Arquivo mensal: julho 2013

Perispírito – Algumas considerações II

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Leia a primeira parte do diálogo aqui…

Continuação…

16. Eu já li em alguns livros e até mesmo em relatos de EQM onde o espírito diz que dormiu logo após a morte. Como fica isso?

Uma das coisas que Kardec nos alerta logo na introdução de O Livro dos Espíritos, é sobre a dificuldade em escolher as palavras para representar as coisas novas.

Acho que seja o caso. Sono é uma boa palavra para descrever um estado confuso de consciência ou mesmo ausência de consciência por algum tempo. A morte causa uma espécie de choque ao espírito que perde completamente sua referência corporal e temporal e, ao recuperá-la, compara este intervalo como um período de sono. (LE-165)

17.  Voltando a comida. É praticamente senso-comum no meio espírita que os espíritos comem. Pelo menos, os espíritos mais próximos da Terra.

Sim. É verdade. Contudo, não foi sempre assim. Durante as primeiras décadas do Espiritismo não se falava sobre este assunto. Kardec até estudou alguns casos sobre isso, mas seriam apenas sensações, lembranças, repercussões de um estado material ainda refletindo sobre o perispírito (LE-257).

18. É, estou bastante confuso. Pelo visto, eu nada sei sobre o perispírito e, o pior, não sei em que acreditar com tanta informação desencontrada que o Senhor está me passando.

Eu te entendo e também passei por isso. É o que costumo chamar de: a contra mão do conhecimento. A gente acha que sabe alguma coisa de Espiritismo pelo que aprendemos no Centro e, de repente, vamos estudar na fonte e vemos que está tudo diferente.

19. E como conciliar?

Não há caminhos prontos. Você terá que construir o seu. Alguns se decepcionam, outros se enraivecem e eu te convido a estudar mais profundamente e ponderar melhor quando tiver mais conhecimento. Lembre-se: tudo ainda é muito especulativo e ninguém deu a palavra final sobre o assunto. Estou apenas confrontando o saber que você adquiriu no centro, com aquilo que escreveu Kardec. No fim, parece que estamos falando de duas doutrinas diferentes, não é mesmo? (risos).

20. Sim, o senhor está certo… Porém, isso não me consola. Praticamente, tudo que li fala o contrário do que o Senhor está me dizendo. Até a imagem que tenho do Mundo Espiritual está confusa. Mas, me diga, o que mais se diz sobre o perispírito que não possui respaldo na obra de Kardec?

Bem, vejamos… Você já deve ter ouvido falar que o suicida fere o perispírito, certo?

21. Sim, já ouvi falar muito isso. Se alguém dá um tiro na cabeça, por exemplo, isso afetaria o perispírito e numa encarnação futura a pessoa poderia nascer com problemas mentais, uma vez que feriu o seu cérebro perispiritual.

Sim. É isso mesmo que dizem. Porém, você já pensou sobre o que ocorre quando alguém dá um tiro na própria cabeça ou quando leva um tiro na sua cabeça? A bala é a mesma, vai atravessar a matéria e danificá-la da mesma forma. Isso fará com que uma pessoa assassinada reencarne com problemas mentais?

22. Não! Sem dúvida, não! A diferença está na intenção… A pessoa que é assassinada não quer morrer. A que se mata, sim!

Isso é verdade. Mas, e se eu te dissesse que, segundo Kardec, o perispírito é indestrutível? Já imaginou como algo indestrutível pode ser destrutível mediante uma bala de revolver? (O Principiante Espírita, item 9).

23. Como assim?

O perispírito não é, propriamente, imaterial. Ele é semimaterial. Isto é, participa, ao mesmo tempo, de duas naturezas: a física e a espiritual. Se assim não fosse, o perispírito, que é o veículo das sensações do espírito (LE-249), não permitira ao espírito ter quaisquer sensações. E o que ocorre é bem diferente. Os espíritos nos veem, ouvem etc. E fazem isso através do perispírito. Isto quer dizer que, de alguma forma, nossas moléculas materiais repercutem no perispírito, dando-lhes as sensações.

24. Bem, se é assim, porque uma bala não poderia feri-lo?

Essa repercussão (LE-257) – por falta de termo melhor -, é como uma lembrança ao espírito. Ela é muito leve, sutil. Não é capaz de trazer a mesma vivacidade que nossos órgãos. Em O Livro dos Espíritos (LE-91), ao perguntar sobre o obstáculo que a matéria poria aos espíritos, é respondido que não há nenhum. Eles poderiam passar mesmo por um fogo sem problemas. Se a repercussão fosse tão intensa, eles não deveriam se queimar?

