Pode-se cobrar pela mediunidade no Espiritismo?

Não, não pode. A Doutrina Espírita é bem clara sobre isso:

“ (…) Os médiuns atuais – pois que também os apóstolos tinham mediunidade – igualmente receberam de Deus um dom gratuito: o de serem intérpretes dos Espíritos, para instrução dos homens, para lhes mostrar o caminho do bem e conduzi-los à fé, não para lhes vender palavras que não lhes pertencem, a eles médiuns, visto que não são fruto de suas concepções, nem de suas pesquisas, nem de seus trabalhos pessoais”.

“ (…) A mediunidade não constitui privilégio e se encontra por toda parte. Fazê-la paga seria, pois, desviá-la do seu providencial objetivo”. O Evangelho Segundo o Espiritismo – Mediunidade gratuita, item 7.

Portanto, todo e qualquer médium ESPÍRITA que por ventura cobre (e eu nunca vi isso acontecer) estará incorrendo em falta para com a própria doutrina que diz esposar. E se você souber de alguém que faça isso, é seu dever denunciá-lo perante a comunidade espírita.

Isso não quer dizer, entretanto, que eventos e outras atividades espíritas que envolvam CUSTOS não sejam cobrados. Entretanto, deve-se ficar atento, pois não é preciso um hotel cinco estrelas para sediar um evento… Ademais, de forma geral, o espírita NÃO contribui financeiramente com o grupo que frequenta e o grupo, por sua parte, não pede contribuição, o que é um erro! Se cada pessoa que frequenta um grupo doasse R$ 10,00 por mês, o Centro teria dinheiro para pagar todas as suas contas e realizar muitas obras…

Pensemos: O Código de Ética do médico vale para o médico. O Código de Ética do Psicólogo vale para o Psicólogo e assim por diante. Por que razão o “Código de Ética Espírita” valeria para não-espíritas?

Se um determinado médium NÃO é espírita, por que ele deveria aceitar esse nosso postulado de não se cobrar pela mediunidade? Todo médium profissional é, quase imediatamente, visto como charlatão no meio espírita, o que é um tremendo engano!

Recentemente participei de dois tópicos no facebook sobre médiuns que cobram por seus trabalhos e o que observei foi um desfile de ignorância e ingratidão espiritual.

O primeiro tópico versava sobre Zíbia Gasparetto. Surpreendentemente, muitos de seus leitores parecem desconhecer dois fatos: O primeiro, que ela não seja espírita (ela deixou o Movimento Espírita na década de 1990, trilhando um caminho de espiritualidade livre próprio); O segundo, que ela recebe os direitos autorais de seus livros e, portanto, é bastante rica.

Pessoas que se diziam leitoras de seus livros ficaram inconformadas e revoltadas (se tivessem pesquisado mais, talvez evitassem tanto aborrecimento, pois segundo me consta, ela recebe os direitos de seus livros há várias décadas) e muitos disseram que nunca mais leriam nada que ela psicografasse.

Bem, até aquele momento elas gostavam de seus livros e agora não gostam mais? Os livros deixaram de ser atraentes por causa disso? O que elas aprenderem e o quanto se beneficiaram, será deletado de suas memórias? É óbvio que não.

Eu nunca li por inteiro um livro da Zíbia. E não li por que não gosto de romances. Entretanto, assisto com frequência seu programa e de seu filho, Irineu, na Tv Virtual que fundaram e sempre gostei muito. É preciso dizer, ainda, que embora Zíbia retenha o lucro de suas obras, ela também mantém muitas instituições de caridade.

Muitos que estudaram os livros dela sempre diziam que eram antidoutrinários. Podem ser. Entretanto, certa vez ouvi de um senhor: “Os livros da Dona Zíbia são a porta de entrada para o Centro Espírita em muitos casos”.

Ele tinha razão, vejo isso na prática. Pessoas que leram seus romances e se interessaram mais sobre o Espiritismo, até mesmo visitando um Grupo Espírita para conhecer seus trabalhos. Eles realmente ajudam muita gente chegar até o Centro.

