos lesados ou se tudo não passou de mal entendido, ego inflado, etc.

É preciso considerar, ainda, as consequências das nossas ações. Toda ação (ou falta dela), gera consequência. Estamos preparados para lidar com as consequências? De ir até as últimas consequências? Se eu não levar essa questão à justiça, o que pode acontecer? E seu levá-la, o que pode acontecer?

E, pesando essas situações, decidir o que for melhor. Não haverá constrangimento doutrinário algum se alguém resolver processar uma pessoa desde que seja uma causa justa, verdadeira e não simples vingança ou coisas do tipo.

Um breve caso…

Quando estudava no terceiro ano colegial, ocorreu uma briga na escola. Por causa de ciúmes, dois amigos agrediram um terceiro. A escola tentou abafar o caso, mas a mãe do garoto não deixou. Chamou a polícia, fez boletim de ocorrência e procurou o Juizado de Pequenas Causas.

Acontece que foi perguntado quem eram os agressores. Um, identificaram corretamente. O outro, disseram que se chamava Leonardo e que estudava no terceiro ano.

Na época, havia uma estagiária na secretaria e no calor dos fatos ela se atrapalhou toda e pegou o diário de presenças do terceiro ano para poder passar aos policias o nome completo do agressor. Ela achou: Leonardo Montes! Sim, eu mesmo!

Mas, tranquilizem-se! Eu nunca briguei na escola e nunca bati em ninguém… O que aconteceu é que a estagiária se atrapalhou e realmente pegou o diário do terceiro ano, só que do NOTURNO, onde eu estudava, enquanto a briga havia se dado no MATUTINO. Infelizmente, para este caso, havia um Leonardo no Matutino, que foi realmente quem bateu no rapaz, e não eu!

Resultado: Eu tive que comparecer diversas vezes no Juizado de Pequenas Causas, já que sempre um dos verdadeiros agressores faltavam e a sessão era adiada. Foram seis meses indo e vindo sendo acusado de bater em um rapaz que eu nunca vi na vida. Teve até uma advogada (ou Juíza, eu não me lembro) que me ameaçou de ir para a FEBEM (na época, ainda era FEBEM) e me disse coisas horríveis.

No fim, foi tudo muito desgastante. A escola arrumou um advogado para mim e tudo acabou bem. Meu pai queria processar a escola, mas eu pedi para deixar de lado. Foi uma lição para mim e acredito que para todos os envolvidos, especialmente para a estagiária, que acabou sendo demitida na época.

Anos depois, os agressores me pediram desculpas pelo ocorrido e por alguns meses cheguei a dar carona do trabalho para um deles.

 

Ao longo dos anos, percebemos que responder aos contraditores, quase sempre munidos de paixão pessoal, nos custava tempo e energia que poderiam ser aplicados em algo mais útil. Por essa razão, não respondemos ataques. Ofensas serão deletadas.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s