Escala Espírita – Uma reflexão

Erick S. A. Machado – ericksamachado@hotmail.com
Classificação e Doutrina Espírita

A lógica humana, desde tempos primórdios, aprendeu a classificar e organizar objetos para maior e melhor controle e compreensão. Naturalmente estabelecemos conjuntos e escalas, a partir de critérios objetivos, lógicos, numéricos e até subjetivos. Dividimos os animais em perigosos e inofensivos, e dentro desses conjuntos estabelecemos escalas de periculosidade (um leão é mais perigoso que um gato). Entre as plantas e frutos, separamos aqueles que podem ser comidos dos que não podem. E, dentre os comestíveis, há uma escala baseada no quão agradável ao paladar é um determinado alimento – que varia dependendo do indivíduo. Os exemplos são infinitos, os conceitos são intuitivos e sua utilidade é inegável.

O Espiritismo enquanto ciência prática é o estudo da relação entre os encarnados e os Espíritos. Muito embora a grande participação de Kardec em sua observação, organização, pedagogia e divulgação, seu conteúdo emana fundamentalmente do que foi recolhido em comunicações mediúnicas.Essas informações brutas posteriormente foram selecionadas, avaliadas, estudadas e debatidas, não só pelos encarnados como pelos próprios desencarnados, confrontando ideias e submetendo-as à razão – o resultado desse processo, uma filosofia com consequências morais, é a Doutrina Espírita.

As diversas áreas do conhecimento necessitam classificar seus objetos de estudo. A Botânica classifica as plantas, a Química classifica os elementos e as substâncias, a Astronomia classifica os corpos celestes, e assim por diante. O principal objeto a ser classificado pelo Espiritismo são os próprios Espíritos – é a premissa de que eles existem e que podem se comunicar que fundamenta essa doutrina.Uma vez compreendida a necessidade de classificar os Espíritos, é preciso conhecer como fazê-lo.
                                                                                                            
Classificando Espíritos

O objetivo principal do Espiritismo é o progresso do ser, a melhoria íntima. Assim sendo,a “Escala Espírita” é elaborada exatamente sobre esse parâmetro. Diz o item 100 do Livro dos Espíritos: “A classificação dos Espíritos funda-se no seu grau de desenvolvimento, nas qualidades por eles adquiridas e nas imperfeições de que ainda não se livraram.”.

O botânico observa as plantas que conhece e propõe um agrupamento organizado destas. Seguindo alguns critérios, isso permite que desenvolva seus estudos com mais clareza e sistematize seus apontamentos. Quando encontra uma nova planta, analisa suas características e julga em que grupo ela deve se encaixar. Se a comunidade de botânicos se guia pelo mesmo método, isso garante uma unidade nos estudos e um entendimento geral acerca da linguagem e dos conceitos aplicados ao objeto de interesse.

Da mesma maneira acontece na Doutrina Espírita. A Escala Espírita agrupa Espíritos por características, apontando ao estudante a quais pontos ele deve dispensar atenção na análise de uma comunicação. Assim, pode deduzir o grau de progresso de qualquer Espírito através de suas palavras. Os espíritas têm, portanto, acesso a uma referência comum que garante que todos se entendam, ao utilizar os mesmos termos e conceitos para estudar e expressar seus apontamentos.

O item 100 do Livro dos Espíritos, que traz explicações preliminares sobre a classificação, deixa claro em seu último parágrafo o interesse do aspecto científico da Doutrina Espírita sobre a mesma. Kardec evidencia a importância deste quadro classificatório ao considerá-lo como chave dessa ciência, por orientar com segurança a análise e as conclusões que podem ser extraídas das comunicações obtidas no exercício mediúnico. Por fim, é imprescindível registrar a prudência do Codificador, que sempre o acompanhou no decorrer de toda sua tarefa: ele esclarece que a classificação não é absoluta; a nitidez que define o conjunto em cada categoria é diluída nos limites entre graus, bem como nos extremos. 

