Palestra espírita?

palestraAs palestras públicas no Brasil se transformaram, para muitos, em porta de entrada para o Espiritismo. É através delas que as pessoas tomam conhecimento das primeiras noções de Espiritismo e por meio delas conseguem alguma instrução.

No Brasil, as palestras foram tomadas como o principal meio de ensino espírita. Para mim, contudo, isto é um erro. O formato de palestra não é o melhor meio para isso: são os grupos de estudos. As palestras deveriam, em minha opinião, ter caráter apenas informativo, cabendo aos membros do grupo o esforço para construir sua própria aprendizagem, o que se pode fazer de várias maneiras.

Mas, não é assim que normalmente se faz. O que se costuma fazer é tomar a palavra do palestrante como sinônimo de Espiritismo e, diga ele o que disser, será tomado como princípio espírita e pronto. E se ele falar alguma besteira?

Esse era um problema que os grupos Franceses da época de Kardec também enfrentavam e vejam que solução simples o pessoal de Bordeaux arrumou:

“Na palestra é deixada ao orador toda a liberdade de linguagem, desde que não saia do quadro traçado por nosso regulamento. Ele encara os diversos assuntos de que trata do seu ponto de vista pessoal; desenvolve-os como bem entende e tira as consequências que julga convenientes, mas nunca poderá com isso atribuir a responsabilidade à Sociedade.

“No fim da sessão, o Presidente resume os trabalhos, e se não estiver de acordo com o orador, contesta-o, fazendo notar ao auditório que, do mesmo modo que o primeiro, não empenha outra responsabilidade além da sua, deixando a cada um o uso do livre-arbítrio e o trabalho de julgar e decidir em sua consciência de que lado está a verdade ou, pelo menos, quem dela mais se aproxima, porque, para mim, a verdade é Deus. Quanto mais dele nos aproximarmos (o que não podemos fazer senão nos depurando e trabalhando pelo nosso progresso) mais próximos estaremos da verdade.” Revista Espírita de 1867

Eu achei incrível essa proposta. Ela permite o diálogo, a contestação, sem a pretensão de causar qualquer desconforto pelo fato de não se aceitar ou concordar, inteiramente ou em partes, com determinados assuntos tratados pelo palestrante. 

O Movimento Espírita, definitivamente, tem que parar de subestimar a inteligência dos seus frequentadores, deixando de lado as amarras que impede as pessoas de discutirem saudavelmente sobre assuntos de interesse da Doutrina DENTRO do Centro Espírita. É visível a quantidade de pessoas que recorrem às redes sociais com dúvidas sobre o Espiritismo que não puderam ser tratadas dentro do ambiente do Centro Espírita por simples falta de espaço para isso. 

Por minha vez, eu acrescentaria ainda mais um detalhe: ao invés de monólogo, bate-papo. Algumas vezes presenciei esse tipo de “palestra” e gostei muito. Em resumo, é o seguinte: ao invés do palestrante ficar ali discursando até provocar sono no público, ele faz um bate-papo. Expõe à medida que abre espaço para o público interagir com dúvidas, sugestões e mesmo críticas.

Cria-se um espaço democrático de saber cuja responsabilidade pela construção é de todos e cada um a fará à seu modo. O palestrante figura apenas como facilitador.

Alguns poderão objetar, entretanto, que dessa forma não haverá orientação segura para informar os frequentadores sobre o Espiritismo e que cada um falará apenas sobre sua opinião.

Bom, isso é verdade. Porém, sempre que o palestrante fala algo sobre o Espiritismo que não seja uma citação direta das obras, ele está interpretando, dando sua opinião, sua visão. Isso acontece de qualquer forma, portanto. Entretanto, neste sentido é que surge a figura do presidente que, eleito como representante daquela instituição, necessariamente precisa ser alguém com domínio de conhecimento para intermediar a discussão em um nível adequadamente espírita. 

E, quanto àqueles que objetarem a dificuldade em ensinar corretamente o Espiritismo, basta que indiquem aos frequentadores as obras de Kardec. É nelas que está o Espiritismo. Ninguém precisa assistir palestra para aprender o Espiritismo, apenas ler, especialmente, livretos preparados por Kardec para isso, como: O Principiante Espírita, por exemplo. 

Se você é trabalhador espírita e gostou dessa ideia, leve-a ao seu Centro!

Ao longo dos anos, percebemos que responder aos contraditores, quase sempre munidos de paixão pessoal, nos custava tempo e energia que poderiam ser aplicados em algo mais útil. Por essa razão, não respondemos ataques. Ofensas serão deletadas.

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