Por esta razão, por que este ódio mal disfarçado contra Zíbia? Eu duvido que muitos autores espíritas de renome não sejam tão antidoutrinários quanto ela e estão aí fazendo Workshop’s (virou moda) e ninguém fala nada.

Aliás, tenho percebido uma tendência curiosa entre os médiuns espíritas. Frequentemente, eles doam os direitos de suas obras mediúnicas. Mas, doam para quem? Para as fundações que eles próprios presidem! Hummm, mas pode isso, Arnaldo? (risos)

Poder, pode. Mas, seria ético? O médium cede o direito autoral… Logo, ele não recebe nenhum lucro de seus livros. Mas, ele cede o direito para a instituição que preside, então, o dinheiro acaba voltando pra ele, por que como presidente, ou qualquer outro cargo de diretoria, ele terá acesso às finanças da instituição e não havendo quem fiscalize (e o público espírita de modo geral não está nem aí para isso, se contentando apenas em saber que os direitos da obra foram cedidos e não como foram aplicados…) que garantia tem-se que não estão se beneficiando desse dinheiro?

Um exemplo. Eu trabalhei em um Grupo Espírita e lá fazíamos a feira da pechincha. Na época, o que fazíamos me parecia plenamente aceitável, mas hoje percebo que foi um erro.

Muitas pessoas doam roupas para Centros que fazem pechincha e os centros lucram bem com isso. Era muito raro uma pechincha em que não se arrecadava R$ 1.000,00 ou mais. Assim, se o Centro realiza quatro pechinchas por mês, ele consegue, pelo menos, R$ 4.000,00 com elas. Porém, o que é que acontecia…

Antes de se abrir as portas para o público (as peças eram vendidas, no máximo, a R$20,00 – Sendo que novas poderiam custar mais de cem), os trabalhadores do Centro tinham o DIREITO de escolher… Eles poderiam escolher o que quisessem antes das demais pessoas poderem escolher.

O resultado é previsível: As melhores roupas ficavam para o pessoal do Centro. Eles se beneficiavam do fato de serem voluntários e tinham vantagem na escolha das roupas. Assim, os voluntários praticamente não comprovam mais roupas para si mesmos, já que conseguiam tudo na pechincha e por um excelente preço. Quando as portas eram abertas, a população ficava apenas com o resto.

E isso não se dava só com roupas. Eu vi televisão, DVD, aparelho de som, computador, todos doados, serem comprados (e nem todos pagavam, diga-se) pelo pessoal do Centro (muitos tendo condição de comprar um novo), enquanto a população que poderia ser beneficiada com esses produtos vendidos a baixo custo, não tinha chance alguma de tê-los.

As pessoas desse Centro não eram bandidas. Eram pessoas que pensavam ter o direito de se beneficiarem por que eram voluntárias. Elas praticavam a caridade (por que estavam ali como voluntárias), mas achavam que tinham o direito de sair na frente, antes do povão.

Isso não é tudo. Eu também vi muitas vezes dinheiro da pechincha ser emprestado, seja para pagar um gás, ajudar a pagar uma conta de luz ou qualquer outra conta pessoal de voluntários do Centro. A maioria devolvida o dinheiro assim que possível, mas nem todos. Eu não tenho nada contra emprestar dinheiro, se esta for uma norma da casa, mas, por que somente para os voluntários? As pessoas que procuram o Centro também não têm contas?

Enfim, fiz esse exame porque vejo um temor exagerado do espírita em relação ao dinheiro, especialmente em casos de médiuns NÃO-espíritas. Adora-se meter o pau na Zíbia ou em outros médiuns pagos, mas não vemos a própria sujeira que existe em nosso meio. E veja, se isso acontece num Centro (e eu não acho que seja incomum), imagine o que TALVEZ não ocorra nas editoras e federações, que lucram milhares (ou milhões) de reais todos os anos e não prestam contas à sociedade?

Em Setembro do ano passado eu fui comprar o livro Nosso Lar, edição comemorativa do filme. O valor R$ 35,00. Chorei. O vendedor fez por R$ 32,00 – observem bem – um livro com quase 70 anos de idade sendo vendido como se fosse um super lançamento Best Seller direto da lista do New York Times… Esse livro já deve ter rendido milhões à FEB, não seria hora de barateá-lo para o povão?