Admite ainda que outras divisões são possíveis, variando em comodidade, racionalidade e extensão. Porém, ao contrário do que podem pensar os detratores do Espiritismo, a divergência entre as diversas propostas de classificação dos Espíritos reflete apenas a diversidade de convenções, sem que haja prejuízo para a base comum. Além disso, nem todos os Espíritos são igualmente esclarecidos, e os mais ignorantes obviamente formarão sistemas menos justos.

Esclarecido o método de construção da escala, pode-se adentrar em considerações acerca de seu conteúdo.
Explicações dos Espíritos: Ordens

Além da apresentação da Escala Espírita propriamente dita, os Espíritos tecem várias considerações que complementam e esclarecem a ordenação apresentada. Não basta limitar o olhar ao quadro classificatório; só o estudo completo da questão poderá elucidar de forma eficiente alguns equívocos propagados acerca da matéria.

Na pergunta 96, o questionamento sobre uma possível hierarquia entre os Espíritos é respondido dizendo que “são de diferentes ordens”. Na sequência, ao serem perguntados sobre o número dessas ordens, eles estabelecem uma proposta de três divisões, embora admitam não ser a única possível e nem uma demarcação absolutamente rígida. É possível notar claramente uma relação de superioridade e inferioridade entre essas ordens. Isso é evidenciado quando se referem à Terceira Ordem como último grau, no início da escala. Coloca ainda, como características dessa ordem a ignorância, desejo do mal e más paixões.
Tanto a flexibilidade da forma de classificação apresentada quanto uma relação hierárquica entre as ordens são reforçadas no item 100 e explicitamente demonstradas na questão 114: “Os Espíritos mesmos se melhoram; melhorando-se, passam de uma ordem inferior para uma superior.”. Contudo, notemos que, até esse ponto, não foram mencionadas as classes.
Classes na Segunda Ordem

Guardam também as classes, assim como as ordens, uma relação de inferioridade e superioridade correspondente ao número que as distingue? As respostas dos Espíritos nos indicam que não necessariamente. Ao caracterizar a Segunda Ordem na questão 98, é dito que “uns possuem a ciência, outros a sabedoria e a bondade”, acrescentando que “todos têm provas a sofrer”. Não é feita nenhuma menção que distinga, entre eles, a natureza ou grau destas provas.

Poderíamos considerar a sabedoria moral mais importante que a ciência? Seria conhecimento científico mais importante que a bondade? É o que se poderia pensar num julgamento apressado ou superficial dos números, que colocam a quinta classe associada à benevolência, a quarta ao conhecimento científico e a terceira à sabedoria moral. Seguindo esse raciocínio, a prática da bondade seria o nível mais baixo desta ordem; mas haveria sentido doutrinário em categorizar os Espíritos distinguidos pelo exercício do bem abaixo dos que se destacam por seus conhecimentos científicos?

A razão aponta para uma composição nivelada das três classes, onde cada uma representaria um dos aspectos necessários à perfeição do ser em progresso. Naturalmente, graças ao livre-arbítrio, cada Espírito se destacará, inicialmente, em um determinado aspecto – ciência, sabedoria moral ou benevolência. Com o aumento da experiência, crescerá também nas outras características. Essa interpretação é corroborada pela descrição da segunda classe, Espíritos Superiores, no item 111: “Reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade”. Diante disso, o quadro da Segunda Ordem se aclara, com uma espécie de pirâmide onde as três características servem de base e sobre as quais resplandece a condição de Espírito Superior; estes possuem as três em conjunto, já desenvolvidas, enquanto os demais são distinguidos, ainda, por apenas uma característica preponderante.