Continua…

Brasileira prova que cartas foram psicografadas

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São Paulo – Há quem diga que ciência e religião não combinam. Mas a pesquisadora Cíntia Alves da Silva demonstrou, em uma tese acadêmica, que a linha que separa essas duas áreas, na verdade, é tênue. Estudou cartas psicografadas pelo médium Chico Xavier em seu doutorado de linguística pela Unesp. E concluiu que essas cartas foram escritas por pessoas diferentes.

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Obs.: O título da matéria é sensacionalista…

Pausa no estudo virtual

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Como alguns frequentadores mais assíduos do nosso estudo virtual sabem, tivemos que mudar o horário de estudo algumas vezes para poder realizá-los melhor, já que o tempo era diminuto.

Ocorre que, com a chegada do novo semestre eletivo, tudo muda novamente e os dias vagos que tínhamos disponíveis para a realização do estudo, talvez não tenhamos mais.

Assim, comunicamos a todos os interessados que estamos suspendendo o estudo do livro A Obsessão, de Allan Kardec por tempo indefinido.

Aproveitamos, também, para agradecer a todos que nos acompanharam nesses quase seis meses de atuação virtual e pelas longas horas de debates proveitosos.

Contudo, aproveitamos para anunciar que iremos começar a gravação do estudo off-line do livro: A Prece Segundo o Evangelho, que logo disponibilizaremos.

Obrigado!

Torteroli: Um Nome a Ser Lembrado

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Afonso Angeli Torteroli foi uma das figuras mais importantes do movimento espírita brasileiro do século 19. Como não temos, até hoje, um trabalho biográfico que faça jus ao valor desse confrade, procurei preencher essa lacuna, relembrando sua atuação aos mais velhos e apresentando-o às novas gerações.

Existem divergências quanto ao local e data do nascimento de Torteroli. O Reformador afirma que ele nasceu no Rio de Janeiro no dia 2 de junho de 1849. Já o pesquisador Antônio Lucena diz que o nosso biografado nasceu em Gênova, na Itália, aos 23 de setembro de 1848.

Quanto à data da morte, porém, há concordância, pois todos os registros indicam que sua desencarnação se deu no Rio de Janeiro, a 11 de janeiro de 1928.

Apesar de formado em Direito, Angeli Torteroli tirava sua subsistência do trabalho de professor e jornalista. Como espírita, seu nome está ligado aos principais trabalhos doutrinários desenvolvidos no Rio de Janeiro, no final do século passado. A saber:

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O curso de formação de pesquisadores espíritas na UFSC

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A ciência espírita não é uma miragem. Foi este o sentimento que emergiu no encerramento, neste domingo, 14.07.2012, da I Turma do Curso de Formação de Pesquisadores Espíritas, desenvolvido pelo NEOPE-VPCC, da FEC.

A iniciativa tem uma dupla potência. De um lado, o respaldo do conhecimento espírita advindo de uma federativa. De outro, a chancela acadêmico-científico da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), incluído como atividade de Extensão Universitária em Pesquisa em Transfenomenologia. Um projeto em harmonia com o pensamento abrangente da Codificação, a cargo do professor Francisco Fialho, do Departamento de Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC.

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Poltergeist – Você acredita?

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Poltergeist significa, em ressumo, “Espírito que provoca ruídos”, ou como Kardec os chamava: “espíritos batedores”. (ver: O Livro dos Espíritos, Escala Espírita).

Não se pode dizer que o vídeo acima seja real, pois não sabemos se houve uma investigação criteriosa do caso. Expomos aqui na condição de “doutrinariamente plausível” e por ser muito interessante.

Não recomendo para pessoas sensíveis.

Para ver o documentário completo, clique aqui.