Aliás, recentemente a Folha de São Paulo publicou uma matéria mostrando que a “Indústria do livro espírita” corresponde sozinha por mais de 32% dos livros “religiosos” vendidos no Brasil, estando à frente da venda de livros Católicos e também de Evangélicos. A pesquisa também apontou que o livro Espírita, em média, é mais caro que o livro Católico e Evangélico! A partir deste acessório não opcional (a facada do preço dos livros espíritas) eu passei a comprar livros no site Estante Virtual, usados, em bom estado e com frete costumo pagar menos de R$ 15 reais!

Agora, pense comigo: Com dados tão promissores, você não acha que muita gente ficou tentada a seguir para esse nicho? Será que isso explica a imensa quantidade de obras ditas psicografadas, lançadas todos os dias por médiuns, espíritos e editoras que nunca ninguém ouviu falar? E a qualidade do conteúdo, como fica? Você sabia que não há uma fiscalização sobre o conteúdo doutrinário dos livros? Que qualquer pessoa, de qualquer editora, pode lançar um livro sobre o Espiritismo e afirmar que seja psicografado e NINGUÉM irá investigar isso?

Quando você compra um livro espírita, você se informa sobre a editora? Busca acessar seu site, ler seu estatuto, saber o que ela faz com os lucros? Pois muitos médiuns doam os direitos autorais de seus livros para editoras, que são privadas, e o que muitas delas fazem? Retém 95% da renda para si e repassam 5% para instituições de caridade…

Você já observou que praticamente nenhum Centro é transparente quanto às finanças? Já observou que praticamente nenhuma editora presta conta de seus gastos à população? Já verificou que praticamente nenhuma instituição espírita expõe sua contabilidade? Por que será? – Você decide.

Vídeo que fiz há algum tempo sobre esse assunto:

Viagem Espírita em Uberaba

Aproveitei as férias para conhecer novos grupos em Uberaba. Oficialmente, são 105 grupos existentes. Destes, uns 15 eu já conhecia e aproveitei as férias para conhecer um pouco mais de 10 outros. Como se vê, ainda tem muito chão pela frente…

Nessa minha “viagem” tive a intenção de conhecer os trabalhos, observar como eram realizados, a coerência doutrinária, qualidade do ensino, espaço físico, etc. Enfim, eu queria saber como esses grupos trabalhavam e, a partir do que entendo ser “um bom Centro Espírita”, estabelecer um comparativo entre teoria/prática.

A minha visita confirmou uma antiga suspeita: Os Centros de Uberaba realmente são bons. Há apenas uma exceção. Infelizmente, um dos centros que visitei me parece ser totalmente desestruturado, mas prefiro não citar o nome. As descrições que fiz neste texto serão suficientes para se avaliar caso alguém se aventure por lá.

Entretanto, alguns centros se sobressaíram, aos meus olhos, oferecendo um trabalho espírita de qualidade, muito embora todos, exceto pela exceção comentada, estivessem dentro do “padrão de qualidade”.

A minha observação, contudo, foi defeituosa, pois se baseou em apenas uma visita. O dia da visita era o dia de palestra pública e em todos eu passei pelo passe. Para uma avaliação mais completa, seria preciso visitar tais centros outras vezes e observar os demais trabalhos. É por esta razão, por ter feito apenas uma observação parcial, que não citarei o nome deste centro que me desapontou.

Abaixo, segue a lista, endereços, data de fundação e horário de palestra pública dos centros que visitei e que se SOBRASSAÍRAM ao “basicão”:

  • Centro Espírita Henrique Kruger – Fundação: 12/04/1951 – Rua Passa Quatro, 635 – São Benedito. Palestra pública às terças, a partir de 19h30min.

Este centro se destacou pela qualidade da palestra. Há anos não assistia uma palestra como esta. Em todas, mesmo nos centros que estavam “dentro do padrão de qualidade”, eu encontrei erros doutrinários. Este, não. A palestra, para mim, foi perfeita. Foco em Kardec, linguagem simples, direta. Uma verdadeira instrução. Portanto, se seu objetivo é conhecer o Espiritismo, recomendo muito este centro.