Uma objeção justa a esse sistema é a seguinte: “ora, mas não é natural, que após dominar uma dessas virtudes o Espírito domine uma segunda, e apenas, por fim, a terceira, e que não pule diretamente de uma característica distintiva para o domínio das três”? É possível responder a essa indagação se utilizando de dois esclarecimentos contidos ainda no item 100. O primeiro diz que “eles podem reunir as características de várias categorias”. Dessa forma, um Espírito Benévolo e com as mais justas noções de moralidade que, entretanto, ainda não reúna grande cabedal científico, terá as características da quinta e da terceira classes ao mesmo tempo, embora sem possuir a da quarta. Quando conquistar essa última, somando ciência à benevolência e à sabedoria, passará a ser considerado da segunda classe, um Espírito Superior.

O segundo esclarecimento é a própria relatividade da Escala, quando se diz que ela poderia aumentar ou diminuir o número de divisões, ser mais ou menos extensa, cômoda, completa etc. Não é conveniente e nem necessário ter as três classes originais, cada uma associada a uma virtude, e mais três classes extras que reunissem Espíritos com duas características (Benévolos/Sábios, Sábios/Prudentes*, Benévolos/Prudentes); basta mencionar as principais e compreender que não há limites rígidos quando se fala de progresso espiritual.

Por fim, a abertura de uma comunicação atribuída ao Apóstolo Paulo, contida na pergunta 1009, resume a Segunda Ordem: “Gravitar para a unidade divina, esse é o objetivo da humanidade. Para atingi-lo, três coisas lhe são necessárias: a justiça, o amor e a ciência(…)”.

*O texto foi construído segundo a tradução de Herculano Pires, que nomeia a quarta classe como “Sábios” e a terceira como “Prudentes”. Isto parece estar mais de acordo com a descrição de ambas do que outras traduções. Algumas, como a de Guillon Ribeiro, estabelecem “sábio” como sinônimo de “prudente” na quarta classe, utilizando a expressão “de sabedoria” na terceira classe, o que pode gerar confusão. Essa distinção semântica entre “sábio” e “de sabedoria” é quimérica, especialmente quando já se admite “prudente” como um sinônimo aceitável para a primeira, e quando não ecoam as palavras do original francês. Outras traduções possíveis para a quarta classe (“savants”) são “estudiosos”, “eruditos” e “acadêmicos”, e, para a terceira (“sages”), “sensatos”. Muito embora a possibilidade de que estas opções sejam ainda mais claras que as primeiras, optou-se por seguir a nomenclatura de uma tradução consagrada, a bem do entendimento geral.
Classes na Terceira Ordem

Na Terceira Ordem os números também não estabelecem relação de superioridade. A questão 99, que introduz as características das classes dessa ordem, menciona o que as distingue, mas não estabelece nenhuma hierarquia entre estas. Essa visão é reforçada por uma das observações preliminares, ainda uma vez no item 100 (grifo nosso) :

“Esta divisão [em ordens] nos parece perfeitamente racional e apresenta caracteres bem definidos; não nos resta senão destacar, por um número suficiente de subdivisões, as nuanças principais do conjunto.”

Por ela, infere-se novamente que a divisão principal, que reflete a superioridade espiritual, se dá nas ordens. Já as classes são meras subdivisões, cujos números não necessariamente se associam ao grau de avanço atingido pelos Espíritos que descrevem. Cada uma delas reflete tão somente uma das diferenças principais em relação ao conjunto.