Primeiros resultados do estudo AWARE

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Fábio José Lourenço Bezerra
          sam parnia
 Conforme já mencionamos no texto As Experiências de Quase-Morte, neste blog, o Dr Raymond Moody Jr. resumiu da seguinte forma, em seu livro Vida Depois da Vida, esse fenômeno:
 “Um homem está morrendo e, quando chega ao ponto de maior aflição física, ouve seu médico declará-lo morto. Começa a ouvir um ruído desagradável, um zumbido alto ou toque de campainhas, e ao mesmo tempo se sente movendo muito rapidamente através de um túnel longo e escuro. Depois disso, repentinamente se encontra fora do seu corpo físico, mas ainda na vizinhança imediata do ambiente físico, e vê seu próprio corpo a distância, como se fosse um espectador. Assiste às tentativas de ressurreição desse ponto de vista inusitado em um estado de perturbação emocional.
Depois de algum tempo, acalma-se e vai se acostumando à sua estranha condição. Observa que ainda tem um “corpo”, mas um corpo de natureza muito diferente e com capacidades muito diferentes das do corpo físico que deixou para trás. Logo outras coisas começam a acontecer. Outros vêm ao seu encontro e o ajudam. Vê de relance os espíritos de parentes e amigos que já morreram e aparece diante dele um caloroso espírito de uma espécie que nunca encontrou antes – um espírito de luz. Este ser pede-lhe, sem usar palavras, que reexamine sua vida, e o ajuda mostrando uma recapitulação panorâmica e instantânea dos principais acontecimentos de sua vida. Em algum ponto encontra-se chegando perto de uma espécie de barreira ou fronteira, representando aparentemente o limite entre a vida terrena e a vida seguinte. No entanto, descobre que precisa voltar para a Terra, que o momento da sua morte ainda não chegou. A essa altura oferece resistência, pois está agora tomado pelas suas experiências no após-vida e não quer voltar. Está agora inundado de sentimentos de alegria, amor e paz. Apesar dessa atitude, porém, de algum modo se reúne ao seu corpo físico e vive.
           Mais tarde tenta contar o acontecido a outras pessoas, mas tem dificuldade em fazê-lo. Em primeiro lugar, não consegue encontrar palavras humanas adequadas para descrever esses episódios não-terrenos. Descobre também que os outros caçoam dele, e então deixa de dizer essas coisas. Ainda assim, a experiência afeta profundamente sua vida, especialmente suas opiniões sobre a morte e as relações dela com a vida”.
Atualmente, está em curso o mega estudo AWARE (sigla inglesa para “consciência durante ressuscitação”), liderado pelo Dr. Sam Parnia (um dos maiores especialistas do mundo no estudo científico da morte, do estado da mente humana, do cérebro e das experiências de quase-morte), e coordenado pela Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha, que começou em 25 hospitais na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, desde setembro de 2008. Este estudo tinha como objetivo, inicialmente, examinar experiências de quase-morte em 1500 pacientes, sobreviventes de ataque cardíaco, durante 3 anos. Contudo, a duração do estudo e o número de hospitais que participam dele foram ampliados, inclusive com a inclusão de hospitais no Brasil e em outras partes do mundo. Nele, os especialistas estão verificando se as pessoas que tiveram suspenso o seu batimento cardíaco ou atividade cerebral podem ter experiências de se ver fora do próprio corpo. Para testar a “visão de cima”, os pesquisadores vão instalar prateleiras especiais em áreas de atendimento de emergência dos hospitais. Elas contêm fotografias que só podem ser vistas de cima.
O Dr Parnia relatou, em entrevista no dia 23 de fevereiro deste ano ao site NPR, alguns resultados iniciais do estudo AWARE: cerca de 1 em 1.000 pacientes lembrou-se de uma EQM que incluía a experiência de sair do corpo. Foram relatadas uma série de experiências fora do corpo, mas algumas sem visualização dos alvos instalados nas prateleiras acima deles, e alguns olharam para os eventos na sala de ressuscitação em um ângulo diferente de onde estava a prateleira, mas descreveram detalhes precisos do que ocorria na sala. Por causa disso, os pesquisadores estão reajustando o estudo.
 Numa entrevista ao The Guardian, em 6 de abril deste ano, ele disse:
“Quando comecei a me interessar nessas questões mente / corpo, fiquei surpreso ao descobrir que ninguém tinha sequer começado a apresentar uma teoria sobre exatamente como os neurônios no cérebro podem gerar pensamentos”, diz ele. “Nós sempre assumimos que todos os cientistas acreditam que o cérebro produz a mente, mas na verdade há muitos que não estão certos disso. Neurocientistas proeminentes, tais como Sir John Eccles, um prêmio Nobel, acreditam que nunca vão entender a mente através da atividade neuronal. Tudo o que posso dizer é que eu tenho observado desde a minha obra, parece que quando a consciência encerra na morte, psique, ou alma – pelo qual eu não quero dizer fantasmas mas o seu eu individual – persiste por pelo menos aquelas horas antes de ser ressuscitado (grifo nosso).
Desde que poderíamos justificadamente começar  a concluir que o cérebro está agindo como um intermediário para manifestar a sua idéia de alma ou eu, mas não pode ser a fonte ou o autor dela … Eu acho que a prova está começando a sugerir que devemos manter as nossas mentes abertas para a possibilidade de que a memória, enquanto, obviamente, uma entidade científica de algum tipo – Eu não estou dizendo que ela é mágica ou qualquer coisa assim – não é neuronal “(grifo nosso).
O Dr. Parnia, em sua entrevista acima, mostra claramente que está se convencendo de que o eu individual, a alma humana, é independente dos neurônios cerebrais, conforme suas próprias palavras, que grifamos acima.
            Em outras palavras, os resultados preliminares do estudo AWARE evidenciaram o que o Espiritismo nos ensina há mais de 150 anos: que a alma não é produto do cérebro, sendo algo independente, ou seja, um Espírito, entidade ainda não compreendida pela ciência atual, temporariamente ligada a um corpo físico perecível, e que sobrevive à destruição deste. O corpo físico nada mais é do que um veículo do Espírito, para sua interação com o mundo material, onde passa por experiências necessárias à sua evolução.