Roteiro e Diálogos Espíritas

dialogosroteiro

Hoje gostaria de comentar a respeito de dois programas da rádio Boa Nova que são extremamente importantes para o conhecimento espírita.

O primeiro programa se chama “Roteiro”, apresentado pelo carismático Adriano Marques, de segunda à sexta às 18h30min. O apresentador faz diversas viagens pelo País, cobrindo eventos e entrevistando muitos convidados sobre os mais diversos assuntos relativos ao Espiritismo. Acredito que seja o melhor programa para nos dar uma visão ampliada sobre o Movimento Espírita Brasileiro e os diversos trabalhos realizados pelos muitos grupos em nosso País.

O segundo programa se chama “Diálogo Espíritas” e está no ar há 36 anos consecutivo, aos domingos às 09 horas da manhã (consegue imaginar quanta dedicação isso necessita?). O programa é apresentado, normalmente – pois os convidados variam -, por: Éder Fávaro, Américo Sucena, Aglaê Silveira e Milton Filipeli. Percebe-se que são pessoas bastante compromissadas com o Espiritismo e que buscam fazer um resgate de fatos e personagens importantes da história do Espiritismo.

O programa “Roteiro” nos mostra o que pensam e como trabalham os espíritas espalhados por esse imenso País, tornando-se, assim, um importante veículo informativo sobre tudo que está ocorrendo em nosso território. Já o programa “Diálogos Espíritas”, além de fazer um resgate histórico importante, ajuda a desenvolver a Cultura Espírita, tão esquecida ultimamente.

Além de se poder ouvir a rádio através do rádio (para quem mora em São Paulo), é possível ouvi-la também através da internet, no endereço: www.radioboanova.com.br – além disso, a rádio mantém um arquivo com os programas gravados e que podem ser ouvidos pela internet. Esses arquivos, normalmente, guardam programas por um ano. Portanto, há bastante material.

O acervo do programa “Roteiro” pode ser acessado aqui:

http://radioboanova.com.br/programacao/roteiro

O acervo do programa “Diálogos Espíritas” pode ser acessado aqui:

http://radioboanova.com.br/programacao/dialogos-espiritas/

 

A Brincadeira do copo: fatos e mitos

A brincadeira do copo é uma variante Brasileira da famosa tábua Ouija, uma prancheta contendo as letras do alfabeto de forma semicircular, as palavras “sim” e “não”, “olá” e “Adeus”, bem como números de zero a nove, onde um grupo de pessoas se reúne em torno, fazem uma evocação e ao tocar a tábua de indicação (normalmente em formato triangular com um furo no meio), um suposto espírito guia o movimento até a letra, número ou palavra que quisesse indicar.

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Mediunidade é sinal de evolução espiritual?

Esta é uma dúvida muito comum entre os iniciantes. Estes, normalmente, imaginam a mediunidade como uma espécie de poder especial dado a algumas pessoas por serem espíritos muito adiantados para cumprirem suas missões. Contudo, será isso mesmo?

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, lemos:

“Há quem se admire de que, por vezes, a mediunidade seja concedida a pessoas indignas, capazes de a usarem mal. Parece, dizem, que tão preciosa faculdade deveria ser atributo exclusivo dos de maior merecimento”.

(…)

“Digamos, antes de tudo, que a mediunidade é inerente a uma disposição orgânica, de que qualquer homem pode ser dotado, como da de ver, de ouvir, de falar”.

(…)

“Se só aos mais dignos fosse concedida a faculdade de comunicar com os Espíritos, quem ousaria pretendê-la? Onde, ao demais, o limite entre a dignidade e a indignidade? A mediunidade é conferida sem distinção, a fim de que os Espíritos possam trazer a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos retos, para os fortificar no bem, aos viciosos para os corrigir”.

Portanto, a mediunidade se manifesta tanto em pessoas boas quanto ruins. Logo, não é sinal de evolução espiritual.

Para compreender melhor esse processo, leia:

O Evangelho Segundo o Espiritismo – Não são os que gozam saúde que precisam de médico – item 12.

Mito: O suicídio de Allan Kardec

Quando comecei no Espiritismo, escutava com frequência a afirmação, principalmente por parte de Evangélicos, de que Kardec havia se matado e, portanto, o Espiritismo era uma doutrina falsa em si mesma.