Certamente que a décima classe, composta de Espíritos francamente dedicados ao mal, é a de nível moral mais baixo. Inclusive há contraposição entre a denominação de “Impuros” e a primeira classe, dos Espíritos Puros.  Ainda assim, esse posicionamento enseja uma observação interessante, que nos faz refletir sobre a passagem dos Espíritos através de ordens e classes.
Sabemos que, segundo a questão 120, nem todos passam pelo mal, mas sim pela ignorância. Diante disso, é lícito perguntar: logo depois do Espírito ser criado, simples e ignorante, e não mau, a qual classe ele pertence? Quase não tem experiência própria, não pode dedicar-se ao mal, fazer aconselhamentos pérfidos, e nem ter a astúcia que se espera de um Espírito da décima classe. Também poucos conhecimentos tem para poder ser um pseudo-sábio, bem como não dispõe ainda da malícia necessária a um Espírito Leviano. Por outro lado, por mais que tenha uma preferência pelo bem desde o princípio, não tem desenvolvida nenhuma das características distintivas das classes da Segunda Ordem. Assim sendo, a única descrição que se aplica a ele, neste momento, é a de um Espírito Neutro.Vejamos o início do item 105, que descreve a sétima classe:
“Nem são bastante bons para fazerem o bem, nem bastante maus para fazerem o mal; tendem tanto para um como para outro(…)”
Agora comparemos com parte da resposta à questão 121, que descreve os Espíritos ao serem criados por Deus:
“Deus não criou Espíritos maus; criou-os simples e ignorantes, ou seja, tão aptos para o bem quanto para o mal.”
Suponhamos que, seguindo sua trajetória, esse Espírito opta por dedicar-se ao mal. Ao persistir o suficiente no seu infeliz objetivo, suas atitudes definem-no como Espírito Impuro. Sendo assim, observamos que ele vai da sétima classe para a décima. Posteriormente, ainda em atitudes viciosas, pode desenvolver um gosto pelo conhecimento que o classifique como pseudo-sábio. Mas pode se regenerar e avançar sem jamais exibir a fanfarronice de um Espírito Leviano. Esse exemplo demonstra, ao mesmo tempo, duas realidades. A mais imediata é a percepção de que não é da última classe que se parte, já que o ser nasce simples e ignorante, não mau. A segunda é que, se não é possível regredir espiritualmente (questões 178a e 805), mas pode-se recuar na escala, e avançar sem necessariamente passar por cada classe, as mesmas obviamente não estão postas em sequência de progresso espiritual. Tal papel cabe às ordens – o Espírito inicia sua jornada na Terceira Ordem e, uma vez subindo na escala e predominando em si o bem, passará à Segunda Ordem e não voltará à neutralidade, muito menos ao mal.
Uma proposta de diagrama
Resumindo o que foi visto até aqui, o progresso relativo dos Espíritos é dado pela ordem que ocupam. As classes são diferenciações qualitativas dentro das ordens. Não são necessariamente equivalentes em nível de progresso espiritual, mas suas diferenças nesse quesito não são dadas pelo número que as acompanha.

Um último reforço dessa compreensão pode ser dado em duas vias. Uma é o acréscimo de Kardec dos Espíritos Batedores às nove classes originais. Estas foram apresentadas na primeira edição do Livro dos Espíritos (1857), na Revista Espírita de fevereiro de 1858 e no livro “Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas”, do mesmo ano, que foi o precursor do Livro dos Médiuns.

Em 1860, por ocasião da segunda edição do Livro dos Espíritos, a classe dos Espíritos Batedores foi incluída como a sexta, alterando em uma unidade a menos todos os números correspondentes às demais classes da Terceira Ordem. Sendo claramente colocada como uma classe diferenciada, já que os Espíritos que a constituem pertencem necessariamente também a outras classes, ela suporta e reforça a interpretação de que não existe uma linearidade progressiva que os Espíritos devam percorrer segundo esses números. Ainda nesse caráter histórico, na primeira edição do Livro dos Espíritos, são apresentadas apenas as ordens como graus de progresso dos Espíritos. Classes, nesse momento, só foram indicadas na última ordem, e mesmo assim também não apresentavam uma sequência progressiva: a primeira correspondia aos neutros, a segunda aos impuros e a terceira aos fátuos, que seriam sinônimo de levianos.

A outra vertente é o estudo das palavras “ordem(ns)” e “classe(s)” no restante do Livro dos Espíritos. Destaca-se, além das referências já analisadas, a questão 226, onde Kardec equipara “graus” e “ordens” em seu comentário à resposta dos Espíritos. Evidenciam a mesma linha de pensamento as questões 274, 275, 278, 538 e 980. Já a palavra “classe” não apresenta esse sentido em nenhuma pergunta.