  • Casa da Cultura Espírita de Uberaba – Fundação: 2010? – Rua Tocantins, 285 – Vila Celeste. Reunião pública com psicografia de familiares e orientação homeopática espiritual às sextas, a partir de 19h30min.

A Casa da Cultura Espírita é, de longe, o centro mais comprometido com estudos que conheço. Eles possuem várias turmas de ESDE (Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita) e a palestra pública que existi foi muito bem embasada em Kardec. Este também é um centro que recomendo fortemente a todos que desejarem conhecer verdadeiramente o Espiritismo e que se comprometem a estudá-lo seriamente.

  • Grupo Espírita Casa Fraterna – Fundação: 24/09/1958 – Rua Gibraltar, 14 – Boa Vista. Palestra pública e passes às segundas, a partir de 19h30min.

Este grupo se destacou pela simplicidade. Foi o Centro Espírita mais simples, tanto pela estrutura, quanto pelos frequentadores, quanto pela palestra. Simplicidade que dá aquele sentimento de boas-vindas e coerência doutrinária. Este grupo me proporcionou um clima quase nostálgico, como o que lemos sobre os centros da década de 50-60, em que as pessoas palestravam compartilhando suas experiências sem querer rezar missa, recomendo fortemente este grupo.

  • Casa Espírita Legionárias do Bem – Fundação: 09/03/1947 – Rua Guianas, 144 – Fabrício. Palestra pública, passes e fluidoterapia às terças, a partir de 19h30min.

Este grupo se destacou pelo acolhimento. De todos os grupos que visitei foi o único que me “notou”. Isto é, as pessoas viram que eu era um estranho e foram prestativas em me esclarecer sobre os trabalhos da casa. Mais de cinco voluntários diferentes, em momentos diferentes, vieram conversar comigo muito solícitos. O trabalho de passes também foi muito acolhedor e amigo. Se você estiver procurando um centro acolhedor e fraterno, recomendo muito este grupo.

  • Centro Espírita Aurélio Agostinho – Fundação: 18/06/1920 – Rua Lucas Borges, 61 – Fabrício. Palestras públicas e passes às segundas e sextas, a partir de 19h30.

Este grupo se destacou pelo clima de paz e tranquilidade. É de longe o Centro Espírita em que mais me senti sereno. Foi o primeiro centro que eu conheci, portanto, não se trata de uma única impressão. Sempre que o visito sinto-me muito bem e protegido. Se você estiver buscando paz espiritual, recomendo muito este grupo.

  • Casa Espírita André Luiz – Fundação: 13/02/1958 – Rua México, 437 – Jardim Espírito Santo. Palestra pública e passes às quartas, a partir de 19h30min.

Este grupo se destacou pela fé. Foi o grupo em que mais encontrei pessoas que transbordavam fé. Aquela fé viva que vemos em romances. Pessoas que estavam embebidas em ideal espírita. Outro ponto que me chamou atenção é que este centro é, estruturalmente, muito organizado. Foi o centro mais bem cuidado e limpo que encontrei. Tudo estava impecável, esteticamente falando. Se você estiver em busca de fé, de conviver com pessoas com convicção espírita, recomendo este grupo.

Considerações

O título deste texto é uma alusão a um projeto empreendido por Kardec, em 1862, que consistia na visitação a diversos grupos Frances. Quero deixar claro (se ainda não ficou) que todos os centros visitados, com exceção de um, estiveram dentro do “padrão de qualidade espírita”*, que, em suma, se trata de fidelidade e coerência com a proposta espírita de Kardec. Os centros aqui citados foram apenas o que sobressaíram, aos meus olhos… Portanto, uma opinião. Sem dúvida devem existir outros grupos tão bons ou mesmo melhores do que estes, porém, eu ainda não os conheço.