Atualmente, isso parece ter perdido força, já que há anos não escuto essa bobagem. Contudo, eventualmente, algum iniciante (e este blog se destina ao iniciante) talvez escute isso. Portanto, para que não reste dúvida, vejam:

“Ele morreu como viveu, trabalhando. Há muitos anos, sofria de uma doença de
coração que não podia ser combatida senão pelo repouso intelectual e uma certa atividade material; mas, inteiramente em sua obra, se recusava a tudo o que pudesse absorver um de seus instantes, às expensas de suas ocupações prediletas. Nele, como em todas as almas fortemente temperadas, a lâmina gastou a bainha.

Seu corpo se entorpecia e lhe recusava seus serviços, mas seu espírito, mais vivo, 
mais enérgico, mais fecundo, estendia sempre mais o círculo de sua atividade.
Nessa luta desigual, a matéria não podia eternamente resistir. Um dia ela foi 
vencida; o aneurisma se rompeu, e Allan Kardec tombou fulminado. Um homem faltava à Terra; mas um grande nome tomava lugar entre as ilustrações deste século, um grande Espírito ia se retemperar no infinito, onde todos aqueles que ele havia consolado e esclarecido, esperavam impacientemente a sua vinda!

“A morte, dizia ele recentemente ainda, a morte atinge em golpes redobrados nas classes ilustres!… Aquém virá ela agora libertar?” Revista Espírita de 1869 – Maio – Biografia do Sr. Allan Kardec.

Portanto, a não ser que Aneurisma seja considerado uma forma de suicídio: não, Kardec NÃO se matou!

Allan Kardec, por seus amigos

kardec“Ninguém saberia, melhor do que eu, reconhecer as raras qualidades de Allan Kardec e render-lhe justiça.

Muitas vezes, em minhas longas viagens, vi o quanto era ele amado, estimado e compreendido por todos os adeptos. Todos desejavam conhece-Io pessoalmente a fim de lhe agradecer por ele lhes ter dado a luz através de suas obras e lhe testemunhar sua gratidão e seu inteiro devotamento. Eles ainda o amam até hoje, como a um verdadeiro pai. Todos lhe proclamam o gênio e o reconhecem como o mais profundo dos filósofos modernos. Contudo, estarão em condições de o apreciar em sua vida privada, isto é, em suas ações?

Poderiam avaliar a bondade de seu coração, seu caráter tão firme quanto justo, a benevolência de que usava em suas relações, a caridade efetiva que inundava sua alma, sua prudência e sua extrema delicadeza? – Não!

Muitas vezes eu tive a honra de ser recebido em sua intimidade. Como testemunhei algumas de suas boas ações, creio não ser descabido fazer algumas citações aqui.

Um amigo meu de Joinville, o Sr. P…, veio ver-me certo dia. Fomos juntos à vila Ségur, a fim de visitar o Mestre. No decorrer da conversa, o Sr. P… narrou a vida de privações por que passava um compatriota seu, já avançado em idade e a quem tudo faltava, inclusive agasalhos para se cobrir no inverno, e obrigado a proteger os pés desnudos em toscos tamancos. Esse homem de bem, entretanto, longe estava de se lastimar e, sobretudo, de pedir auxílio: era um pobre envergonhado.

É que uma brochura espírita lhe caíra sob os olhos, permitindo-lhe haurir na Doutrina a resignação para as suas provas e a esperança de um futuro melhor.

Vi, então, rolar uma lágrima compassiva dos olhos de Allan Kardec e, confiando ao meu amigo algumas moedas de ouro, disse-lhe: “Tomai-as para que possais prover às necessidades materiais mais prementes do vosso protegido. E, já que ele é espírita e suas condições não lhe permitem instruir-se tanto quanto ele desejaria, voltai amanhã. Sereis portador de todas as obras de que eu puder dispor, a fim de as entregar a ele”. Allan Kardec cumpriu a promessa e hoje o velhinho bendiz o nome do benfeitor que, não satisfeito em socorrer sua miséria, ainda lhe dava o pão da vida, a riqueza da inteligência e da moral.

Alguns anos atrás, recomendaram-me uma pessoa reduzida à extrema miséria, expropriada violentamente de sua casa e jogada sem recursos no olho da rua, com a mulher e os filhos. Fiz-me intérprete desses infortunados junto ao mestre. No mesmo instante, sem querer conhecê-Ios, sem mesmo inquirir de suas crenças (eles não eram espíritas), Allan Kardec forneceu-me os meios de os tirar da miséria, o que lhes evitou o suicídio, pois já haviam decidido libertar-se do fardo da vida, tornado pesado demais às suas almas desalentadas, caso tivessem que renunciar à assistência dos homens.

