Primeiros resultados do estudo AWARE

Fábio José Lourenço Bezerra
          sam parnia
 Conforme já mencionamos no texto As Experiências de Quase-Morte, neste blog, o Dr Raymond Moody Jr. resumiu da seguinte forma, em seu livro Vida Depois da Vida, esse fenômeno:
 “Um homem está morrendo e, quando chega ao ponto de maior aflição física, ouve seu médico declará-lo morto. Começa a ouvir um ruído desagradável, um zumbido alto ou toque de campainhas, e ao mesmo tempo se sente movendo muito rapidamente através de um túnel longo e escuro. Depois disso, repentinamente se encontra fora do seu corpo físico, mas ainda na vizinhança imediata do ambiente físico, e vê seu próprio corpo a distância, como se fosse um espectador. Assiste às tentativas de ressurreição desse ponto de vista inusitado em um estado de perturbação emocional.
Depois de algum tempo, acalma-se e vai se acostumando à sua estranha condição. Observa que ainda tem um “corpo”, mas um corpo de natureza muito diferente e com capacidades muito diferentes das do corpo físico que deixou para trás. Logo outras coisas começam a acontecer. Outros vêm ao seu encontro e o ajudam. Vê de relance os espíritos de parentes e amigos que já morreram e aparece diante dele um caloroso espírito de uma espécie que nunca encontrou antes – um espírito de luz. Este ser pede-lhe, sem usar palavras, que reexamine sua vida, e o ajuda mostrando uma recapitulação panorâmica e instantânea dos principais acontecimentos de sua vida. Em algum ponto encontra-se chegando perto de uma espécie de barreira ou fronteira, representando aparentemente o limite entre a vida terrena e a vida seguinte. No entanto, descobre que precisa voltar para a Terra, que o momento da sua morte ainda não chegou. A essa altura oferece resistência, pois está agora tomado pelas suas experiências no após-vida e não quer voltar. Está agora inundado de sentimentos de alegria, amor e paz. Apesar dessa atitude, porém, de algum modo se reúne ao seu corpo físico e vive.
           Mais tarde tenta contar o acontecido a outras pessoas, mas tem dificuldade em fazê-lo. Em primeiro lugar, não consegue encontrar palavras humanas adequadas para descrever esses episódios não-terrenos. Descobre também que os outros caçoam dele, e então deixa de dizer essas coisas. Ainda assim, a experiência afeta profundamente sua vida, especialmente suas opiniões sobre a morte e as relações dela com a vida”.
Atualmente, está em curso o mega estudo AWARE (sigla inglesa para “consciência durante ressuscitação”), liderado pelo Dr. Sam Parnia (um dos maiores especialistas do mundo no estudo científico da morte, do estado da mente humana, do cérebro e das experiências de quase-morte), e coordenado pela Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha, que começou em 25 hospitais na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, desde setembro de 2008. Este estudo tinha como objetivo, inicialmente, examinar experiências de quase-morte em 1500 pacientes, sobreviventes de ataque cardíaco, durante 3 anos. Contudo, a duração do estudo e o número de hospitais que participam dele foram ampliados, inclusive com a inclusão de hospitais no Brasil e em outras partes do mundo. Nele, os especialistas estão verificando se as pessoas que tiveram suspenso o seu batimento cardíaco ou atividade cerebral podem ter experiências de se ver fora do próprio corpo. Para testar a “visão de cima”, os pesquisadores vão instalar prateleiras especiais em áreas de atendimento de emergência dos hospitais. Elas contêm fotografias que só podem ser vistas de cima.
O Dr Parnia relatou, em entrevista no dia 23 de fevereiro deste ano ao site NPR, alguns resultados iniciais do estudo AWARE: cerca de 1 em 1.000 pacientes lembrou-se de uma EQM que incluía a experiência de sair do corpo. Foram relatadas uma série de experiências fora do corpo, mas algumas sem visualização dos alvos instalados nas prateleiras acima deles, e alguns olharam para os eventos na sala de ressuscitação em um ângulo diferente de onde estava a prateleira, mas descreveram detalhes precisos do que ocorria na sala. Por causa disso, os pesquisadores estão reajustando o estudo.
 Numa entrevista ao The Guardian, em 6 de abril deste ano, ele disse:
“Quando comecei a me interessar nessas questões mente / corpo, fiquei surpreso ao descobrir que ninguém tinha sequer começado a apresentar uma teoria sobre exatamente como os neurônios no cérebro podem gerar pensamentos”, diz ele. “Nós sempre assumimos que todos os cientistas acreditam que o cérebro produz a mente, mas na verdade há muitos que não estão certos disso. Neurocientistas proeminentes, tais como Sir John Eccles, um prêmio Nobel, acreditam que nunca vão entender a mente através da atividade neuronal. Tudo o que posso dizer é que eu tenho observado desde a minha obra, parece que quando a consciência encerra na morte, psique, ou alma – pelo qual eu não quero dizer fantasmas mas o seu eu individual – persiste por pelo menos aquelas horas antes de ser ressuscitado (grifo nosso).
Desde que poderíamos justificadamente começar  a concluir que o cérebro está agindo como um intermediário para manifestar a sua idéia de alma ou eu, mas não pode ser a fonte ou o autor dela … Eu acho que a prova está começando a sugerir que devemos manter as nossas mentes abertas para a possibilidade de que a memória, enquanto, obviamente, uma entidade científica de algum tipo – Eu não estou dizendo que ela é mágica ou qualquer coisa assim – não é neuronal “(grifo nosso).
O Dr. Parnia, em sua entrevista acima, mostra claramente que está se convencendo de que o eu individual, a alma humana, é independente dos neurônios cerebrais, conforme suas próprias palavras, que grifamos acima.
            Em outras palavras, os resultados preliminares do estudo AWARE evidenciaram o que o Espiritismo nos ensina há mais de 150 anos: que a alma não é produto do cérebro, sendo algo independente, ou seja, um Espírito, entidade ainda não compreendida pela ciência atual, temporariamente ligada a um corpo físico perecível, e que sobrevive à destruição deste. O corpo físico nada mais é do que um veículo do Espírito, para sua interação com o mundo material, onde passa por experiências necessárias à sua evolução.

Ao longo dos anos, percebemos que responder aos contraditores, quase sempre munidos de paixão pessoal, nos custava tempo e energia que poderiam ser aplicados em algo mais útil. Por essa razão, não respondemos ataques. Ofensas serão deletadas.

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