Para encerrar, gostaria de propor uma reflexão: Vocês notaram algo de “comum” nestes centros? Sim, a data de fundação! À exceção da Casa da Cultura Espírita, que se não me engano foi fundada em 2010, todos os demais são centros bem antigos, década de 20 à 50 do século passado.

Como visitei vários centros, observei que o “padrão de qualidade” é mais alto em centros formados na década de 1940-1950 e bem menor, embora dentro do “aceitável”, em centros fundados na década de 1980-1990.

A hipótese que arrisco é que estes centros mais antigos, formados na época de preconceito e intolerância, conseguiram construir uma base cultural-doutrinária mais sólida, enquanto grupos formados mais recentemente, nem tanto. Também observei que o “padrão” caia vertiginosamente em grupos criados entre 1990-2000, chegando quase ao limite do que considero “aceitável”. Há exceções, obviamente.

Nota: Por “padrão de qualidade espírita” refiro-me a centros que mantém uma orientação de trabalho genuinamente espírita.

Vestuário Espírita

Uma característica que diferencia os espíritas de outros segmentos religiosos é o fato de não se adotar vestes sacramentais ou especiais para participar das atividades ou frequentar um centro.

O padre veste a batina; o pastor veste o terno; o umbandista veste-se de branco e o espírita? Veste-se como quiser!

Para nós, não importa a roupa usada. Ela não irá aumentar nem diminuir a “força” das atividades. Portanto, se pode usar saias, vestidos, ternos, short, bermudas… Usar preto, branco, vermelho, azul, verde, amarelo, etc.

Frequentemente vemos uma variedade muito grande no vestuário espírita. Numa mesma reunião se podem ver pessoas de bermuda e chinelo, enquanto outras podem estar de roupa social. Isso não nos importa nada!

É claro que a única regra é o bom-senso. Os frequentadores podem vestir-se como quiserem. Mas, de forma geral, os trabalhadores evitam roupas sensuais, decotes ou qualquer coisa extravagante. Uma palestrante não irá de minissaia. Um passista não ficará sem camisa. Em tudo, o simples bom-senso.

O passe espírita

Há algum tempo escrevi um post sobre o “passe virtual”, este absurdo que inventaram para tranquilizar pessoas à distância. Agora, gostaria de escrever brevemente um pequeno aviso sobre passes espíritas:

Passes longitudinais, verticais, p1, p2, p3, nos chácras, com pernas cruzadas ou descruzadas (o mesmo vale para os braços), mãos com a palma pra cima, palma para baixo, passe com bocejo, sopro, toque no corpo da pessoa, abanando as mãos, estalando os dedos, esfregar as mãos, fazer movimentos como se estivesse tirando alguma coisa, passes descalços, etc.

TUDO isso é desnecessário. São maneirismos bobos e sem fundamento doutrinário algum criados para complicar um processo simples por natureza. Eu fico espantado de ver livros e mais livros sendo editados oferecendo técnicas, desenhos e esquemas para aplicar o passe – afinal, com tanto livro sendo lançado, quem tem tempo para ler Kardec? Tudo absolutamente desnecessário.

O passe verdadeiramente espírita exige apenas boa-vontade, oração em favor do outro. No máximo, erguer as mãos sobre a pessoa e orar em seu favor (nem erguer as mãos precisa, já que o pensamento é que vai levar os fluidos e não as mãos). Portanto, se você for a um centro e lá observar as coisas que citei acima, desconfie. Onde entra misticismo, o Espiritismo acaba perdendo.

Processar alguém, para o espiritismo, é errado?

Recentemente, uma pessoa perguntou pelo facebook se seria correto, perante o Espiritismo, processar alguém por injúria. Como se trata de uma dúvida pouco comum resolvi explorá-la.

Imediatamente, lembrei-me da questão 932 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, quando diz:

932.Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?

“Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.”

Forte, não? Os espíritos tinham razão. Os bons frequentemente são tímidos. Quantas vezes não exigimos nossos direitos pelo simples constrangimento dos embaraços que poderiam decorrer? E, quantas vezes, por não fazermos isso, algumas pessoas acabam se sobressaindo sobre nós de forma indevida?