Permita que eu narre ainda o seguinte fato, em que a generosidade de Kardec rivaliza com sua delicadeza.

Um espírita, residente num lugarejo situado a vinte léguas de Paris, havia pedido a Allan Kardec que lhe concedesse a honra de uma visita, a fim de que assistisse às manifestações espíritas que com ele se produziam. Sempre solícito, quando se tratava de prestar um obséquio, e atento ao princípio de que o Espiritismo e os espíritas devem assistir os humildes e os pequenos, logo partiu, acompanhado de alguns amigos e da Sra. Allan Kardec, sua estimada companheira.

Não teve por que se arrepender de sua resolução, porquanto as manifestações que testemunhou foram verdadeiramente notáveis. Mas, durante sua curta permanência ali, seu anfitrião foi cruelmente afligido pela perda súbita de uma parte de seus recursos. Consternados, os pobres dissimulavam o seu pesar tanto quanto lhes era possível. Todavia, a notícia do desastre chegou a Allan Kardec e, no momento de partir, tendo-se informado da cifra aproximada do prejuízo, remeteu ao administrador da cidade uma soma mais que suficiente para restabelecer o equilíbrio financeiro da situação do seu hospedeiro. O lavrador só tomou conhecimento da intervenção de seu benfeitor após a partida deste.

Antes de terminar, impossível resistir ao desejo de vos revelar este último fato. Uma tarde, certa pessoa de minhas relações, que passava por cruéis provações, mas que a todos ocultava sua miséria, encontrou na portaria uma carta lacrada, restrita a estas simples palavras: “Da parte dos bons Espíritos”, contendo recursos suficientes para ajudá-Ia a sair da crítica situação em que se achava. Do mesmo modo que a bondade do mestre lhe descobrira o infortúnio, meu amigo, guiado por alguns indícios e pela voz do coração, logo reconheceu o seu anônimo benfeitor.

Eu não pararia de falar, se me fosse dado lembrar os milhares de fatos deste gênero, conhecidos tão-somente por aqueles que ele socorreu; porque ele não aliviava apenas a miséria material, mas também levantava, com palavras confortadoras, o moral abatido, e isto sem que sua mão esquerda soubesse o que dava a direita.

Eis o coração desse filósofo, tão desconhecido durante sua vida! A despeito de tudo, quem mais do que ele, tão bom, tão nobre, tão grande em suas palavras quanto em suas ações, foi mais alvo da injúria e da calúnia? E, contudo, não tinha como inimigos senão os que não o conheciam; porque, quando o apreciavam melhor, mesmo sem partilhar suas opiniões filosóficas, eram forçados a render homenagem à sua boa-fé.

Seus críticos, que dele não conheciam senão a bandeira, tentaram indispô-Io contra a opinião pública, sem averiguar que os boatos que produziam não continham o menor fundamento. Mas ele empunhou essa bandeira tão altiva e firmemente que nenhuma mancha foi capaz de atingí-Ia, e a lama com que a queriam encobrir apenas sujou a mão dos panfletários.

Caro Mestre, nobre e grande Espírito, paira, em tua majestade, sobre os que te amam e respeitam! Observa os que te são inteiramente devotados! Continua sobre eles a tua intervenção caridosa e protetora! Transmite às suas almas o fogo sagrado que te anima, a fim de que, profundamente convencidos dos imortais princípios que professaste, possam eles marchar sobre tuas pegadas, imitando tuas virtudes! Faze que reinem entre nós a concórdia, o amor e a paz, a fim de que possamos reunir-nos a ti, quando houver soado para nós a hora da libertação!…”

 

Sr. E. Muller[2]

Fonte: Revista Espírita de 1869.

Obs.: Transcrição do boletim do IPEAK (www.ipeak.com.br)

Somos os mais atrasados?

Hoje tive a ideia de aproveitar algumas questões que frequentemente aparecem no Facebook e utilizá-las aqui como exemplos de dúvidas comuns dos iniciantes. Contudo, para não expor a pessoa, vou reescrever essencialmente a pergunta feita.

Neste caso, a pergunta é:

Os espíritos encarnados na Terra são os menos evoluídos? E é verdade que esta é a nossa última encarnação?