A questão 116, numa leitura superficial, pode dar a entender isso quando fala de “classes inferiores”. Mas o simples fato do uso do plural mostra que elas são consideradas inferiores enquanto grupo constituinte da Terceira Ordem, e não umas em relação às outras pelos seus números.

Frente a todas essas considerações, um diagrama linear, ou feito de degraus, onde cada classe está disposta segundo seu número, não corresponde exatamente ao exposto na Escala Espírita. Didaticamente, faz-se necessário um diagrama que ilustre a hierarquia entre ordens, mas que respeite as diferenças qualitativas entre as classes, além do caso especial dos batedores e da reunião das três características da Segunda Ordem nos Espíritos superiores.

Uma proposta que se aproxima desse objetivo é uma pirâmide com quatro níveis. O mais baixo corresponde à Terceira Ordem, caracterizada pela ignorância e predomínio do mal. Logo acima, estão os Espíritos que já avançaram além da neutralidade, e onde predomina o bem. No patamar imediatamente superior, figuram os Espíritos Superiores, desenvolvidos em todas as características necessárias ao progresso do ser imortal. Por fim, no topo da pirâmide, os Espíritos Puros, já despojados de todas as imperfeições da matéria.

Obviamente não é um diagrama perfeito. Por exemplo, não destaca a posição de inferioridade moral da décima classe em relação às demais. Porém, esse destaque é inferido, não sendo explicitado na descrição da escala; evidenciá-lo seria impor a obrigação de analisar todas as outras classes de forma semelhante. Deveríamos julgar se é pior a leviandade ou o orgulho dos pseudo-sábios; ou ainda, mesmo que tenhamos concluído que a Segunda Ordem não tem classes ordenadas numericamente, estabelecer se alguma das virtudes atribuídas às mesmas é superior às demais, e em que medida. Isso não seria prático, se é que possível. Por isso, é preferível sacrificar esse nível de detalhe à simplicidade que pede um diagrama didático.
Conclusão

Sendo chave da ciência espírita, é imprescindível que a Escala Espírita seja bem compreendida. Para tanto, é necessário estuda-la criteriosamente; interpretações rasas do quadro classificatório podem induzir a equívocos, como acreditar que todos os Espíritos passam por todas as classes, ou que elas são numeradas de acordo com o seu nível de progresso. O diagrama é uma importante ferramenta didática, que auxilia o estudante a compreender a classificação dos Espíritos. Entretanto, é preciso que represente de forma clara e fiel, o panorama exposto na Codificação.
Bibliografia
KARDEC, Allan [Hippolyte Léon Denizard Rivail]. O Livro dos Médiuns. Tradução de Renata Barboza da Silva, Simone T. Nakamura Bele da Silva. São Paulo: Petit Editora, 2004. Versão eletrônica.
KARDEC, Allan [Hippolyte Léon Denizard Rivail]. O Livro dos Espíritos. Versão eletrônica. Tradução de José Herculano Pires. Disponível em: <http://livrodosespiritos.wordpress.com>. Acesso em: 28 de novembro de 2012.
KARDEC, Allan [Hippolyte Léon Denizard Rivail]. O Livro dos Espíritos (1ª edição). Tradução de Canuto de abreu. São Paulo: Companhia Editora Ismael, 1957. Versão eletrônica.
KARDEC, Allan [Hippolyte Léon Denizard Rivail]. O que o Espiritismo Ensina.Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos (RevueSpirite). Agosto de 1865. IDE, 2001. Versão Eletrônica.
KARDEC, Allan [Hippolyte Léon Denizard Rivail]. Escala Espírita.Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos (RevueSpirite). Fevereiro de 1858. IDE, 2001. Versão Eletrônica.
KARDEC, Allan [Hippolyte Léon Denizard Rivail]. Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas. Versão eletrônica. Disponível em: <www.aeradoespirito.net/LivrosCodEspirita/InstPratManifEsp.pdf>. Acesso em: 01 de junho de 2012.
   