É preciso, portanto, que todos nós estejamos conscientes não só de nossos deveres, mas também de nossos direitos. E, se de alguma forma formos prejudicados, temos o direito de buscar por justiça.

A questão fundamental é: Vale a pena? Para o caso citado, a pessoa que perguntou não deu maiores detalhes do caso; não explicou o que ocorreu para que ela pensasse em processar alguém por injúria.

A reflexão que me parece justa é realmente avaliar o ocorrido com a maior isenção possível. Será que realmente foi injuriado ou estou apenas com ego ferido por alguma verdade que me deram à queima roupa?

Acredito, portanto, que a par de uma reflexão simples como esta acima, nós podemos avaliar melhor as situações do dia-a-dia e consultar nossa consciência para decidir se realmente fomos lesados ou se tudo não passou de mal entendido, ego inflado, etc.

É preciso considerar, ainda, as consequências das nossas ações. Toda ação (ou falta dela), gera consequência. Estamos preparados para lidar com as consequências? De ir até as últimas consequências? Se eu não levar essa questão à justiça, o que pode acontecer? E seu levá-la, o que pode acontecer?

E, pesando essas situações, decidir o que for melhor. Não haverá constrangimento doutrinário algum se alguém resolver processar uma pessoa desde que seja uma causa justa, verdadeira e não simples vingança ou coisas do tipo.

Um breve caso…

Quando estudava no terceiro ano colegial, ocorreu uma briga na escola. Por causa de ciúmes, dois amigos agrediram um terceiro. A escola tentou abafar o caso, mas a mãe do garoto não deixou. Chamou a polícia, fez boletim de ocorrência e procurou o Juizado de Pequenas Causas.

Acontece que foi perguntado quem eram os agressores. Um, identificaram corretamente. O outro, disseram que se chamava Leonardo e que estudava no terceiro ano.

Na época, havia uma estagiária na secretaria e no calor dos fatos ela se atrapalhou toda e pegou o diário de presenças do terceiro ano para poder passar aos policias o nome completo do agressor. Ela achou: Leonardo Montes! Sim, eu mesmo!

Mas, tranquilizem-se! Eu nunca briguei na escola e nunca bati em ninguém… O que aconteceu é que a estagiária se atrapalhou e realmente pegou o diário do terceiro ano, só que do NOTURNO, onde eu estudava, enquanto a briga havia se dado no MATUTINO. Infelizmente, para este caso, havia um Leonardo no Matutino, que foi realmente quem bateu no rapaz, e não eu!

Resultado: Eu tive que comparecer diversas vezes no Juizado de Pequenas Causas, já que sempre um dos verdadeiros agressores faltavam e a sessão era adiada. Foram seis meses indo e vindo sendo acusado de bater em um rapaz que eu nunca vi na vida. Teve até uma advogada (ou Juíza, eu não me lembro) que me ameaçou de ir para a FEBEM (na época, ainda era FEBEM) e me disse coisas horríveis.

No fim, foi tudo muito desgastante. A escola arrumou um advogado para mim e tudo acabou bem. Meu pai queria processar a escola, mas eu pedi para deixar de lado. Foi uma lição para mim e acredito que para todos os envolvidos, especialmente para a estagiária, que acabou sendo demitida na época.

Anos depois, os agressores me pediram desculpas pelo ocorrido e por alguns meses cheguei a dar carona do trabalho para um deles.

 

Veduca

Não costumo publicar material não-espírita no blog, mas este vale a pena.

Recentemente conheci o site Veduca (www.veduca.com.br) que exibe aulas de grandes universidades sobre os mais diversos temas, de forma gratuita e livre (pelo menos, uma grande parte delas), legendadas em Português. Assim eles se definem:

Somos uma empresa brasileira cujo propósito é levar o ensino superior de alta qualidade a qualquer pessoa que se disponha a aprender. Acreditamos que você é o maior responsável pelo seu próprio desenvolvimento. Nosso trabalho é disponibilizar as melhores ferramentas para que você possa trilhar seu caminho de sucesso.

Imagine poder assistir aulas de Yale, Harvard e USP sem sair da sua casa e ainda com possibilidade de obter certificados?

Vale muito a pena!