Resposta:

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 3, são divididos assim os mundos: Primitivos, Provas e Expiações, Regeneração, Felizes e Divinos.

A Terra é um Mundo de Provas e Expiações em fase de transição para regeneração. Portanto, os espíritos que aqui estão encarnados já percorreram algum grau de progresso. Contudo, estão distantes da perfeição.

O que ocorre com frequência é a confusão de uma questão de O Livro dos Espíritos, onde é dito que a Terra ainda é um dos mundos “mais materiais”, o que não quer dizer que seja o MAIS material.

172.As nossas diversas existências corporais se verificam todas na Terra?

“Não; vivemo-las em diferentes mundos. As que aqui passamos não são as primeiras, nem as últimas; são, porém, das mais materiais e das mais distantes da perfeição.”

Porém, como se pôde ver na própria resposta, é dito: não são as primeiras, nem as últimas. Não somos os mais atrasados, mas ainda estamos longe do fim. Reencarnaremos ainda muitas outras vezes.

Sobre o livre-pensar

É muito comum em depoimentos, artigos e eventos promovidos pela Confederação Espírita Pan-Americana (CEPA), o uso da expressão livre-pensar para designar a atitude que os cepeanos têm diante do Espiritismo. Faz parte, inclusive, do slogan da entidade: kardecista, progressista e livre-pensadora, como lemos a seguir no texto extraído do site oficial da confederação:

“Livre-pensadora porque convida seus integrantes e as pessoas em geral a gozarem, em sua plenitude, do direito ao livre exame de todas as ideias, sem qualquer dogmatismo, e ao aproveitamento de toda reflexão, com critérios e métodos dentro e fora do Espiritismo”.
“Liberdade de pensamento, de expressão e crítica são condições necessárias para um espírita autêntico poder se expressar. São direitos irrenunciáveis que a CEPA garante a todas as pessoas a ela vinculadas.” [www.cepainfo.org].

Mas o que é esse livre-pensar e como ele se situa no contexto da cultura espírita? Qual o seu significado para a filosofia espírita?

TRIUNFO DA RAZÃO

O livre-pensar ressurge de modo triunfante no final da Idade Média, com o advento da modernidade, inaugurada por grandes pensadores e cientistas, como Copérnico, Galileu, Kepler, Descartes, Bacon, pelos humanistas do Quattrocento, os renascentistas e, sobretudo, pelos Iluministas do Século das Luzes.

Foi o Humanismo, filho dileto da Modernidade, o grande responsável pela mudança de foco e de atitude frente às questões do homem e do mundo. No lugar da fé cega, a razão. O livre-pensar ao invés do dogmatismo. A Filosofia em oposição a Teologia. O ser humano como a razão de ser de qualquer atividade humana, o centro de tudo, mudando-se assim o eixo de análise, o eixo de importância na compreensão da realidade humana. Tal modo de pensar coincide com o fim da Idade Média, do feudalismo e o triunfo da burguesia. Os tempos são outros…

O livre-pensamento se desenvolve no seio da nascente modernidade, como parte de uma atitude universalista de independência, autonomia e autodeterminação diante da realidade, em oposição a uma concepção dogmática e teológica que dominou a filosofia e o saber durante séculos. O livre-pensar é humanista e anticlerical por natureza porque significa uma nova atitude diante do homem e do mundo, amparada pela razão e a experiência, pelo reto pensar. A razão é a luz que ilumina a consciência e a liberta das trevas da ignorância religiosa, cavando assim um fosso profundo entre a ciência e a religião.

KARDEC E O LIVRE-PENSAR

De formação humanista e iluminista, o pedagogo Denizard Rivail, impregnado pelo espírito científico de seu tempo (o positivismo), estruturou uma filosofia espiritualistaonde a observação, o livre exame, a razão, numa palavra, o livre-pensar, são componentes fundamentais em seu processo de construção. É interessante observar o que Allan Kardec tem a dizer sobre o livre-pensar.