Apêndice

Partindo das considerações do Apóstolo Paulo na questão 1009 e analisando a própria descrição da escala, poderia ser proposto um modelo de progresso em três pilares: Amor, Justiça e Ciência. Os Espíritos Benévolos seriam aqueles que vivenciam o Amor e a necessidade de praticá-lo, enquanto os Impuros lutam contra essa realidade. Os Espíritos Sábios compreenderam o papel da Ciência para o ser inteligente, valorizando o conhecimento, contrapostos aos Pseudo-sábios, que o deturpam em favor de seu orgulho. Por fim, os Espíritos Prudentes são os que alcançaram o conceito de Justiça, distinguindo o Bem do Mal, ao contrário dos Levianos, que se mantêm alheios à distinção entre certo e errado, agindo com inconsequência.

Dessa maneira, sobre esses três pilares se construiria o progresso espiritual. Os Espíritos da Terceira Ordem seriam caracterizados pela incompreensão acerca de cada um dos três pilares, enquanto os da Segunda Ordem teriam como distintivo a compreensão destes.

Os Espíritos Neutros seriam os que não tomam posição definida em relação a nenhum dos pilares, seja por imaturidade ou por ausência de decisão. Seriam criados nessa condição simples e ignorante, num primeiro momento, e poderiam, após passear por experiências infelizes inerentes às classes inferiores, e mesmo experiências benéficas pontuais, voltar ao estado de neutralidade. Compreenderiam, nesse segundo momento, de forma mais ampla a sua própria natureza e a dinâmica progressiva do Espírito – sem, contudo, terem força suficiente para se elevarem acima da condição comum, estando ainda apegados às alegrias e tristezas grosseiras da materialidade.

Por fim, os Espíritos Superiores manifestariam o desenvolvimento amplo dos três aspectos, que os levará à condição de Espíritos Puros quando esse desenvolvimento estiver completo.
Essa proposta didática pode ser ilustrada num diagrama com três colunas:

Embora esse modelo tenha lógica e embasamento doutrinário, ele passa por um agrupamento relativamente subjetivo de qualidades e imperfeições, e carece de maior respaldo na literatura espírita, especialmente na Codificação. Por isso é apresentado apenas a título de exercício didático, que pode ser acessório no estudo da Escala Espírita.

6 comentários sobre “Escala Espírita – Uma reflexão

  1. Interessantíssimo trabalho! Parabéns! O estudo da escala espírita é muito importante para analisarmos as mensagens mediúnicas recebidas e hoje tão divulgadas nos tantos meios de comunicação. Além dos livros vendidos! Já li muita asneira mediúnica! Pior quando acreditamos naquilo que lemos sem analisarmos. Kardec nos deixou a receita, só basta seguí-lo. Mais uma vez parabéns!

  2. Leonardo gostaria de comentar a questão da classificação em piramide, quando na base está a terceira ordem, ou seja, a mais inferior. Poderemos pensar de duas formas, primeiro que a piramide tem base mais larga, logo associamos a uma maior quantidade de ignorância nesta fase evolutiva ou de outra forma, associarmos a uma quantidade de espíritos ignorante, estaremos dizendo que temos uma maior quantidade de espíritos nesta ordem inicial. Se pensarmos que a quantidade de espíritos da ordem inferior é menor e a de ordem superior, a piramide terá que ser invertida pois que o maior conhecimento e evolução se agigantam com a evolução. Está ideia é mais razoável pois Deus cria seres para a evolução, por toda a eternidade e assim estes estão em maior numero, pois pelo infinito de tempo que passou estes existem. Já os estágios inferiores não são estáticos e crescem sempre alimentando os níveis superiores que nunca diminuem. É outra forma de pensar a evolução dos seres para um estágio de evolução infinita.

Ao longo dos anos, percebemos que responder aos contraditores, quase sempre munidos de paixão pessoal, nos custava tempo e energia que poderiam ser aplicados em algo mais útil. Por essa razão, não respondemos ataques. Ofensas serão deletadas.

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