Em um artigo sobre o avanço do movimento espírita francês, Kardec faz uma interessante análise das duas correntes antagônicas, o espiritualismo e o materialismo, “que dividem a sociedade atual”. As nuances dessas duas correntes são classificadas pelo fundador do Espiritismo em 15 categorias. Os indiferentes, panteístas, deístas, crentes progressistas etc. são algumas das categorias. O que nos interessa é a 14ª categoria, a dos livres-pensadores:

“14º – Os livres-pensadores, nova denominação pela qual se designam os que não se sujeitam à opinião de ninguém em matéria de religião e de espiritualidade, que não se julgam atrelados pelo culto em que o nascimento os colocou sem o seu consentimento, nem obrigados à observação de práticas religiosas quaisquer. Esta qualificação não especifica nenhuma crença determinada; pode aplicar-se a todas as nuanças do espiritualismo racional, tanto quanto à mais absoluta incredulidade. Toda crença eclética pertence ao livre-pensamento; todo homem que não se guia pela fé cega é, por isto mesmo, livre-pensador. A este título os espíritas também são livres-pensadores.”

Kardec faz uma ressalva e descarta o sectarismo, os “radicais do livre-pensamento”, que deveriam ser incluídos na categoria dos materialistas por sistema, denominação equivalente ao cético agnóstico e sistemático, portanto fanático como qualquer religioso fundamentalista:

“Mas para os que podem ser chamados os radicais do livre-pensamento, esta designação tem uma acepção mais restrita e, a bem dizer, exclusiva; para estes, ser livre-pensador não é apenas crer no que vê: é não crer em nada; é libertar-se de todo freio, mesmo do temor de Deus e do futuro; a espiritualidade é um estorvo e não a querem. Sob este símbolo da emancipação intelectual, procuram dissimular o que a qualidade de materialista e de ateu tem de repulsivo para a opinião das massas e, coisa singular, é em nome desse símbolo, que parece ser o da tolerância por todas as opiniões, que atiram pedra a quem quer que não pense como eles. Há, pois, uma distinção essencial a fazer entre os que se dizem livres-pensadores, como entre os que se dizem filósofos. Eles se dividem naturalmente em: Livres-pensadores incrédulos, que entram na 5ª categoria [os materialistas por sistema]; e livres-pensadores crentes, que pertencem a todas as nuanças do espiritualismo racional.” (Allan Kardec – Olhar Retrospectivo Sobre o Movimento Espírita – “Revista Espírita” (FEB), janeiro de 1867, grifo meu).

O DESEJO DE KARDEC

O que interessa mesmo ressaltar é a visão de Kardec acerca do livre-pensar, desenvolvida de forma didática, incisiva e bem sintética, captando e expondo o espírito da Doutrina Espírita: não se sujeitar a nenhuma opinião em matéria de religião e de espiritualidade ou de alguma prática religiosa qualquer. Ser eclético porque tal atitude corresponde ao livre-pensamento. Não se guiar pela fé cega. Segundo Kardec, “os espíritas também são livres-pensadores”.

Ao admitir o livre-pensar como a atitude autêntica e necessária diante das ideias, a CEPA se alinha ao desejo de Allan Kardec, de fazer do Espiritismo um movimento onde a liberdade de consciência seja uma de suas marcas registradas, em suma, um movimento de livres-pensadores.

Eugenio Lara, arquiteto e designer gráfico, é fundador e editor do site PENSE – Pensamento Social Espírita [www.viasantos.com/pense], membro-fundador do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDoc) e articulista dos jornais Opinião (Porto Alegre-RS) e Abertura (Santos-SP). É autor do livro “Breve Ensaio Sobre o Humanismo Espírita” e dos livros em edição digital: “Racismo e Espiritismo”; “Milenarismo e Espiritismo”; “Amélie Boudet, uma Mulher de Verdade (ensaio biográfico)”; “Conceito Espírita de Evolução e Os Quatro Espíritos de Kardec”. E-mail: eugenlara@hotmail.com

Fontehttp://www.viasantos.com/pense/arquivo/1444.html

Obs.: Como espírita, sem dúvida a expressão “livre-pensador” me representa muito bem, embora não me sinta, de modo algum, vinculado a alguma entidade, seja FEB, seja CEPA.

Exclusivo: Marcel Souto Maior fala sobre a biografia de Allan Kardec

Uma nova biografia de Allan Kardec se “materializa” nas livrarias neste mês de outubro e não se trata de nenhum “fenômeno mediúnico”. Nem por isso, desprovido de novidade, mesmo Kardec sendo uma personalidade (re) conhecida por espíritas e não-espirítas. O que torna a obra um atrativo é o seu autor: Marcel Souto Maior, jornalista, não-espirita e biógrafo de Chico Xavier, em obra — entre outras — que deu origem ao filme sobre o médium brasileiro.

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